Ele não precisava ser esperto, para ver a simplicidade de Jasmine, ela tinha roupas e tênis, surrados, o cabelo era realmente bonito, assim como ela, mas não por cuidados.
__ Enviou sua localização para sua amiga?
__ Eh, eu enviei.
__ Eu não faria m*l a você, mas sinto que pode nos ajudar e não vou abrir mão disso, abriria se fosse por mim, mas não por ela.
Ele olhou para Maya dormindo nos braços de Jasmine.
__ Já tentei babás, enfermeiras e até uma pediatra, mas ela não come e não para de chorar, dorme chorando e acorda chorando, precisamos de você.
__ Eu vou tentar dar a mamadeira pra ela, vou trocar a fralda e você vai me deixar em casa, tá legal?
__ Faço o que pedir e pago o preço que quiser.
__ Vamos e nem tudo se resolve com dinheiro, vocês ricos se acham e tem uma péssima mania de querer comprar as pessoas...Eu hein..
Eles entraram na mansão, ela entrou na frente, mesmo sem conhecer o caminho
__ Quer que eu a leve nas escadas? ela é pesadinha.
__ Não precisa, estou acostumada.
__ Tem filhos? ou melhor filho?
Ele julgava pela idade.
Explicaria o acolhimento dela com Maya, se bem que se tratando da mãe de Maya, acolhimento não era o forte.
__ Ah não, mas sou voluntária em um orfanato. Como ela se chama?
__ Maya.
__ Lindo nome.
__ É e perfeitos pulmões.
Eles sorriram sem graça, mas ele admirou o sorriso daquela mulher.
Ele gostou do que Ouviu, ela era voluntária.
Subiram para o quarto dele.
Tinha várias bolsas de Maya e objetos espalhados.
Jasmine entendeu que Maya não morava naquela casa, estava ali a poucos dias.
Pensou que talvez uma separação tivesse acontecido entre o casal e por isso a menina sofria a ausência da mãe.
__ Parece que a rotina dela foi quebrada, primeiro vamos escolher uma roupinha quente, dar um banho morno, isso vai fazer bem.
__ Ela vai acordar e vai abrir a boca chorando novamente.
Ele estava traumatizado com o choro da menina.
Maya era sobrinha de Raoni, ela era filha do irmão dele.
Houve um acidente, o irmão de Raoni estava na UTI e a mãe de Maya desapareceu misteriosamente.
Quem poderia cuidar de Maya era sua avó com quem tinha apego, mas ela estava abatida demais, temendo que o filho morresse e estava como Maya, si sabia chorar.
Então Maya ficou com Raoni, ele precisou se deslocar para outra cidade para buscar a menina com quem nem tinha muito contato, mas no momento só tinham um ao outro.
__ Escolhemos a roupa, fazemos a mamadeira, damos um banho morno, vestimos a roupinha e damos mamar pra ela.
__ Por mim deixava ela dormir.
__ Ela precisava de um banho, vai por mim.
__ Se você diz, mas se ela acordar, você terá que fazer o milagre que fez.
__ Escolha a roupa.
__ Eu?
__ Não, o padre da minha paróquia.
__ Sei nem por onde começar.
__ Vá criatura.
__ Você é engraçada.
__ Ande.
Ele escolheu algumas roupas e ela negou todas, mas finalmente encontraram um pijama confortável.
Maya resmungou ao ser colocada na água morna, mas estava cansada demais para chorar.
Ela tomou toda a mamadeira, dormindo, Raoni nem sabia que aquilo era possível.
A menina estava com fome.
Maya a colocou na cama, fazendo algumas barreiras com travesseiros para que ela não caísse.
O telefone de Jasmine tocava sem parar.
__ Preciso atender.
Ela disse para Raoni.
__ Fique a vontade.
__ Não tem uma babá eletrônica?
Raoni passou a mão na cabeça, ele não entedia nada sobre criança e deverás, afinal não tinha filhos e nem planos para ter, Maya havia caído de paraquedas na sua vida.
Em um dia ele acordou para fazer o que sabia de melhor, trabalhar e do nada uma ligação muda tudo.
Desceram para não acordar Maya.
__ Amiga.
Era Laura, melhor amiga de Jasmine.
__ Oi amiga.
__ A tia tá maluca te procurando, você está no convento ou no orfanato?
__ Em nem um dos dois, mas depois te explico e olha, já estou voltando pra casa.
__ Não vai rolar, ninguém entra e ninguém sai, está tudo inudado.
A chuva que se acalmou por um tempo, havia retomado com tudo.
Jasmine morava em um bairro periférico da cidade de São Paulo, enquanto Raoni no melhor bairro localizado no centro.
__ Como vou voltar pra casa agora?
__ Não sei.
Laura respondeu.
__ Você pode ficar aqui.
Raoni disse, pedindo aos céus que Jasmine pudesse ficar.
Jasmine fez sinal de silêncio para Raoni.
__ Quem é?
Carla perguntou.
__ Te conto tudo depois, se a mãe ligar, você diz que estou com você e vou dormir aí.
Carla nem questionou, Jasmine era quase uma santa, não estaria aprontando nada, disso a amiga tinha certeza.
Jasmine desligou.
__ Eu. não...
__ Não pode ir pra sua casa por causa da chuva, eu ouvi tudo.
__ Você poderia me deixar no orfanato?
__ Dorme aqui, está chovendo muito lá fora.
Mas o motivo era o choro de Maya.
__ Nem nos conhecemos, nem sei seu nome.
__ Sou Raoni Bessa, prazer.
Ele estendeu a mão pra ela que pegou com um sorriso tímido.
__ Me chamo Jasmine. Jasmine Dipp.
__ Jasmine, eu me ajoelho a seus pés se quiser, mas fica por favor.
Ela sorriu e ele nem brincava, falava sério.
__ Eu vou ligar pra minha mãe, mas você dorme na sala, eu durmo com Maya.
__ Jasmine seu nome né? olha, o que não falta é quarto nessa casa e eu dormiria até no chão se tivesse esse privilégio, juro pra você.
__ Eu posso perguntar?
Ele fez sinal que Sim.
__ A mãe de Maya, ela....
Jasmine não teve coragem de completar.
__ Não sabemos, ouve um acidente e ela desapareceu, já faz três dias.
__ Sinto muito.
__ É, eu também sinto. Então você fica né?
__ Por Maya.
__ E também porque não consegue entrar em casa.
Ela sorriu novamente.
__ Você já jantou? eu vou preparar alguma coisa pra comer, enquanto aquela mocinha dorme, posso preparar pra você também?
__ Não vou cair no golpe da cinderela.
__ Eu não faria nada disso, mas pode me ajudar.
Ele não a julgava por está se precavendo.
__ Vou olhar você preparando para me certificar que não vai colocar nada e também porque estou com fome.