DIANA TAVARES
— Diana.
— Sim, meu amor. — Mantenho meu olhar no céu. Liam e eu estamos deitados no jardim da mansão dos Coopers e hoje o céu está lindo, com as estrelas brilhando mais que o normal; a noite está perfeita.
— Eu estava pensando aqui em uma coisa. — Levanto meu rosto para encará-lo, pois estou com a cabeça deitada em seu peito.
— Pensando em quê?
— No tempo em que estamos juntos.
— E o que tem?
— Faz quase quatro meses que estamos namorando oficialmente, correto? — pergunta ainda sem me olhar.
— Sim, mas por que está dizendo isso? — Ele sorri, me deixando confusa.
— Porque eu sinto como se você fosse minha. Sabe..., minha mulher.
— Mas eu sou.
— Não, amor, estou dizendo no sentido de marido e mulher. Sinto que já somos casados, pois moramos juntos e sempre unidos, fora também que cada dia que passa eu amo mais ainda você — fala, agora me olhando.
— Eu também, meu amor, te amo muito e cada dia que passa te amo mais. Eu também sinto como se já fossemos casados. — Liam beija minha testa e eu aperto mais meu braço em volta de sua cintura.
— Que tal sermos de verdade? — Me levanto rapidamente, ficando sentada.
— Como assim, Liam?
Liam se levanta e estende a mão para mim, eu aceito e ele me ajuda a levantar. Me assusto quando ele se ajoelha bem na minha frente, coloca a mão no bolso de trás da sua calça e tira uma caixa de veludo vermelho do bolso; arregalo meus olhos, não acreditando.
— Eu estava há dias procurando uma forma de fazer esse pedido, e como nunca encontrava, deixei para te pedir quando estivéssemos sozinhos em um lugar bonito. A noite está linda e as estrelas brilham mais ainda, finalmente achei o momento perfeito. — Ele abre a caixa, revelando um lindo anel com o aro prata; não é extravagante, a única coisa que o deixa mais delicado é o pequeno diamante. É simples e eu achei perfeito.
— Diana, eu sinto que nenhuma mulher é capaz de me fazer o homem mais feliz do mundo como você faz. Com você quero construir minha família e viver ao seu lado para o resto da minha vida, pois você é a única mulher que amo nesse mundo e sempre vou amar.
— Oh, meu Liam... — Não consigo nem falar direito, a emoção e a felicidade me tomam, me fazendo chorar de alegria.
— Casa comigo?
****
Toda vez que lembro da noite em que Liam me pediu em casamento, a saudade e as lágrimas se formam em meus olhos, só Deus sabe a saudade que estou; não só dele, mas de todos os Coopers.
Por que eu nunca tive uma família normal? Por que meu pai tinha de ser esse monstro? Por que meu pai tinha de ter matado a minha mãe? Por que ele me odeia tanto? São tantas perguntas e nenhuma resposta.
— Diana? — Olho para a porta e vejo Jonathan me encarando.
— Sim, Johnny?
— Você está bem? Parece meio... Distante. — Aproximou-se e puxou uma cadeira para sentar ao meu lado. Estou no meu quarto, sentada em uma cadeira e olhando o pôr do sol de Mônaco, que é lindo.
— Estava pensando.
— E em que exatamente, se me permite saber?
— Na minha vida, em tudo que já vivi e vou viver. — Fixo meu olhar no pôr do sol.
— Por que eu sinto que não é só isso?
— E o que você acha que é? — Olho para ele.
— Tem alguma coisa a ver com o seu ex, não tem?
— Sim. — Automaticamente levo minhas mãos ao meu ventre.
— Deveria esquecê-lo. Você disse que ele te magoou muito, te deixando, e ainda por cima grávida.
— Não é fácil esquecer alguém que amamos.
— Tirou as palavras da minha boca. — Sorriu meio sem graça.
Ele é tão... Gentil e amável, como pode estar do lado de Erick? — Penso.
