Capítulo 7 RUSSO NARRANDO O arrombadö saiu da boca vivo. E isso, pra ele, já é lucro. Não porque eu tivesse ficado com pena. Pena não mora em mim faz tempo. Saiu junto com qualquer resquício de fé que eu tinha nas pessoas. Ele saiu vivo porque morrer aqui ia ser fácil demais. Porque eu não tava afim de dar descanso pra ninguém hoje. Fiquei olhando ele se afastar, a postura dura, o maxilar fechado, achando que tinha ganhado alguma coisa por sair vivo. Por um segundo, pensei em meter bala aqui mesmo. Resolver. Silenciar. Acabar com essa porrä de uma vez. A porta fechou atrás dele, e o barulho seco ecoou pela sala. Um silêncio pesado caiu. O tipo de silêncio que não acalma, só fermenta coisa rüim por dentro. — Vai atrás dele e dá umas madeiradas nele — falei seco pro soldado. — Mas sem

