capítulo 37 FERNANDA NARRANDO Acordei sozinha. O lado da cama estava vazio, frio, sem o peso dele, sem o cheiro forte que eu já reconhecia mesmo sem querer. Mas, diferente de outras vezes em que acordei sozinha na vida, isso não me machucou. Não me deu medo. Não fez meu peito apertar como antes. Talvez porque, pela primeira vez, eu soubesse exatamente onde eu estava. E eu estava segura. Fiquei alguns minutos deitada, olhando o teto branco, escutando os sons da casa. O silêncio aqui não era ameaçador. Não tinha passos pesados se aproximando, não tinha porta sendo chutada, não tinha respiração raivosa do outro lado do quarto. Era só silêncio mesmo. Calmo. Quase bom. Levantei devagar. Meu corpo ainda estava um pouco dolorido, não de machucado, mas de tensão antiga, daquelas que a gent