— Seu pai é uma pessoa boa com você como demonstra? — Fico surpresa pela pergunta.
— Bom... Sim. — Me trata feito um objeto.
— Tem certeza?
— Por que está me perguntando isso?
— Não sei... Eu só não vou muito com a cara do seu pai... Me desculpe, mas é verdade. — Deu de ombros.
— Como assim?
— Eu não confio muito no seu pai.
— Por que tem negócios com ele então?
— Por causa do meu pai. Ele sempre viu Erick como um grande amigo e me falou que, quando morresse e eu assumisse o trono, era para eu continuar com os negócios que ele tinha com Erick. — Será que o pai de Jonathan fazia parte dos esquemas ilegais de Erick?
— E que tipo de negócios são esses? — Jonathan deu de ombros novamente e respondeu.
— Exportações e instituições de todos os tipos.
Duvido muito disso.
— E você acompanha isso tudo de perto?
— Raramente. Quem cuida disso para mim é meu primo. A pressão de ser rei dificulta tudo. — Eu já desconfiava; Jonathan não sabe de nada e está compactuando com uma máfia sem saber. Tenho quase certeza de que seu pai sabia disso e que seu primo também sabe.
— Já que você não confia no meu pai, por que não acaba com esses “negócios”? — pergunto fazendo aspas com os dedos.
— Porque meu pai pediu e eu não podia recusar um pedido dele assim.
— Mas você é o rei agora.
— Sim, mas não podia negar um pedido do meu pai.
— Por que não? — Ele passou as mãos no rosto e respirou fundo antes de falar.
— A minha vida toda sempre fiz o que todos queriam. A pressão de ser filho único caiu sobre mim, então sempre fazia de tudo para ser o futuro rei perfeito, o filho perfeito. — Posso ver a tristeza em seu olhar.
— Mas você não precisa fazer isso, Johnny, você é um rei bom, de coração puro e gentil. Merece esse posto de rei melhor do que ninguém. — Pego na sua mão.
— Você que é pura e gentil, seria uma rainha incrível.
— Jonathan.
— Me desculpa, eu sei que me vê só como um amigo e que ama seu ex, mas Diana, por que não me dá uma chance de te fazer feliz?
— Porque não quero te iludir, não quero te machucar. Eu amo outro homem e sinto que nunca vou amar alguém da mesma forma.
— Então seja somente a minha rainha... — Leva minha mão até seus lábios e a beija.
— Eu não vou me casar com você sem te amar, isso não é justo com você.
Ninguém nunca poderá substituir o lugar do meu Liam.
— Por que continua amando alguém que te magoou e te deixou grávida? — Seu tom de voz ficou mais alto. Ele se levanta.
— Já te disse. Porque não é fácil esquecer o primeiro amor de nossas vidas, Johnny. — Me levanto também.
— Eu sei bem como é isso. — Mais uma vez vejo a tristeza em seu olhar.
— Johnny, por favor, eu gosto de você, mas como um amigo. — Como eu queria contar a verdade, mas tenho medo de Erick descobrir e então estarei não só colocando a vida de Jonathan em risco, mas a minha e a do meu filho também.
— Você, de todos aqui, é a pessoa em que mais confio, Diana — confessou.
— Fico feliz por isso.
Eu não posso deixar que meu pai conclua seu plano doentio.
— Pelo menos vamos ao jantar de gala de amanhã à noite?
— Sim, vamos sim. — E pela primeira vez que cheguei aqui, pude sorrir de verdade.
— Todos acham que você é minha futura rainha.
— Eu sei, mas sabemos que não é verdade.
— Quem sabe? — murmurou, indo em direção à porta.
— Johnny? — Ele abriu a porta e antes de sair virou para me olhar.
— Sim.
— Quando foi que você fez algo que realmente quis?
— Quando me apaixonei por você. — E então ele se vira e sai, me deixando em estado de choque no lugar.
