Seu corpo pega fogo como se quisesse se libertar, seus olhos se mantêm, fechado, pois não os aguenta abrir, entre tudo que já passou, entre todas as dores que sentiu essa é a pior de todas. Presa novamente em um de seus pesadelos e dessa vez não conseguindo se mover, não podendo correr ou gritar por ajuda. Dessa vez, ela sente que ele não é o único a observá-la e consegue apenas ouvir os sons ao seu redor e as vozes que a cercam.
— As rosas negras se abriram — uma voz diz animadamente e preocupado em simultâneo.
— Prestem atenção, mesmo realizando esse ritual, ainda não temos força suficiente para vê-la, a maldição está muito forte. Dessa vez nossa missão não é acha-la e sim ajudar ela a passar pelo período de cio.
Um som estridente sai por seus lábios, fazendo que todos voltem sua atenção a ela. Héktor teve que se esforçar e treinar incansavelmente para conseguir criar todo um espaço na mente dela, onde deu entrada para ele e seus guerreiros. Um vazio, todo escuro, onde ela é apenas uma forma feminina e onde eles são vozes. Sua cabeça dói tanto, que parece que explodirá e de repente é como se uma grossa camada estivesse envolta sobre seu corpo, pesando, levando toda sua essência embora. A marca de nascença começa a brilhar, como se penetrasse cada vez mais sua pele.
— Que m***a! Héktor, a maldição está tomando o corpo dela.
Então o ar falta em seus pulmões, já que a camada que surgiu a sufoca cada vez mais. Celeste, toca Cairo e os dois conseguem fazer com que Héktor deixe de ser uma voz e vire uma forma masculina, ele vai em direção a Mayla e toca seu corpo, ao encostar na camada que se formou é jogado para longe. Ele se levanta com agilidade empunhando sua espada a Deusa dos mortos, cortando uma pequena parte da camada, Esrom descendente de Maximus coloca uma p******o envolta de Héktor, mas é como se aquele feitiço repelisse seu poder. O príncipe não desiste e começa puxar as camadas com suas próprias mãos, quando chega perto do corpo da jovem, toca seu ventre e o pressiona, sentindo sua mão queimar, como se o próprio sol estivesse sobre sua pele, mesmo assim ele aguenta a dor e começa a puxar a camada com força, até que sente a pele macia de Malala.
É como se o corpo dela reagisse ao toque dele e ele faz como as bruxas o ensinaram um feitiço com sangue que deixaria ela livre para entrar no período de cio e se adaptar a menstruação humana, m*l sabia Mayla que Héktor salvava sua vida e se ele tiver a oportunidade a salvaria pela eternidade.
Desenhou os símbolos utilizando seu sangue sobre a barriga dela, que começou a inchar e se movimentar, a barriga dela ficou tão grande que quando os símbolos se tocaram, uma luz muito forte o atingiu, jogando-o para longe e desfazendo o ritual.
Jayden se desesperou ao ver Héktor caído no chão e foi até o príncipe, tocando seu ombro. A cabeça de Héktor girou e sua mão latejou, quando olhou para sua mão percebeu que sua vista estava embaçada e que não conseguia focar em nenhum ponto, a mão totalmente queimada assustou aos guerreiros. Joenny utilizou de uma magia tão forte e tão perigosa.
Enquanto os guerreiros falavam com o príncipe sua mente estava longe, ele está perdendo sua visão e isso o atingiu de uma maneira tão preocupante.
— Héktore — Malthus o ajudou a se levantar — Você precisa descansar e se alimentar
— Preciso apenas ficar sozinho — diz ele mentalmente e deixa todos sem olhar para trás, começa a subir as escadas e de repente sente o cheiro de Malala, tão convidativo a ele.
A ansiedade toma conta de seu ser, ele volta, mas acaba escorregando nos degraus. Enoque se coloca ao seu lado, esperando qualquer passo dele.
— Deu certo — sua voz sai suave — Precisamos ir para o mundo dos humanos, eu sinto…
Seu corpo pesou e ele caiu sobre os degraus, enquanto Mayla acordava assustada no meio da noite, sentindo certa umidade no meio das pernas passou a mão e quando olhou sua mão com manchinhas de sangue, seus olhos se encheram de lágrimas e ela soube que sua menarca chegou.
Se levantou indo até o quarto de sua mãe e batendo na porta.
— Filha, aconteceu algo? — Liliana a olhou preocupada
— Preciso de mostrar uma coisa.
Mayla levou sua mãe até seu quarto e mostrou os lençóis manchados de sangue.
