Capítulo 2

1433 Words
Allana Matt e eu começamos a nos aproximar na primeira atividade de trabalho em grupo e não paramos mais de nos falar. Quando dei por mim já éramos melhores amigos apesar do aviso do meu próprio subconsciente que isso não ia dar certo, diabos até do aviso de algumas amigas. Eu não tinha tantas amigas, mas boa parte delas achava que acabaríamos num dia de porre na cama um do outro e isso estragaria tudo, e dentre elas estava Érica, que tinha esse mesmo pensamento, afinal ela viveu algo parecido. Apenas duas de minhas amigas estavam convictas que eu e Matt fomos feitos um para o outro e que nos casaríamos e teríamos filhos e claro, eu só poderia rir disso. Mas acontece que os anos se passaram, quatro anos para ser mais exata e nós continuávamos firmes com nossa amizade. Mas foi nesse último ano que as coisas começaram a se aprofundar de verdade. Devido as altas taxas de aluguel em Vancouver onde estávamos atualmente, nós só conseguiríamos alugar um apartamento se dividíssemos os gastos e como o Ethan já estava dividindo um apartamento, eu acabei dividindo um espaço quadrado com o Matt, mas não era complicado nós dois debaixo do mesmo teto. O apartamento tinha dois quartos e cada um tinha o seu espaço e sem falar que estabelecemos algumas regras, eu estabeleci na verdade e isso tem dado certo. Matt e eu havíamos nos formado a alguns meses em publicidade e o Ethan em engenharia. O Ethan já estava fazendo a sua pós-graduação e nesse meio tempo também tinha arrumado um ótimo trabalho numa empresa conceituada do seu ramo e por conta disso temos nos visto bem menos. E isso tem sido complicado, embora eu sempre tente ser paciente, não posso negar que sinta falta do meu namorado. Mas tenho feito de tudo para entender e apoiá-lo, já que também estou buscando crescer na minha área. Estou trabalhando como coordenadora de mídia na York, uma empresa de publicidade que era uma das melhores nas proximidades de onde eu morava e estava satisfeita porque eu fazia o que gostava. Ethan já tinha um trabalho e o mesmo pagava bem. Ele trabalhava como assistente numa empresa de engenharia como coordenador de projetos e estava contente com seu trabalho por enquanto, mas tinha grandes expectativas de crescer mais até em no máximo dois anos. Hoje era sábado, acabei de acordar e olhei o relógio ao lado da cama, eram nove horas, maldito costume de acordar cedo que não me deixa passar das nove nos fins de semana. Me espreguicei e empurrei as cobertas para o lado, fui direto para o banheiro, eu estava com um top curto e um calcinha branca. Eu só dormia assim, odiava dormir cheia de roupas, mas é claro que eu não andava pelo apartamento dessa forma. Aliás essa era uma de nossas regras, nada de se andar nu ou quase nu, imagino que isso evite problemas. Após o banho coloquei um short jeans velho e uma blusa de alças e fui para a cozinha. Pequei uma frigideira e fiz ovos, bacon e peguei um pouco de suco na geladeira e sentei para tomar o meu café. Enquanto fazia isso me distraí no celular e comecei a responder algumas mensagens. —Tem mais disso aí que você está comendo? Levantei os olhos e dei de cara com uma mulher morena encostada na parede da cozinha. Pronto, hoje começou cedo, mais uma das peguetes do Matt. Juro por Deus se tinha alguém que sabia como ser solteiro era o meu melhor amigo. Acho que ele estava numa missão de seduzir todas as mulheres vizinhas de porta, do trabalho, ex colegas de classe, vizinhas de bairro e bairros vizinhos. Ela levanta a sobrancelha para mim como se repetisse a pergunta e eu apenas dou de ombros e tomo um gole do meu suco. — Infelizmente não, mas você pode encontrar suco na geladeira. — Digo e ela vai em frente e abre a geladeira e estuda o que tem dentro e eu estudo ela. Ela estava vestindo uma camisa que dizia SE ATRÁS É BOM NA FRENTE É MELHOR AINDA. Arregalei os olhos e dei um riso que tive que disfarçar com uma tossida. Meu Deus, aonde o Matt achou essa criatura? Ela pega leite e meu cereal preferido, reviro os olhos, mas não falei nada. Voltei ao meu café e já que ela não se apresentou também não fiz. Eu tinha certeza que dificilmente a veria de novo, Matt dificilmente repetia. —Você por acaso é irmã do Matt, prima ou algo do tipo?