Capítulo 12 FERNANDA NARRANDO Depois que a Samara foi embora, eu fiquei pensativa. Na verdade, eu já estava assim desde a madrugada, mas agora era diferente. Não era só medo. Era confusão. Uma mistura estranha de sentimentos que eu ainda não sabia nomear. Eu nunca tive ninguém cuidando de mim. Nunca tive alguém que se preocupasse se eu tinha comido, dormido, se estava bem. E, mesmo do jeito torto dele, parecia que o Russo estava fazendo isso. E isso me deixava triste. Triste porque eu não conseguia retribuir nem com uma conversa direito. As palavras simplesmente não saíam. Ficavam presas dentro de mim, como se tivessem medo de existir. Às vezes eu via ele falando comigo, esperando alguma reação, e tudo que eu conseguia era baixar a cabeça ou responder com uma palavra quebrada. Eu me