— Finalmente aconteceu — a garota sorriu para sua mãe.
— Minha filha, os médicos tinham razão. Aconteceu no tempo que deveria, como eles dizem cada pessoa tem organismo. Essa noite você teve algum pesadelo?
— Não.
— Que ótimo, isso significa que as coisas tendem a melhorar.
— Eu também acho.
— Toma um banho, trocarei sua roupa de cama e colocarei as roupas que está usando na máquina de lavar.
Mayla apenas concordou e adentrou o banheiro, se despiu e deixou a água quente cair sobre seu corpo. Enquanto lembranças de seus sonhos vinham em sua mente, lembrando-se que sentiu uma dor tão forte, até não se lembrar de mais nada, perguntas se formavam por qual motivo tem esses sonhos? Até quando eles irão acontecer?
****
Quando o primeiro dia de aula chegou após as férias de verão, Mayla se sentia exausta. Depois do último acontecido não conseguiu pregar o olho um minuto sequer.
Ao seu olhar no espelho viu suas olheiras bem marcadas, tomou um banho para ver se melhorava sua aparência de cansada, mas nem isso resolveu.
Ela nem quis tomar café, assim que terminou de se arrumar pegou seu carro indo direto para a escola. Usando calças, jeans, uma blusa fina de manga cumprida e o cabelo preso em um r**o de cavalo.
A claridade parecia ferir seus olhos, seu corpo totalmente dolorido e sua mente exausta. Adentrou a sala de aula e se sentou na primeira carteira que viu, pouco a pouco os alunos foram chegando e se sentando. As vozes se misturavam, todos querendo falar sobre suas férias e cada vez ela se sentia mais incomodada. Logo o sinal bateu e a professora de literatura entrou desejando um bom dia todos. A professora Ana Carla olhou para Mayla preocupada.
— Mayla, está tudo bem?
— Está sim, só tive um pouco de insônia essa noite.
— Se começar se sentir m*l pode me dizer, ok?
— Pode deixar, obrigada.
— Turma, iniciaremos a aula conversando sobre as férias. Como passaram? Leram algum livro?
Brendon levantou a mão, o rapaz é totalmente fascinado por livros e é claro que a professora já esperava que ele seria o primeiro a levantar a mão.
— Nessas férias li o Drácula de Bram Stoker, quem me conhece sabe que sou fascinado por criaturas noturnas. Os vampiros são meus favoritos, existem tantas lendas, tantas versões. Cada autor os relata de uma forma, cria mundos e diversas histórias para eles, mas o que todos tem em comum é imensa vontade de se alimentar. Não importa qual seja o desenrolar da trama, eles podem até evitar, mas nunca negar sua natureza, sua sede por sangue.
Sangue, essa simples palavra fez Mayla sentir uma enorme dor em seus dentes e ela levou sua mão até seus caninos, os sentindo mais longos ou será apenas sua imaginação?
— Resumindo, acredito que vampiros podem estar vivendo entre nós. Existem muitos livros e séries que mostram isso, não sei como e nem quantos. E nem sei qual tipo ou espécie, mas acredito na existência deles.
Um debate se iniciou após essas falas de Brendon, mas Mayla começou a ficar distante e uma forte cólica começou a tomar conta do seu corpo. Ela fechou seus olhos e se encostou sobre seu braço e então em sua mente soou a voz dele, a chamando “Malala”. Tão suave como se ele estivesse fraco e precisasse urgentemente dela.
— Mayla — ela escutou a chamarem, mas estava tão cansada que seus olhos pesavam. A pessoa insistiu sacudindo seu corpo, gradualmente ela conseguiu abrir os olhos e viu a professora a observando preocupada.
— O que foi professora?
— Tem certeza que está bem? O sinal já bateu e faz uns cinco minutos que você está nessa posição desde então.
— Nossa, me desculpa. Realmente estou bem, preciso apenas descansar um pouco.
— Sabe que se precisar de algo pode falar comigo, não é? Você é uma aluna sempre tão participativa, então se tiver algo te incomodando fale comigo.
— Obrigada professora — Mayla, se levantou pegando sua bolsa e saiu da sala com o olhar preocupado da professora sobre si.
Ao chegar no corredor viu Dom, Mathew, Sabrina, Bella todos conversando em frente ao armário dela, foi indo na direção deles, quando começou notar que Kara estava indo na mesma direção que ela e que todos estavam parando para olhá-la.
