Capítulo 68 FERNANDA NARRANDO Mais uma semana se passou e já era tarde da noite quando terminei o banho. A casa estava silenciosa daquele jeito estranho, como se tudo estivesse prendendo a respiração. Eu fiquei um tempo parada no meu quarto, sentindo o coração bater rápido demais sem motivo claro. Ou talvez o motivo estivesse claro demais e eu só não quisesse admitir. Eu me sentia diferente. Não era só nervosismo. Era expectativa misturada com medo. Era vontade misturada com culpa. Vesti a primeira calcinhä que encontrei, mais por hábito do que por escolha. Fiquei aqui, andando de um lado pro outro do quarto, tentando organizar pensamentos que não queriam se organizar. Russo vinha se afastando nos últimos dias. E isso doía. Não era rejeição clara. Era pior. Era frieza calculada

