CAPÍTULO 1

1919 Words
Já havia se passado dois anos do meu casamento. E eu me vejo cada dia mais triste com essa situação que meus pais me colocaram. Até hoje não conheci meu marido. Ele não queria realmente saber de mim, por consequência eu ficava sem saber o que fazer. Neste dois anos, eu já pensei em pegar minhas coisas e ir embora dessa casa. Mas no máximo que consigo fazer é realizar uma viagem de férias, e depois voltar para ouvir Eloisa reclamar pelos cantos da casa. Parecia também que ele não fazia contato com ela, e por isso ela vivia me atormentando e reclamando de tudo aqui. Na primeira viagem que fiz nas férias da faculdade, ela queria ir comigo. Eu fiquei pensando, e acabei aceitando, para o meu total desespero. Ela não me deixou em paz. Vivia em cima de mim, me questionando o que eu estava fazendo da minha vida. Que eu não estava me comportando como uma mulher casada. " Os biquínis são pequenos demais para uma mulher casada". " Você não pode usar um vestido desse tamanho". " Mulheres casadas não podem passar maquiagem". O inferno com isso. Minhas férias foi a pior de todas. E olha que já viajei bastante antes, com amigos e até mesmo com meus pais e achava um saco, mas essa viagem, superou todas as outras. — O que tanto você pensa menina? Nana aparece no meu quarto. Estava sentada no sofá que dar para janela. — Eu vou embora Nana. Eu não aguento isso mais. Ela me olha com seus olhos arregalados. — Não faça isso. Ela diz. — É um cúmulo está casada com um homem que eu nunca vi. Tem dois anos que somos casados e nada dele se dignar a aparecer, pelo menos para dizer, Oi cachorra, sou seu marido. — Eu sinto muito. — Não sinta. A culpa é dos meus pais. Eles não deviam ter feito esse acordo i****a. Suspiro. — O que você pensa em fazer? — Eu vou pedir o divórcio. Olho para ela que tem um olhar de pena. Não dar mais. Eu quero viver um amor, Nana. Eu quero conhecer o amor. Eu nunca enxerguei isso nos meus pais, eu preciso encontrar isso em alguém. Em uma pessoa que me queira, que me ame, que goste de mim. Não um ser que nem sei quem é. Um ser que não compareceu em seu próprio casamento. Mandou um representante para assinar por ele, e olhe que eu nem sabia que isso podia ser feito. — Eu lamento. Sua sogra está lá embaixo reclamando que você só vive trancada no quarto. Não sai para conversar com ela e nem nada. Bufo. — Outra que nem sei por que mora comigo. Ele deixou as duas trouxas aqui para que ele não pudesse lidar com nenhuma de nós. Agora, eu tenho que lidar com ela e fazer de tudo para ela não ficar chateada? Estou fora. Eu vou embora dessa vez. Assim que eu conseguir os papéis do divórcio, eu vou embora viver minha vida. — Eu vou sentir sua falta. Nana diz e eu sorrio. De todos os empregados, ela foi a única que me identifiquei. Ela tem estado comigo nesses dois anos. Tenho um enorme carinho por ela. — Se pudesse eu levaria você. Na verdade, você não quer vir comigo? Indago e ela sorrir amplamente. — Eu adoraria. Mas o Sr Tyler me instruiu para cuidar da mãe dele e de você. Eu não posso sair daqui e deixá-la. — Eu entendo. E espero te ver em um futuro próximo. Me levanto e abraço. — Ainda não é uma despedida, menina. Vamos deixar as despedidas quando tiver que ser. — Ok. Sorrimos as duas e depois ela me deixa com meus pensamentos novamente. Nesses dois anos eu não fiz muito da minha vida. Eu estava fazendo faculdade de Engenharia civil. Papai havia deixado uma empresa de construção civil e eu já tinha dito que tomaria conta dela. Mas fui impedida pelo meu tio. Lágrimas brotam nos meus olhos. Ele me disse que meu lugar é em casa, que eu não tenho poder nenhum para assumir a empresa. Eu não medir forças com ele, porque ele é c***l. Eu sei que se assumisse meu posto na empresa, eu acabaria dando brecha para ele entrar na minha vida de novo, e eu não quero isso. Nunca mais eu quero ter contato com ele. De todos os bens dos meus pais, a empresa é a única que não tomei posse. Mesmo tudo estando no meu nome, eu ainda não tive coragem de bater de frente com meu tio para tirá-lo do poder. Eu tenho medo dele. Tenho medo das lembranças com ele. Tenho receio que ele venha cumprir o seu desejo. A noite eu resolvi descer para jantar. Cheguei a mesa e Eloisa já estava lá. — Pensei que iria me deixar jantar sozinha mais uma vez. Reviro meus olhos. — Eloisa, você tem contato com seu filho? Pedi querendo saber dela se a mesma fala com ele normalmente ou se ela realmente está abandonada nessa casa como eu. — O meu filho não tem tempo para mim. Ele está muito ocupado. Elevo minhas sobrancelhas. — Então, você também não tem contato com ele neste dois anos? Eu estava incrédula com esse jeito dele. — Você não entendeu que ele é um homem ocupado? Grossa. — Você criou um belo filho. E não digo por mim, porque sou esposa dele e ele pode encontrar qualquer mulher em outro canto, mas mãe, ele só tem a Sra. E não tem porque ele não ter um contato pelo menos com a Sra. Ela me olha triste. Consigo ver uma emoção em seus olhos. — Eu não quero falar sobre isso. Como disse, ele é um homem