ANGEL FERREIRA
— Angel, te fiz uma pergunta.
Merda! Eu tenho de dizer algo, estou em choque com essa descoberta e Liam está rindo da situação... Filho da mãe, sempre foi assim.
— Angel estudou comigo no colégio, fomos grandes amigos e perdemos o contato quando ela saiu da escola. — Explica Liam. Alex me olha esperando a confirmação do que o seu irmão disse.
— Estudou em uma das mais renomadas escolas de Nova York? — pergunta Sandra.
Merda! Essa é uma parte do meu passado que mais odeio.
— Sim, mas tive de sair por alguns problemas pessoais. — É tudo que eu digo, então me sento à mesa perto de Alex.
— Então esta é a Angel! Pensei que minha tia estava exagerando, mas vejo que ela estava certa, você é linda! Sou Melissa, prima do bobão do seu lado. — Ela pisca para mim e depois dá língua para o primo, que retribui.
Ela não parece ser como Alex disse.
Passamos o jantar conversando sobre tudo, claro, Liam não deixou de falar do passado, coisa que não quero lembrar. Confesso que senti falta dele, que foi um grande amigo, e o que aconteceu entre a gente não passou de uma fase. Mas, foi por causa dessa “fase”, Luke fez o que fez comigo, porém isso não justificará nunca a sua atitude de um homem sujo e sem escrúpulos.
— Então, Angel, o que faz da vida? — perguntou Melissa.
— Bom, no momento sou secretária do Alex, na verdade nos conhecemos assim, não é amor? — digo com um sorriso estupidamente falso no rosto e olhando para Alex, que segura a minha mão enquanto estamos na sala conversando.
— Você ainda trabalha para ele? — pergunta Melissa mais uma vez.
— Sim, mesmo depois de casar quero continuar meu trabalho, sempre fui assim, acostumada a trabalhar. Essa vida de ser só dona de casa não é para mim, posso ser as duas ao mesmo tempo. — Alex aperta ainda mais a minha mão.
— Mas, e se Alex não quiser? — Provoca Liam.
Esse i****a está adorando fazer isto.
— Ele vai ter de aceitar, se quer casar comigo tem de gostar de mim como sou. — Como se um dia ele fosse gostar mesmo de mim.
— Irmão, ainda não viu nada, Angel tem uma carinha de inocente, mas não sabe a louca que é. — Liam, bastardo i****a.
— Ei! Eu mudei, um pouco, mas mudei — digo e todos dão risada.
— Sei domá-la — redarguiu Alex com aquele meio sorriso.
Minha calcinha deve estar encharcada.
— Sabe mesmo? — Ele franze o cenho.
— Me desafiando, Angel? Sabe que não pode fazer isso. — Tenta me intimidar, mas eu não recuo.
— E se eu estiver? — Ergo uma sobrancelha.
— Estará cometendo um grande erro.
— Jura? Não sabia, mas mesmo assim vou persistir no erro. — Disparo.
Ele sorri, mas um sorriso diferente, diria que um de verdade, não os falsos que ele lança para mim; ele se aproxima e me beija, mas não é um beijo comum, na verdade nem eu sei explicar que tipo de beijo foi esse, só sei que nossas línguas se entrelaçaram de um jeito tão bom, tão gostoso.
— Vão para um quarto. — Escuto a voz de Melissa e todos riem.
— Já vi que vocês têm uma vida s****l bem ativa, então não precisamos ver a vida s****l de vocês — murmura Liam. i****a, ele faz isso de propósito.
Quem me dera ter uma vida s****l ativa, ainda mais com esse deus grego que será meu marido de mentira.
— Ver, você não verá, mas ouvir já não sei. — Olho para Alex chocada com o que ele disse, ainda mais na frente da sua mãe, que só sabe rir.
— Mãe, por favor, me diga que eles não irão dormir aqui. — Liam diz fingindo estar chocado.
— Não Liam, eles não vão. — Sandra tenta reprimir um sorriso, mas falha.
— Bom, mãe, nós já vamos, temos trabalho amanhã e Angel tem a mãe doente. Provavelmente vamos chegar lá somente pela madrugada. — Olho para o meu relógio de pulso e vejo que já passava das nove horas da noite. Uau, a hora passou rápido demais.
— E seu pai, Angel? Não falou dele em nenhum momento. — Estava demorando.
— Esse homem morreu para mim há sete anos, quando nos abandonou — falo com desdém.
— Olha... Angel... Me desculpe, eu não…
— Tudo bem, Melissa, você não sabia e me desculpe a forma como falei com você, é só que... esse assunto para mim é um pouco doloroso. — Eu não posso chorar, eu não posso chorar.
— Claro, Angel, foi um prazer te conhecer, acho que meu primo acertou dessa vez. — Ela sorri e eu retribuo.
