Caio estava no escritório do pai quando o celular vibrou em cima da mesa. Ele olhou a tela com impaciência, já irritado por tudo ter saído do controle nos últimos dias.
A mensagem era curta.
“Beatriz se casou.”
Ele franziu a testa, sentindo o coração errar uma batida.
— O quê…? — murmurou.
Abriu a conversa. Havia uma foto anexada: Beatriz e Bruno saindo de um cartório. Simples. Sem festa. Mas reais. Assinaturas feitas. Alianças discretas. Casados.
O ar pareceu desaparecer do ambiente.
— ELA NÃO PODIA FAZER ISSO — Caio gritou, arremessando o celular contra a parede.
O pai levantou da cadeira. — Caio, se controla!
— Ela é MINHA! — ele rugiu, os olhos vermelhos de ódio. — Ela era minha noiva! Minha! Eu investi dinheiro, tempo, tudo naquela garota!
— Você perdeu o controle — respondeu o pai, frio. — Agora ela está casada. Legalmente.
Caio começou a andar de um lado para o outro, respirando pesado, as mãos fechadas em punho.
— Esse Bruno… — cuspiu o nome — Sempre esteve ali. Sempre olhando. Sempre se metendo. Eu devia ter acabado com ele antes.
Naquele momento, a porta se abriu.
— Caio… — disse uma voz conhecida.
Ele se virou, surpreso.
Era a mãe de Beatriz.
— O que você tá fazendo aqui? — perguntou, desconfiado.
Ela entrou, nervosa, mas com um brilho estranho no olhar. — Eu vim resolver isso.
— Resolver como? — Caio riu, amargo. — Sua filha me humilhou. Fugiu comigo marcado. Casou com o meu melhor amigo.
Ela respirou fundo. — Ela não sabe o que faz. Sempre foi fraca… influenciável.
Caio se aproximou lentamente. — Ela assinou os papéis. Acabou.
A mulher hesitou por um segundo… depois disse a frase que fez o sorriso dele voltar, torto e perigoso.
— Casa comigo, Caio.
Ele arregalou os olhos. — Como é que é?
— Casa comigo — repetiu ela. — Você ainda entra pra família. O dinheiro continua circulando. E… — ela engoliu em seco — Eu ajudo você a trazê-la de volta.
O silêncio ficou pesado.
— Você está me oferecendo a sua própria filha de volta? — ele perguntou, com um sorriso c***l.
— Ela não sabe o que é melhor pra ela — respondeu a mulher. — Eu sei. E você sabe. Bruno não é do nosso nível.
Caio riu baixo. Um riso sem alegria.
— Você venderia a própria filha duas vezes, então.
Ela desviou o olhar. — Eu preciso de dinheiro.
Caio se aproximou mais, encarando-a de cima. — Escuta bem. Eu não quero você. Eu quero ela.
A mãe de Beatriz sentiu um arrepio. — Mas… se você casar comigo, fica mais fácil. Eu posso convencer. Posso armar alguma coisa. Ela confia em mim… ainda.
Os olhos de Caio escureceram.
— Então faz isso — disse ele, frio. — Porque casamento no papel não muda o que ela é.
— Ela é minha — continuou, com voz baixa e ameaçadora. — E ninguém tira algo que é meu… sem pagar por isso.
Ele virou de costas, encerrando a conversa.
— Sai daqui — ordenou. — E faz o que eu mandei. Ou você também perde tudo.
A mulher saiu tremendo.
Sozinho, Caio fechou a mão com força.
— Você acha que tá segura, Beatriz… — murmurou — Acha que um papel vai te salvar?
O ódio dele não era só raiva.
Era posse ferida.
E aquilo tornava tudo muito mais perigoso.