Não posso deixar que meu pai faça m*l a ele. Eu terei de contar a verdade, mas antes preciso me certificar de que ele realmente ficará do meu lado.
****
Hoje é a grande noite do jantar de gala que tanto meu pai falou durante esses dias. Nesse jantar terei de fingir ser a noiva de Jonathan como todos pensam que sou, mas ao menos Johnny sabe que é fachada e me respeita, só não sei até quando. Ele não esconde seu interesse por mim, mas o meu maior medo é meu pai descobrir que eu disse a Jonathan que não posso ficar com ele; não, isso nem pensar. Morro de medo só de imaginar o que Erick é capaz de fazer se souber disso, por isso tomei a decisão de contar a Jonathan toda a verdade. Sei que posso estar correndo o risco de meu pai descobrir, mas eu não sei o que fazer, Jonathan se tornou a minha única “salvação”.
Estou em meu quarto, terminando de me arrumar, quando Erick entra sem ao menos perguntar se pode.
— Já está pronta? Seu noivo está feito um o****o te esperando lá em baixo — fala sem paciência.
— Estou quase. Será que dá para esperar? — Mantenho os meus olhos no espelho.
— Olha como fala comigo, menina ingrata. — Ele pega no meu braço e me vira bruscamente.
— Você está me machucando.
— É para machucar mesmo e espero que nada de errado aconteça, pois hoje você vai ser apresentada não só a Mônaco, como futura rainha, mas ao mundo também. — Automaticamente lembro-me de Liam.
— Todos vão saber?
— Além de ingrata é surda.
— Mas o Liam... Ele vai saber disso.
— E daí?
— Ele vai pensar que larguei dele para ficar com um rei. Vai achar que sou uma interesseira.
— Eu não me importo com isso, é até bom. Assim ele se toca e nem tenta te procurar.
— Liam não merece isso, Erick, ele vai pensar coisas erradas sobre mim, ele vai me odiar e sofrer. — Sinto as lágrimas se formarem.
Só agora a ficha caiu: eu vou perder Liam para sempre, ele vai me odiar e nunca mais vai querer saber de mim. Meu Deus! Eu vou perder o homem da minha vida!
Um nó na minha garganta se forma junto com uma enorme vontade de gritar e chorar como jamais havia chorado antes.
— f**a-se, não me importo com você e muito menos com aquele i*****l do seu namoradinho. Por mim já teria matado a todos daquela família, assim como fiz com Caleb. — Olho horrorizada para Erick.
— Você matou o pai do Liam e do Alex?
— Óbvio que sim, foi a melhor noite da minha vida. — Seu sorriso enorme me causa arrepios de medo.
— Você é um monstro, como pode ser meu pai?
— Da mesma forma que me pergunto como uma menina chata e i****a como você pode ser minha filha. — Mesmo sabendo como ele é, as palavras dele me machucam; nunca desejei tanto ter minha mãe comigo para me abraçar e dizer que tudo isso era um pesadelo.
— Até hoje me pergunto. Como minha mãe foi se apaixonar por um homem como você?
— Sua mãe foi uma p**a que só soube me trair.
— Mentira! Minha mãe nunca te traiu, você sabe que ela o amava incondicionalmente e, mesmo assim, só fazia m*l a ela. — Ele riu.
— Sua mãe te contou o lado dela, e é óbvio que ela não ia falar a verdade... de que me traía com vários homens.
Erick sempre teve essa paranoia de achar que minha mãe o traía, tudo isso era da sua cabeça.
— Isso não é verdade e mesmo se fosse você não tinha o direito de matá-la. Eu convivi, eu vi com meus próprios olhos tudo que se passava naquela maldita casa. Presenciei cada xingamento, cada agressão, tanto em minha mãe quanto em mim. Até a morte dela que você provocou! — Cuspo as palavras na sua cara, que continua fria e sem nenhuma emoção.
