Capítulo 2 RUSSO NARRANDO Eu rodei a madrugada inteira sem saber pra onde ir. Não era patrulha. Não era guerra. Não era reunião. Não era porrä nenhuma. Era só eu, o carro rasgando o asfalto, o vento batendo no rosto e aquela sensação de vazio que não passa, não importa quantos tiros você dê, quantas bocas você domine ou quantos homens se ajoelhem quando você chega. A cidade dormia enquanto eu me desfazia. Luz vermelha, luz amarela, farol alto, buzina. Tudo passava rápido demais, mas dentro de mim tava tudo parado. Travado naquele dia. Naquele cheiro. Naquela imagem que eu enterrei à força porque se deixasse sair, eu desmoronava no meio da rua. Quando o céu começou a clarear, eu já não sentia mais as mãos direito. Parei o carro em frente à casa como quem estaciona um caixão. Desci sem