ocupado. Dou de ombros. E também ele não me deixou sozinha. Você está aqui. — Não por muito tempo. — Do que você está falando? — Estou dizendo que eu não aguento mais isso. Eu sou casada com um homem que não conheço, o mesmo não se dignou a aparecer em nenhum momento. Eu cansei. — Você não pode deixá-lo. — Deixar quem? Um ser desconhecido? Faça mil favor. Ele não está nem aí. Eu não quero saber de nada. Eu não vou continuar com isso. Me casei querendo honrar a palavra dos meus pais, mas vi que não valeu a pena. Então, minha decisão já está tomada. — Eu vou ligar para ele e vou dizer sobre o que você está tentando fazer. — Ótimo, quem sabe assim eu resolva tudo com ele, ao invés de advogados. Me levanto. Boa noite! Saio da mesa. Ela pode fazer o quiser. Eles não vão conseguir me deter aqui. Cansei dessa vida, cansei de ser sozinha. Cansei de acorda todas as noites triste por uma vida vazia. Eu tenho vinte anos, e quero ter outra vida. Quero esquecer o passado, quero viver. Eu sempre vivi em função dos meus pais. Sempre fiz o que eles queriam, e agora não tem porque eu viver sob ordens de ninguém. Eu fico pensando que ele, meu marido, deva está feliz com qualquer mulher. E não falo amante, porque não temos nada. Somente um papel que fiz que somos casados. Então ele é livre para fazer o que quiser, e eu também. Eu tomarei rédeas da minha vida. Acordo chorando. Desesperada, confusa. Olho para todo o quarto e eu estou sozinha. Limpo meu rosto e bebo água aflita. Eu preciso de um profissional. Eu preciso de ajuda de um psicólogo. Não dá mais. Eu sempre acordo assim. Assustada, chorando, desesperada. Eu sinto as mãos dele no meu corpo. Eu tenho nojo. Nojo dele, nojo de mim. Mesmo criança, eu sabia que ele estava fazendo errado. Sabia que ele era um nojento de merda. E agora os meus traumas, os meus medos não saem de mim. Me deito de novo e tento não pensar nisso. Meu celular toca anunciando que está na hora de levantar. Hoje eu tenho duas provas na faculdade. Então eu tinha que me manter firme. Na faculdade estava olhando tudo absorta em pensamento. — Oi, você está bem? Jonas pergunta e eu assinto sorrindo. — Estou sim, e você? — Estou ótimo. Mas você está perdida em pensamento como sempre. Dou meio sorriso. — Estava só pensando na prova que terá daqui a pouco. — Alguma dúvida? Eu posso te ajudar. — Nenhuma. Eu estudei para hoje. Obrigada assim mesmo. — De nada! Bruna quer sair hoje a noite, porque você não vem com a gente? — Jonas, não quero ter problemas com Bruna. Ela morre de ciúmes da nossa amizade. Eu tenho uma aliança de todo tamanho no meu dedo e mesmo assim ela não se convence que você e eu não teremos nada e nunca tivemos nada. Ele suspira. — Ela acaba se convencendo. Mas meu convite de sairmos a noite continua de pé. Ela vai está com a gente, e não tem nada demais. — Eu vou pensar. Digo e ele pisca para mim. Logo o professor entra na sala e vamos a mais uma prova. Assim que sair da faculdade, eu fui procurar um advogado. Eu quero mesmo o divórcio. Não quero mais continuar assim. Não faz sentido viver assim. Cheguei no escritório do advogado Savio Carter. Ele foi indicado pelo advogado da empresa do papai assim que liguei para ele me auxiliar nisso. — Pode entrar, Sra Tyler. Bufo com esse sobrenome de fachada. Entro na sala do jovem advogado. Não sabia que ele era novo. — Sra Tyler, Savio Carter. — Obrigada por me receber Dr Carter. — De nada! Sente-se e me diga em que posso te ajudar. — Eu quero o divórcio do meu marido. — Tudo bem. Tem algum acordo pré nupcial? — Sim. Eu assinei e ele também. — Ok. Assim é mais fácil. Eu preciso dele para dar andamento ao pedido. — Te mandarei hoje ainda. Mas alguma coisa que você precise. — Qual o motivo da separação. Olho para ele e suspiro. — Na verdade não estamos nos dando bem. Já tem meses que não sei dele. Então não quero continuar com isso. Ele me olha franzindo a testa. — Ele está desaparecido? — Não. Ele está viajando a trabalho. m*l nos falamos. Minto. — Tudo bem. Filhos? — Não. — Quanto tempo estão casados? — Dois anos exatos. — Existe algo que você queira colocar no acordo de divórcio. Franzo a testa. Pensão, algum imóvel. — Não. Não preciso de nada dele. Só quero a minha vida. — Tudo bem. Assine esses papéis para mim e assim que você me mandar o acordo pré nupcial eu já darei prosseguimento ao pedido. — Ok. Quanto tempo leva para os papéis estarem prontos? — Dentro de duas semanas eu já te entregarei os papéis. — Ótimo. Vou aguardar. Pego minha bolsa e pego o talão de cheque. Me fale os valores dos seus serviços. — Quando tiver tudo pronto, eu te mando os valores. Preciso tirar cópia dos seus documentos. Assinto pegando todos os documentos na minha bolsa. Ele tira a cópia ali na sua sala mesmo e me entrega. — Mais alguma coisa? — Não, só isso. Assinto me levantando. — Muito obrigada! Espero seu retorno. — Farei mais rápido possível. Estendo minha mão para ele e assim vou embora. Espero ter minha vida de volta. Não quero continuar casada com alguém que nunca vi na vida.
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