— Olha querida, espero vê-la mais vezes. Você é uma ótima companhia e pode deixar que já sei exatamente como será o seu casamento — disse Sandra, logo em seguida me dá um beijo em ambas as faces, depois me abraça e sussurra em meu ouvido:
— Faça meu filho feliz.
Quando ela diz isso sinto uma pontada no peito, uma coisa r**m ou boa, não sei explicar.
— Baixinha, logo nos vemos. — Liam bagunça meu cabelo e dou um tapa em seu braço.
— Quando vai crescer? — pergunta Melissa.
— Já cresci há muito tempo, cresci em lugares que você... — Sandra o corta.
— Liam, chega, olha como fala com sua prima, e temos visitas; também não sou obrigada a ouvir esse tipo de detalhe.
— Nem ligo mais, Sandra, ele é bem pior que isso, acredite — digo me lembrando das loucuras que Liam já fez e sei que sua família nem imagina.
— Wow, passado é passado. Qual é, baixinha? Assim não vale..., mas você não escapa não, também aprontava muito. — Isso é verdade, mas não tanto quanto ele.
— Sim, admito, mas tinha uma má influência, não é, bestão?
Eu passei a chamá-lo assim depois de ele me apelidar de baixinha.
— É sério? Sempre soube que aquela estranha da nossa sala era mesmo. — Rio ao me lembrar da menina maluca da turma.
Nos despedimos mais uma vez e saímos de lá. No carro o silêncio predomina, aff, odeio quando ele faz isso.
— Por que está tão quieto? — Não aguentava, tive de perguntar. Já estávamos chegando no aeroporto e desde que saímos da casa de sua mãe Alex ficou quieto, nem ao menos me olhou.
— Estou pensando em como foi meu dia hoje — diz sem tirar a sua atenção da estrada.
— E o que achou de hoje?
— Eu gostei muito, nunca vi minha mãe tão animada depois da morte do meu pai e principalmente minha prima gostar de alguém assim de cara.
— E isso é bom?
— Sim e não.
— Por quê?
— Sim, porque se eles acreditaram que realmente nos amamos e vamos nos casar porque não conseguimos viver um sem o outro, qualquer um irá acreditar.
— E o não?
— Não, porque sei como ficarão quando isso acabar, pois logo vamos seguir as nossas vidas, você ajudando sua mãe e eu me tornando chefe legalmente das empresas do meu pai.
— Ah, sim. — Me viro para o outro lado e sinto as lágrimas descendo. Eu não sei o motivo pelo qual estou chorando; o que ele disse é verdade, depois de tomar posse da empresa legalmente a gente se divorcia e seguimos com nossas vidas.
DIA DO CASAMENTO
Deus, não acredito! O grande dia chegou! Os dias passaram rápido e quando fui dar por mim, já era o dia do meu casamento. Era para eu estar feliz, mas não estou, afinal estou me casando sem amor. Confesso que estou com medo do que pode acontecer daqui para frente, se acontecerão coisas boas ou ruins, mas não posso dizer sem deixar rolar.
Alex, durante esses dias, na frente das pessoas era um amor, parecia realmente que me amava e que eu era o seu tudo, mas quando estávamos a sós, ele tinha o prazer de jogar na minha cara de que tudo isso não passa de uma farsa. Haviam momentos em que parecia que eu nem existia para ele. No trabalho, na frente das pessoas, era o noivo apaixonado, mas pelas costas era o chefe arrogante, frio e insuportável, nem parecia aquele Alex de duas semanas atrás. Mesmo sabendo que isso iria acontecer, sei lá, poderia me tratar melhor, não é mesmo? Afinal, no contrato não diz “tratar sua mulher como um cachorro”, mas se ele acha que vou aturar isso assim, ele está muito enganado.
Assim que esse maldito contrato acabar, vou sair da sua empresa, procurar um outro emprego ou então abrir o meu próprio negócio. O dinheiro que vou ganhar dá e sobra; como ele me deu metade no dia em que entreguei o contrato assinado, paguei o tratamento da minha mãe, comprei os remédios que ela precisava, aluguei um apartamento perto do trabalho, bem simples, mas aconchegante, e quitei minhas dívidas. Ainda sobrou bastante, e esse que sobrou vai servir para o que tenho em mente.
O casamento será na fazenda da família Cooper e eu amei a ideia, só a lua de mel que não sei aonde vai ser, mas para mim não importa, não vai acontecer nada mesmo.
Mas bem que eu queria.
Estou em um dos quartos da fazenda terminando de me arrumar. Meu vestido é lindo, um tomara que caia longo, e uso sapatos da mesma cor do vestido; não estou com véu, mas a minha tiara é linda, feita em prata e diamantes, assim como meu vestido, que também tem detalhes de pedrinhas de diamante, achei um exagero, mas a Sandra disse que eu tinha de estar linda hoje. Me olho no espelho e não me reconheço, estou linda, sinto as lágrimas querendo descer, mas não posso deixar, Melissa iria me matar se visse seu trabalho estragado.
