Capítulo 61 AUGUSTO NARRANDO Tudo que é meu, volta. Não importa quanto tempo leve. Não importa quem esteja no caminho. Não importa o sangue que precise cair. Fernanda é minha. Sempre foi. Desde o dia em que nasceu, desde o primeiro choro, desde o primeiro olhar assustado que me encarou como se eu fosse o monstro, quando, na verdade, eu era o dono. Dono do sangue. Dono do nome. Dono do destino. As pessoas gostam de usar palavras bonitas pra justificar fuga. Dizem “liberdade”, dizem “proteção”, dizem “resgate”. Eu chamo de roubo. Roubaram a minha filha de mim. Russo me arrancou o que era meu. E não foi só com arma na mão. Foi com tortura. Com humilhação. Com aquela cara de rei do morro, achando que podia decidir quem vive, quem morre e quem merece recomeçar. Eu ainda sinto o

