Capítulo 45 — A Porta do Inferno Narração: Carlo Eu passei quinze anos naquele lugar. Quinze anos ouvindo grades fecharem. Quinze anos vendo homem mentir olhando nos olhos dos outros. Quinze anos assistindo gente boa virar monstro e monstro fingir que era gente boa. Por isso eu aprendi uma coisa muito cedo. Quando alguém está com medo de verdade, você percebe. Não importa o quanto tente esconder. Não importa o quanto sorria. Não importa quantas vezes diga que está tudo bem. O medo aparece. Nos olhos. Nas mãos. Na voz. E quando Eduarda terminou de me contar o que estava acontecendo, eu não vi apenas medo. Vi exaustão. Daquelas que não vêm de uma noite m*l dormida. Vêm de semanas. Meses. De alguém que está cansado de lutar sozinho. Ela ficou em silêncio depois de termina