— Como está a minha baixinha? — Olho para trás e vejo Liam, lindo de terno e gravata cinza, imagina o irmão.
— Estou bem, Liam — digo e o abraço.
— Você está linda, pena que isso não passa de uma farsa. — Não digo nada, e lhe dou um sorriso fraco. — Mas por que estava chorando?
— Para dizer a verdade nem eu sei ao certo o motivo, só sei que passam mil coisas na minha cabeça neste momento e também estou um pouco preocupada com a minha mãe.
— Por quê? O que houve com Aline?
— Ela ultimamente vem esquecendo as coisas... Se ela toma banho, não passa nem cinco minutos e ela vai de novo, dizendo que ainda não havia tomado, ou de como chegar em casa. No começo pensamos que fosse a idade, mas estou meio preocupada com isso.
— Já a levou no médico?
— Sim, fizeram exames que sairão daqui a alguns dias. O médico disse que tem suas suspeitas do que ela talvez tenha.
— Ele te disse a suspeita dele?
— Não, disse que não queria me preocupar, e desde então penso no que a minha mãe possa ter, isso vem acabando comigo aos poucos.
— Vai ficar tudo bem baixinha, você vai ver — diz me consolando.
— Peço isso a Deus todos os dias.
— Então, está pronta para ir até o altar? — Não.
— Sim, vamos logo porque esse negócio de noiva se atrasar não conta.
Liam irá me levar ao altar. Que ironia do destino, o cara que tirou a minha virgindade é o cara que está me levando ao altar para casar com seu irmão..., mas eu tenho de pôr uma coisa na minha cabeça: tudo isso é uma grande mentira!
Descemos as escadas e a cada passo que eu dava era uma emoção diferente. Quando chegamos perto do tapete vermelho, escuto a marcha nupcial e vejo todos se levantando e me olhando. Nossa, tem muita gente aqui! A maioria eu nunca vi; na verdade, as pessoas que estão aqui e que eu conheço podem ser contadas nos dedos.
Aperto mais o braço de Liam em sinal de nervosismo, ele me olha e me dá um sorriso como se pedisse para me acalmar, mas é difícil, afinal toda mulher fica nervosa no casamento. E também ficam felizes, e felicidade é uma das coisas que o meu casamento não tem.
Liam beija a minha testa e me entrega para Alex, que parece estar muito feliz, mas é só aparência; Liam e eu sabemos que é tudo mentira, então faço o mesmo que ele, fico rindo igual uma boba. Olho para trás e vejo a minha mãe e a Sandra juntas, com um sorriso de orelha a orelha e isso me dói, porque sei que quando souberem o que estamos fazendo vão se decepcionar conosco. Mesmo no contrato dizendo que não podemos contar nada para ninguém, sei que mais cedo ou mais tarde eles irão descobrir, Alex querendo ou não.
Depois do mestre de cerimônia dizer tudo que tinha para dizer, chegou a hora de decidir.
— Angel Ferreira Ambrósio, você aceita Alex Donavan Cooper como seu legítimo esposo? — Odeio meu último sobrenome, infelizmente é daquele maldito monstro.
— Aceito.
— Alex Donavan Cooper, você aceita Angel Ferreira Ambrósio como sua legítima esposa?
— Aceito.
— Com o poder em mim investido, eu vos declaro marido e mulher. Pode beijar a noiva.
É oficial, agora sou legalmente Angel Cooper. Meu Deus, eu me casei!
Depois do casamento veio a festa, que eu achei um exagero, mas fazer o quê? Alex e eu entramos em modo “casal apaixonado”; depois de cumprimentar todos, dançar, jogar o buquê, que Diana pegou, fui para o quarto trocar de roupa para viajarmos. Minha mala já está pronta, Diana e Melissa que fizeram, tenho até medo das roupas que elas colocaram lá. Fomos para o aeroporto e vejo um avião enorme, claro que é um jato particular! Entramos e vejo o quão grande e luxuoso ele é. Alex disse que tem capacidade para dezesseis pessoas. As paredes têm revestimento de quartzo claro e escuro, as poltronas do avião são de couro branco e tem três quartos, sendo um deles uma suíte, e ainda mais dois banheiros.
— Para onde vamos? — pergunto me sentando na poltrona.
— Caribe, tenho uma casa de praia lá. — Fico boquiaberta, nunca imaginei que iria para o Caribe e ainda mais em lua de mel.
— Nossa, estou louca para chegar lá — digo animada.
— Você nunca foi?
— Claro que não, é até uma pergunta meio i****a. — Ele ri.
— Desculpe, senhorita óbvio, eu não sabia. — Brinca. — Bom, se quiser descansar e dormir um pouco, pode ir à suíte assim que decolarmos. Demora algumas horas para chegarmos lá, te aviso quando estivermos perto.
Concordo com o que ele disse e espero decolarmos, depois vou para o quarto e me deito um pouco. Durmo com meus pensamentos confusos e as emoções à flor da pele.