Sarah percebeu no terceiro dia. Não foi imediato. Nos primeiros momentos, ela achou que ainda estava funcionando. Que o controle que vinha impondo à própria rotina estava sendo suficiente para manter a distância necessária. Evitava horários, evitava espaços, evitava encontros. Mas então… algo mudou. E não foi nela. Foi nele. Naquela manhã, ela desceu mais cedo do que o habitual, como vinha fazendo, esperando encontrar a cozinha vazia. O plano era simples: passar pelo café rápido, sair antes que qualquer interação acontecesse e manter o dia sob controle. Funcionou. Por alguns minutos. Até ouvir a porta abrir. Gabriel entrou. Ela percebeu antes de olhar. O corpo reagiu no mesmo instante — um leve enrijecimento, uma atenção involuntária que já não dependia de escolha. Mas, dessa

