Capítulo 49 RUSSO NARRANDO Cheguei em casa com a cabeça cheia. Cheia demais. O dia tinha sido longo, a boca tinha dado trabalho, os vapores tavam mais burrös que o normal e eu já tava sem paciência desde cedo. Mas nada disso explicava essa pressão estranha no peito, aquela sensação de que alguma coisa tava fora do lugar mesmo antes de eu entrar pela porta. A casa tava silenciosa. Silêncio demais. Olhei em volta rápido, instinto puro. Fernanda não tava na sala. Nem no corredor. Devia tá no quarto. Pensei em chamar, mas engoli o impulso. Desde que eu decidi me afastar, eu vinha evitando qualquer coisa que parecesse aproximação. Era melhor assim. Tinha que ser. Foi quando vi o celular dela largado em cima do sofá. A tela acendeu sozinha, vibrando de leve. Não fui até ele com intençã