Quando ela saiu de casa a prima não estava, nem sabia dizer se ela chegou voltar da casa de Dom. O que a deixou mais surpresa foi a aparência da prima, os cabelos, cor de cobre caiam sobre os ombros quase todo liso e apenas as pontas cacheadas, trocou os óculos de grau por lentes de contato, os olhos verdes estão delineados e nos lábios carrega um batom rosa. Ela deu adeus as camisetas de anime e está usando uma regata preta com calças, jeans rasgadas e botas.
Quando se aproximaram do pessoal, Kara olhou dos pés a cabeça de Mayla e deu um leve sorriso, quase todos olhavam para Kara espantados. Menos Mayla e Mathew.
— Gente, o dia hoje está muito louco. A May toda acabada e a Kara esse espetáculo todo — disse Sabrina sem se preocupar em ferir os sentimentos da amiga. Então todos começaram a elogiar Kara.
Mathew não disse uma palavra sequer, apenas foi para o lado de Mayla e passou o braço ao seu redor, afastando-a dos amigos. Dominique havia o ligado durante a madrugada para contar que ele e Kara tinham se beijado, obviamente o rapaz ficou arrasado, mas o que ele poderia fazer? Investiu na moça de todos os jeitos que pode e parecia não ser o bastante, ele sabia que toda essa mudança de visual era para tentar agradar Dom.
— Você sabe que a Sabrina não quis dizer isso.
— Mathew, eu e você sabemos que foi exatamente o que ela quis dizer. Ela está certa, eu não sou assim.
— Você sabe se algo estiver acontecendo pode me falar né?
— Sei — Mayla vai até o amigo e o abraça com força.
— E eu não ganho abraço?
Assim que a jovem se separou do amigo, viu que Dom os olhava com um sorriso no rosto.
— Obvio que ganha Dominique — foi até ele o abraçando e sentindo ele cheirar o pescoço dela, a fazendo rir — Você não perde essa mania estranha.
— É porque você minha cara, tem cheiro de casa, tem cheiro de lar.
Os olhos dos dois se encontraram e Dom examinou cada parte de seu rosto como se quisesse o gravar para sempre em sua memória. Já faz um bom tempo que ambos nutrem sentimentos um pelo outro, mas ficarem juntos significa machucar uma pessoa que ambos gostam muito e os dois sabem disso. E o que mais pensam é ficar junto realmente vale a pena? E se machucarem a si mesmo? E se não existir volta para a amizade? E se o amor deles machucar a si mesmo e os outros mais que curar?
Ele passou as mãos no rosto dela e aproximou os lábios de seu ouvido “Você é linda”.
— Dom — ele se separou de Mayla e viu Kara os observando irritada — Você vem ou não?
— Vou, May foi bom te ver sentir saudades.
E ele a deu as costas indo em direção a Kara, no fundo Mayla sabia o motivo daquela mudança repentina da prima, que ela queria Dom. Não é apenas perder Kara se ela entrar nesse jogo, é sobre ela estar pronta para mostrar quem ela realmente é e isso ela não sabe se consegue fazer.
Foi até Mathew depositando um beijo em sua bochecha. As próximas aulas se seguiram normais e ela se sentia um pouco melhor.
****
Quando o horário de almoço chegou, ela pegou se lanche e ia se sentar com seus amigos e percebeu que Kara era o centro das atenções, deixou que aquele momento fosse da prima e se virou. Acabou esbarrando em uma pessoa.
— Nossa, me desculpa — ela olhou para a pessoa, a sua frente e ficou muito surpresa — Camila?
Camila a olhou e após alguns segundos a reconheceu, às duas eram melhores amigas de infância, mas quando ela completou 14 anos teve que se mudar com sua família. E com o tempo perdeu o contato com Mayla.
— May? Não consigo acreditar — Camila puxou a mão de Mayla e a abraçou forte — Mulher, como senti sua falta e, aliás, você está linda.
Um sorriso se formou nos lábios de Mayla, a amiga não mudou nada continua falante e empolgada. Camila puxou Mayla até uma mesa próxima e a olhou empolgada.
— Cami, você não mudou nada.
— Como assim? A última vez que nos vimos, tínhamos 12 anos, com certeza mudei. Estou muito mais gata.
May caiu na gargalhada com a forma de falar da amiga, mas ela realmente estava mais bonita a pele n***a como chocolate parecia reluzir e o cabelo black combinava perfeitamente com seu rosto. Mesmo com os anos que as separaram a amizade parecia a mesma, a compreensão e o carinho entre elas.
— Você tem razão, está um espetáculo.