— Não sei porque está dizendo tudo isso agora.
— Por que tudo isso estava entalado na minha garganta há anos. Você nunca foi e nunca vai ser meu pai, você só é o homem que transou com a minha mãe e colocou seu esperma lá.
— E do esperma veio essa menina imprestável e irritante que, para mim, nunca foi minha filha e nunca será. — Erick acerta um tapa forte no meu rosto, fazendo-me cambalear para trás.
— Você vai arder no inferno! — gritei.
Vejo a raiva em seu olhar.
— Vá se f***r, garota inútil.
Ele se vira para sair do meu quarto, mas paralisa no lugar quando vê Jonathan parado na porta, olhando para ele com uma expressão enfurecida.
— Então eu tinha razão. — Ele diz friamente.
— Jonathan, eu posso explicar, eu...
— Explicar?! Explicar o quê, Erick?! Que você é um assassino?! Que você é um monstro?! Que você odeia a sua filha e ainda a maltrata?! O que mais eu ainda não sei de você?! Como meu pai foi se envolver com um homem sem escrúpulos como você?! — Rapidamente Jonathan vem até mim e me abraça, perguntando se estou bem e eu afirmo que sim.
— Seu pai? Seu pai era um homem bem pior que eu, se fazia de santo para vocês, mas, pelas costas, era um grande colaborador da máfia. — Olho para Jonathan que não demostrou se abalar com essa revelação.
— Não ligo para o que você diz Erick, eu quero você longe do meu castelo, longe de mim e de Diana. A partir de agora não teremos mais nenhum tipo de ligação e você pode ter certeza de que vai apodrecer na cadeia.
Erick solta uma gargalhada bem alta e debochada.
— Você acha que só pelo fato de ser rei de Mônaco pode conseguir me destruir? Como você está enganado! Eu sou um dos mafiosos mais perigosos do mundo e aqui, meu caro Jonathan, quem manda sou eu! — Vejo vários homens entrarem no quarto, todos armados, vestidos de terno e gravata pretos.
— Guardas, prendam esse homem — ordenou Jonathan, mas nenhum dos homens responde ou se mexe, todos têm um sorriso sarcástico no rosto.
— Acho que não entendeu o que eu disse, rei Jonathan. Aqui quem manda sou eu. — Erick não esconde seu sorriso.
— Seu infeliz! — Vociferou Jonathan indo para cima de Erick, mas é impedido, sendo segurado por dois homens.
— Dê uma lição nesse i*****l e leve minha filha para o quarto de Jonathan e a tranque lá. Tenho uma coisa para resolver. — Ele se virou para sair do quarto.
Assusto-me quando vejo os dois homens que seguraram Jonathan o jogarem no chão e logo em seguida, um deles lhe acerta um chute nas costelas e um no rosto.
— Não! Erick, por favor, não faça isso, vai matá-lo. — Tento ir até Erick, mas um homem me impede, me segurando.
— Ele não vai morrer, pelo menos não agora; só vai morrer depois que se casar com você e você tomar posse do trono de Mônaco. — Se aproximou de mim lentamente.
— Erick, não deixe que batam nele, por favor, eu te imploro. — Peço de joelhos no chão.
— Que bonitinho, foi assim mesmo que sua mãe me pediu para não a matar... Você é idêntica a ela. — Sorriu friamente.
Olho para Erick com ódio, raiva, rancor. Eu não acredito que um ser humano pode ser tão frio e r**m assim.
— Você merece arder no inferno! — Na mesma hora, sinto um soco bem forte atingir a lateral do meu rosto, me fazendo ficar meio zonza.
— Não, seu covarde! — Escuto Jonathan gritar. Ele tenta vir até mim, mas é impedido pelos homens.
— Levem-na para o quarto. — Erick ordena, mas sua voz sai baixa e só agora percebo que estou perdendo os sentidos. A única coisa que consigo dizer antes de apagar é um nome:
— Liam.