Na mesma manhã eu havia colocado um carrinho cheio de feno do estábulo para esse momento. Tinha feno para uma semana ou talvez um mês para o Peregrino, meu cavalo de estimação, mas ele não os comeria tão cedo.
Assim que caí da janela, senti o feno bater em minhas costas de modo leve e suave, como se tivesse aterrissado em travesseiros macios, mas no final tinha as madeiras do carrinho para quebrar o clima. Assim que finalizo a minha queda, ouço os passos dos capangas de Luke vindo.
Eu corro para o estábulo, o mais rápido que meus pés descalços aguentam e, como a porta do Peregrino estava aberta, só precisei montar nele, pois já estava celado. Eu o deixei pronto, pois sabia que em breve precisaria da ajuda dele.
Meu pai era um lorde da alta classe, se ele visse a filha em cima de um cavalo, descalça e com um vestido, creio que ele passaria m*l. Mas não posso julga-lo, é uma cena difícil de se superar.
Ouço Hugh, um dos homens de Luke, chamando por meu nome. Ele era um brutamontes, enorme, parecia um armário m*l resolvido.
Eu ouvia seus passos chegando cada vez mais perto, mas ele não estava caminhando e sim correndo me procurando. Ele sabia que se não conseguisse me alcançar, ele estaria morto na manhã seguinte. Perder de vista a esposa do delegado, não é algo de se orgulhar.
Hugh estava verdadeiramente fudido com toda a situação.
— Wenedy — ele chamava miando meu nome, como se fosse um serial killer em busca da sua vítima — vem cá, garota, não vou te fazer m*l.
Era algo que eu sabia que era mentira, pois quando Luke estava fora ele era outro que ferrava com a minha vida. E eu sentia que era a minha chance de vingança, mas não podia fazer isso, não agora, pois precisava correr para não perder minha carona.
Peregrino era um lindo cavalo, tinha a cor da noite, bem preto e somente uma mancha cor de creme em formato de flor em sua cabeça. Sua crina era lisa e sedosa, pois eu fazia questão de lavá-la o melhor possível. Era o meu cavalo, então eu o cuidava como se fosse meu filho, que era o único que teria.
Luke comprou ele para mim no nosso primeiro ano de casados, assim quando eu precisasse sair para longe, não precisava gastar a sola de meus pés. Mas acabei nunca precisando usá-lo para isso, pois o máximo que o fiz foi galopa-lo junto com Rebeca para passeios a cavalo.
Segurei firme nas rédeas do Peregrino. Após apertar com firmeza, puxei um pouco suas rédeas e em seguida ele relinchou antes de cavalgarmos rapidamente pelo celeiro, passando próximo a Hugh e o derrubando ao chão.
— Espero nunca mais te ver — falei assim que o Peregrino deu a volta e pulou por cima dele.
— Espere só o patrão descobrir — Hugh me ameaçou — sua meretriz de porão.
No momento em que ameacei voltar para calar a boca dele, vi que não seria necessário. Rebeca já o havia acertado com uma frigideira na cabeça e o feito cair desacordado. Eu apenas pude sorrir vendo aquilo, senti uma pontada de orgulho.
Hugh estava desacordado, mas não podia contar vantagem ainda. Então aticei Peregrino, acenei para Rebeca e fomos para o norte o mais rápido que ele conseguia, cavalgando e sentindo o cheiro do vento. Cheiro de "finalmente".
Fiz Peregrino cavalgar o mais rápido que era possível, pois sabia que o outro vigia iria vir atrás de mim logo. Se ele me pegasse, eu estaria duplamente ferrada, então preferia cansar meu cavalo do que perder algo vital sendo pega por um babaca.
Cavalgamos por horas a fio e já se passara muito tempo, estava anoitecendo e eu sabia que estava longe da cidade mais próxima, iria ter que passar o resto da manhã seguinte cavalgando. Então decidi parar no meio da estrada, pois não conseguiria lugar melhor até chegar na cidade.
Peregrino relinchou de alívio por não ter que correr mais e em seguida saiu da estrada e deitou no relento da grama, um pouco adentro para não sermos pegos de surpresa. Eu não o julgava, faria o mesmo se tivesse cavalgado por horas a fio e finalmente fosse autorizado a parar.
Me aconcheguei junto a ele e dormimos até o sol nascer e no dia seguinte após horas e mais horas de cavalgada, finalmente chegamos à cidade. Mas eu sabia que estava sendo fácil demais escapar do meu pesadelo.
Levi já vinha com o seu cavalo marrom atrás de mim assim que cheguei na cidade e me viu logo de cara. Ele estava vindo diretamente em minha direção, determinado em seu ato.
— É bem o que dizem, loiras são bem burras mesmo — ele disse, me fuzilando com os olhos, chegando mais e mais perto.
— Pelo menos não sigo as ordens de um escroto — falei ríspida, me virando para ir embora.
Ele fez o seu cavalo caminhar e parar a minha frente, bloqueando a passagem. Me fuzilou com os olhos e chegou com o corpo perto demais do meu.
— Não dê as costas para mim, sua loira vagabunda — ele disse gritando e pegando no meu pulso com força — você vai se arrepender de ter nascido, farei questão disso — seus olhos eram ameaçadores e via-se isso.