— Ganhar um elogio de Mayla Cooper é incrivelmente gratificante — Cami disse com ironia.
— Tá bem! Diz tudo que ouviu sobre mim.
— Cheguei hoje, mas as pessoas falam muito sobre você. E quando ouvi falarem Mayla Cooper obvio que pensei essa garota que todos admiram com certeza é a minha melhor amiga de infância, a garota que está trazendo o r**o de cavalo de volta a moda.
Mayla passou as mãos no cabelo e soltou uma risada alta, ultimamente todas as suas amizades estavam relacionadas a ser popular e era tão difícil ser perfeita o tempo todo, que ele se esqueceu que as coisas poderiam ser simples.
— Você me conhece tudo que faço é para virar tendência — ironizou May com um sorriso.
— E pelo jeito está conseguindo. Falando sério, eu ia te procurar na sua casa após a aula, pensei que não ia conseguir te reconhecer, sabe que sou péssima de memória. Contudo, aí do nada você esbarra em mim e sinceramente foi o melhor esbarrão que poderia ter acontecido.
— Eu também acho, estou muito feliz que esteja aqui. Agora me diz qual o motivo da volta?
Camila fechou o sorriso e olhou séria para Mayla, tentando segurar as lágrimas.
— Meu pai morreu, ele sofreu um acidente de carro e não resistiu. Então minha mãe acreditou que seria melhor voltarmos para casa.
— Cami…
— Não May, sem dó ou outro qualquer sentimento, só preciso… Só preciso.
Mayla se levantou e foi até a amiga a abraçando com força, pois sabia que o que ela precisa era de um abraço com o conforto de lar e um carinho que dissesse estou aqui e sempre estarei. Sem palavras, apenas gestos.
— Obrigada — Cami sussurrou — Chega desse assunto, estou de volta e é o que importa. Onde está o Mathew e o Dom?
— Olha para trás.
E então Camila viu Dom e Kara lado a lado, ela com a cabeça encostada no ombro dele, Mathew sentado ao lado deles sorrindo por educação, enquanto os outros amigos contavam algo que parecia ser uma história engraçada.
— Não me diz que aqueles cheios de i********e são Dominique e Kara? — Camila e Kara nunca se deram muito bem — Eles estão namorando?
— São eles e pelo, o que sei não estão.
— Sinceramente? Julguei que você e o Dom ia acabar sendo um casal. Sempre achei, penso que todos que conhecem vocês pensam assim.
— É complicado.
— Por quê? Não me diz que deixará a Kara ficar com ele.
— Eu e o Dom estávamos nos envolvendo, a um tempo atrás. Ele disse que não estava pronto e que não queria me machucar, mas ele ficou com uma atrás da outra.
— E ele te magoou, que b****a.
— Ele está confuso desde que a mãe dele morreu.
— Eu não estou acreditando a tia Karine morreu?
— Foi uma época muito difícil. E ainda é, por isso se ele resolver ficar com a Kara desejo apenas felicidades. Se ele quiser ficar comigo, terá que se posicionar de verdade, eu o amo e não n**o, mas estou passando por coisas tão difíceis que nesse momento não consigo me envolver nessa bagunça que ele está criando, não se for para ele brincar comigo. Ele terá que escolher Camila, porque sei o que quero e se ele disser que segura minha mão irei contra tudo e a todos por ele.
— Mayla, talvez não consiga ver isso agora, mas acredito que em algum lugar desse mundo, ou melhor, desse planeta exista alguém que realmente vá te dar valor, verá essa pessoa maravilhosa que é, esse coração gigante que carrega e vai te valorizar tanto que vai se sentir poderosa e única. Eu não penso que o Dom seja esse, cara, eu sei que voltei agora, sei que perdemos contato, contudo somos aqueles tipos de amiga que não importa o tempo que passe sempre teremos uma conexão única.
— Eu não te culpo por pensar assim e sempre te dei total liberdade para opinar, mas penso que ainda temos chance.
— Se você acha minha amiga tem todo meu apoio. Agora quero saber que problemas são esses?
Antes que Mayla pudesse se pronunciar o sinal tocou, fazendo ela soltar o ar que nem percebia segurar.
— Tenho que ir para a aula, depois conversamos tá?
— May
— Estou falado sério, boa aula Cami.
Mayla dá, as costas para a amiga e vai para sua próxima aula.
****
Quando as aulas do dia chegam ao fim, Mayla vai direto para o treino da torcida e assim que ela olha para a arquibancada vê Camila que da um breve aceno.