— perguntou ela enchendo a boca do meu cereal. Agh! — Não, não somos parentes.— Ela seguiu me olhando e como eu não fiz esforço para responder à pergunta que estava na cara dela. Ela suspirou e continuou. —Então você é o que… Namorada do colega de quarto do Matt? Dei um sorriso amarelo para ela e disse: —Não, na verdade eu sou o colega de quarto do Matt. Observei as engrenagens rodando na cabeça dela e quando ela entendeu percebi ela finalmente me avaliando. Ela realmente me olhou de cima a baixo como quem avalia uma concorrente. Não consegui decidir se ela gostou ou não do viu. Provavelmente não gostou, já que sua boca estava em forma de uma linha fina. Ah era só o que me faltava, uma peguete ciumenta. Nesse momento Matt entra na cozinha vestindo uma bermuda de moletom e estava sem camisa. Ele estava literalmente infringindo uma de nossas regras, mas olhando para a cara da garota era nítido que ela não se importava nem um pouco já que estava babando olhando para a barriga do Matt. — Allana, Helen, Helen, Allana… Matt nos apresentou aleatoriamente e seguiu rumo a cafeteira e começou a colocar pó para fazer seu café. Levanto o rosto do celular e noto que a garota ainda me olha insatisfeita. Ah pelo amor de Deus! Não é minha culpa se o Matt não diz que divide o apartamento com uma mulher, garota. Na verdade ele passou a não dar mais essa informação quando notou que parecia espantar pelo menos metade das garotas. Foi então que nesse momento ela se direcionou até ele e o abraça por trás certamente marcando território. Ai ai, tolinha essa. Matt odeia as garotas se pondo melosas logo de cara, sobretudo querendo demarcar um relacionamento inexistente. — Gatinho que tal se a gente der uma saída agora e passarmos o dia juntos?—Ela diz manhosa. Isso vai ser divertido, já estou rindo mentalmente. Essa vai sair mais rápido do que entrou. Me reclinei mais na cadeira para assistir ao show. Matt faz uma cara de sinto muito e diz: — Eu gostaria muito Helen, mas sabe o que é, eu já tinha planejado ir com a Allana no centro. Ela precisa comprar uma... precisava comprar uma… Ele coça a cabeça e franze a testa. — Uma cama maior. — O ajudei achando tudo muito engraçado. — Sim claro, uma cama maior. — Diz balançando a cabeça muito rapidamente e parando de repente com uma pergunta nos olhos como quem diz: uma cama maior? Que raios de desculpa é essa? Eu quase deixo escapar o riso, mas mordo os lábios e tento disfarçar. — Ela não pode ir fazer isso sozinha? — Ela pergunta para ele me encarando irritada. Haha é isso aí querida, aceita que dói menos. — Desculpa Helen, eu já tinha prometido e odeio quebrar promessas. Além do mais a Allana precisa muito dessa cama, coitada. Essa pobre órfã tem pesadelos terríveis e cai de cara no chão por conta disso. O olhar da garota mudou para quase pena, e eu fixei um olhar assassino no Matt. Mas era difícil me manter séria com todo esse teatro. Ele foi acompanhando ela até a porta e eu fui logo atrás sabendo que essa seria a última vez que a veria nessa cozinha. É Helen, pobre tontinha, ela segue e nós acenamos para ela. Quando estou prestes a parar ela vira de repente e Matt sussurra: —Continue acenando Allana. — Eu continuo balançando a mão e comprimindo os lábios para não rir e estragar os planos dele. —Me liga? — Ela diz se distanciando. —Claro! — Ele responde. —Você tem o número dela? — Pergunto para ele. —Claro que não. — Eu começo a rir e ele ri junto. Deus, esse meu melhor amigo é mesmo um canalha da pior espécie. Ele fecha a porta e segura na minha cintura me puxando para dentro.
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