Emily
— Srta. Carter, em cima da minha mesa estão todos os contratos da AdVision Productions. Vou pedir que confira um a um e os coloque em ordem alfabética.
— Devo procurar algo específico nesses contratos, Sr. Donovan? — perguntei, enquanto admirava o quanto ele ficava lindo todo de preto: terno preto, camisa preta e gravata impecável, que ele continuava a ajustar.
— Acredito que é capaz de compreender bem o nosso idioma, então apenas faça o que pedi!
— Sim, senhor — respondi, sem graça, ao perceber os seus olhos azuis intensos cravados em mim.
Christopher saiu do escritório e finalmente pude me concentrar na pilha de papéis à minha frente.
Hoje nada vai me abalar. Será a minha segunda noite no clube. O clube de luta funciona aos finais de semana apenas, de sexta a domingo, e eu estou ansiosa para encontrar o Dragão novamente.
Enquanto olhava os contratos, não pude deixar de reparar em inconsistências no contrato de Anastacia Romanova.
Ambos pareciam idênticos e estavam assinados, referiam-se à nova campanha. No entanto, alguns detalhes sutis me chamaram a atenção: uma cláusula referente a uma multa milionária no caso de o projeto ser plagiado, já que a campanha seria realizada com a coautoria da própria Anastacia Romanova. A alteração no contrato tinha como objetivo proteger o trabalho criativo de Anastacia.
Em caso de plágio, ambos seriam prejudicados, considerando que Christopher e a sua equipe estavam empenhados em realizar uma excelente campanha.
Outro detalhe importante era que a alteração referente à multa constava apenas na cópia do contrato de Anastacia Romanova, que foi redigido em russo, o que era bastante conveniente.
— Célia, quem cuida da preparação dos contratos da empresa? — perguntei para a secretária de Christopher.
— Creio que deveria verificar com o próprio Sr. Donovan — ela me respondeu, evasiva.
— É que ele me pediu para revisar os contratos, e eu encontrei alguns erros. Eu não queria falar diretamente com ele, ele é tão rigoroso. Foi você quem digitou?
— Não, Srta. Carter — ela tratou de se justificar — Richard é o advogado da empresa, ele cuida dos contratos. Até semana passada, o Luke o ajudava. Com a saída do diretor de projetos, Luke foi promovido.
— Entendo. Obrigada, Célia.
Eu queria falar com Christopher sobre o contrato, mas a julgar pelo comportamento arrogante dele, ponderei bastante se eu deveria. Ele provavelmente revisou os contratos, é claro! Não deixaria algo assim passar, e eu seria repreendida mais uma vez pelo meu atrevimento.
As horas se arrastaram lentamente, e eu não vi a cara de Christopher na empresa, o que facilitou e muito com o dilema que eu tinha nas mãos.
Eu estava saindo da empresa quando me lembrei de ligar para o advogado que me ajudou no dia da confusão na cafeteria.
Os policiais foram bem intensos nas perguntas sobre a briga com Gerard. Eu fui rapidamente de vítima para suspeita. Como os policiais disseram que voltariam, pensei que seria uma boa ideia pedir a ajuda de um especialista.
— Sr. Ralf Ricco! Você disse que eu poderia ligar se precisasse...
— Emily Carter? — ouvi a voz soar no telefone e atrás de mim. Me virei rapidamente, vi o Sr. Ralf e Christopher me observando.
Desliguei o telefone, ligeiramente atordoada.
— Sr. Ralf, eu não queria atrapalhar. Que coincidência te ver por aqui.
— Eu advogo para o Sr. Donovan. Vocês se conhecem?
— Ele é o meu chefe.
— Emily — Christopher apenas fez um meneio com a cabeça — Ralf, eu vou embora.
— Não, não vá! Sr. Ralf, eu te ligo. Não é urgente, aliás, eu não matei ninguém, não é mesmo? — dei um sorriso nervoso e saí dali o mais depressa que pude.
Christopher
— Para onde?
— Para o galpão. Preciso me preparar para a luta de hoje.
— Pensei que ficaria longe do clube por uns dias...
— Charles já tirou a polícia da cola do Dragão!
— Não acredito que esse plano ridículo de vocês deu certo — Ralf balançou a cabeça, inconformado.
— A testemunha jura que viu o meu dublê na cena do crime. Pena que o meu dublê tinha um álibi irrefutável para a noite do crime: ele estava preso por dirigir embriagado.
— Isso que vocês fizeram é ilegal!
— Me desculpe, Dr. Ralf. Melhorarei.
— O que você queria que eu dissesse? Tome o meu cartão, eu sou o motorista do Dragão! Ou melhor, motorista do Christopher.
— Você é muito mais do que o meu motorista, Ralf. Você sabe disso, né?
—Sim, senhor — ele me respondeu, emburrado.
[ ... ]
Mais tarde, no clube de luta...
Entrei discretamente pelos fundos do clube. A quantidade de carros estacionados do lado de fora indicava que o local estava lotado. O barulho abafado da multidão animada e o cheiro de suor e couro velho preenchiam o ar.
— Tygor!
— Fala, brother. Achei que não viesse hoje. As pessoas falam, você sabe, né?
— Eu não sei. O que as pessoas falam?
— Que você matou o velho da cafeteria por causa daquela mina, a garota nova.
— Que loucura, hein? — respondi rindo — A polícia me liberou, cara. Eu tô limpo! Posso lutar, ou tem que mostrar ficha limpa pra poder dar porrada aqui?
— Imagina, brother. Você é o meu campeão de bilheteria! Minha galinha de ovos de ouro!
— Que p***a de galinha, cara? Deixa eu ir me preparar pra batalha...
— A sua gata já chegou. Quer uma massagem antes da luta? — Tygor deu um sorrisinho irritante e eu fiquei com uma vontade imensa de quebrar cada um dos seus dentes.
— Emily. O nome dela é Emily. Isso aqui é a p***a de uma fazenda? Galinha, gata, tigre! Que c*****o, até esse seu nome é uma merda!
— Oh, relaxa, brother! Você é o meu favorito, paz — ele deu um toquinho no meu ombro e eu me virei em direção ao camarim. Essas conversas idiotas me deixam mais irritado que o normal.
Emily já está no clube, e isso sem dúvida me deixa animado. Na AdVision Productions, eu sou apenas o chefe, um chefe rígido e chato. Se ela soubesse que eu faço isso apenas para mantê-la longe dos meus desejos insanos. Ah, se ela soubesse, que toda vez que a vejo andando pela empresa, com aquele corpo escultural e aquele cabelo cor de ouro balançando, eu sinto vontade de colocá-la no meu colo e fodê-la até cansar.
Eu não deveria tê-la contratado! Acho desprezível um chefe querer f********o com a funcionária, e no entanto, aqui estou eu, preso em minha própria armadilha.