Ela deveria saber que a amiga não desistirá.
Os garotos treinavam no campo e as garotas da torcida ensaiavam a nova coreografia. Mayla se sentia bem ao dançar principalmente quando ficava no topo da pirâmide, quando treino chegou ao fim Cami veio ao seu encontro.
— Que tal irmos lá para casa?
— Hoje não Cami.
Antes que a moça pudesse debater, Dom e Mathew se aproximaram.
— Não me diz que estou vendo Camila Jones — Mathew abriu um sorriso e abraçou a moça.
— Meu ruivinho favorito.
Assim que eles se separam ela encara Dom.
— Como vai Dominique?
— Estou bem, o que as moças falavam antes da gente chegar?
— Estava convidada a Mayla para ir na minha casa para vermos filmes e comer umas besteiras, hoje mamãe está de plantão. Vocês topam?
Os rapazes se olharam chegando a um senso comum.
— Vamos — Dom e Mathew fizeram um toque — E você May?
— Eu…
Camila a cortou antes que terminasse.
— Ela estará lá.
— A gente se vê então — se despediram com a promessa de se verem mais tarde.
Camila puxou Mayla pelo braço a levanto para o vestiário feminino que essa altura já se encontrava vazio.
— May, o que está acontecendo?
— Cami…
— Mayla – Camila olhou para ela com reprovação.
— Eu não sei como contar isso e nem o que você vai achar.
— Apenas tente.
— Apenas você, meus pais e Quinn Wilson sabem disso que direi. Além dos vários psicólogos e médicos que visitei, desde meus 15 anos tenho tido pesadelos assustadores que me fazem muito m*l, me fazem ter muita dor e cada vez me sinto mais abatida. O mesmo homem domina os meus os sonhos e eu não sei o motivo, por isso não gosto de sair de casa.
Mayla pega o caderno de desenho e o estende a Camila que o examina calmamente. Cada detalhe dono dos piores pesadelos que sua amiga já teve.
— Eu nem sei o que dizer, deve ter sido uma barra muito pesada. Quero que saiba que estou aqui para te apoiar, começando por essa noite na minha casa, quero muito que vá. Prometo que não dormiremos, a gente vira a noite vendo filme e eu sei que as aulas voltaram e eu pareço uma irresponsável, mas precisamos desse momento de diversão. Tem sido difícil sem o meu pai, não é a única com pesadelos.
— Estarei lá — May sentiu a dor na fala de sua amiga e sabia que ela jamais a deixaria desamparada.
As amigas se separaram, mas contavam as horas para estarem juntas novamente. Precisavam desse divertimento Mayla era aterrorizada por um homem que não conhecia e Camila pela perda de um homem que se fazia presente diariamente em sua vida.
****
Ao chegar em sua casa Mayla foi direto para o quarto e começou arrumar suas coisas, mas sentiu estar sendo observada, quando se virou Kara a observava.
— Que susto — May colocou a mão sobre o peito
— Vai para onde?
— Dormirei na casa de uma amiga.
— Mas você não costuma dormir fora.
— Estou abrindo uma exceção, já que é pela Camila.
— Camila? Então é verdade que ela está de volta?
— É verdade.
— Só não fico chateada por me excluírem, pois tenho uma ótima notícia. Meu pai passou nossa antiga casa para o nome de mamãe e estamos voltando para lá, só quero te agradecer pela paciência e por ter nos recebidos bem.
— Imagina, família é para isso.
O que Kara não imaginava foi que seu tio teve que ir atrás de seu pai e ameaça-lo para dar pelo menos a casa para sua irmã, já que o homem estava mesmo convencido a deixar às duas sem nada.
As primas desceram lado a lado e se despediram com um abraço, Mayla adentrou seu carro agradecendo mentalmente pela situação ter se resolvido rápido e ela sabia que com certeza seu pai tinha algo com essa situação, ele jamais deixaria que ela se sentisse pouco à vontade em sua própria casa.
Antes de ligar o carro, alguém bateu em seu vidro, ela abaixou vendo seu pai parado a olhando com um olhar confuso.
— Deixei um bilhete dizendo que dormirei na casa da Camila.
— Dormir?
— Pai…
— Divirta-se — John a cortou e depositou um beijo em sua testa se afastando. Diferente de Liliana que tinha sempre medo do que poderia acontecer com a filha, o pai queria mais que ela enfrentasse seus medos para não acabar se perdendo neles.
E então ela foi, olhando pelo retrovisor via seu pai sorrindo orgulhoso.