Capítulo 61 FERNANDA NARRANDO Seis meses depois… Seis meses. Centenas de tiros. Dezenas de corpos. E nenhuma paz. A guerra virou rotina. O som do fuzil já não faz criança chorar, faz criança se abaixar. Os morros se dividiram. Alianças quebraram. A facção rachou no meio. Guido perdeu homens. Russo perdeu homens. Zangão perdeu homens. Todo mundo perdeu alguém. E eu? Eu perdi a capacidade de sentir qualquer coisa que não seja ódio. Eu sento na beira da cama e aperto as têmporas. Minha cabeça dói quase todo dia agora. Desde aquela visita. Desde que a amiga dele veio aqui. Samara. O nome ecoa como irritação. Ela entrou no meu morro achando que ia me manipular com mentiras. Mas ela só fez piorar. Desde aquele dia, os flashes aumentaram. Pequenos. Fragmentados. Dolor

