Capítulo 72 FERNANDA NARRANDO A minha cabeça dói. Não é uma dor comum. É como se alguém tivesse aberto meu crânio e jogado memórias lá dentro sem me avisar. Eu ainda estou na casa. O cheiro de pólvora não saiu. O choro do meu filho ecoa no meu ouvido. Russo está parado na minha frente. Ele não fala nada. Ele não grita. Ele não ameaça. Ele só olha. Olha pra mim. Olha pro bebê. E esse olhar me desmonta mais do que qualquer arma apontada. Eu não sei mais o que é verdade. Eu não sei mais quem eu odeio. Eu não sei mais quem eu devo matar. Minha cabeça começa a latejar. Imagens começam a se misturar. Eu fecho os olhos. E elas vêm. Violentas. Eu no chão. Sangue na boca. Alguém me chutando. — Bate mais! Ela ainda tá respirando! Risos. Cheiro de gasolina. Uma voz gross

