Capítulo 18 RUSSO NARRANDO O rádio começou a chiar antes mesmo do telefone vibrar no bolso. Esse som eu conheço. É aviso. É presságio. É o tipo de ruído que não pede licença pra entrar na cabeça da gente, só entra e avisa que alguma coisa saiu do eixo. — Patrão… — a voz do outro lado veio cortada, tensa. — Deu merdä no morro do Guido. Fechei os olhos por um segundo, apoiando o cotovelo na mesa da sala da boca. O copo de bebida na minha mão já não era o primeiro da noite. Talvez o quinto. Talvez mais. Eu tinha parado de contar fazia tempo. — Fala — respondi seco. — Que tipo de merdä? — Invasão — ele disse. — Pesada. Os caras entraram com tudo. Explosão, rajada, caos. Guido pediu apoio. Respirei fundo, sentindo aquele velho conhecido subir pelo peito. Guerra. Sempre ela. Nunca muda.

