Capítulo 70 SAMARA NARRANDO — Fernanda, abaixa a arma eu prometo que explico tudo, por favor. Mas não mata o pai do seu filho. A minha voz saiu firme. Por dentro eu tava em pedaços. A casa parecia pequena demais pra tanta verdade presa aqui dentro. Do lado de fora o morro tava explodindo. Tiro, granada, rajada cortando o ar. Mas aqui… aqui o barulho era outro. Era respiração pesada. Era dedo no gatilho. Era passado cobrando. Fernanda não piscava. O braço dela tremia, mas a pistola continuava apontada direto na cabeça do Russo. O bebê chorava. E esse choro atravessava o peito dele como faca. — SAMARA, PORRÄ! — Russo gritou, a voz rouca, nervosa, quase desesperada. — O QUE TU FEZ? EU CONHEÇO ESSE OLHAR, CARALHÖ! TU OLHA ASSIM QUANDO FAZ MERDÄ! FALA LOGO! Ele me conhece. Ele se

