Fúria e Traição

578 Words
Caio estava no escritório do pai quando o celular vibrou em cima da mesa. Ele olhou a tela com impaciência, já irritado por tudo ter saído do controle nos últimos dias. A mensagem era curta. “Beatriz se casou.” Ele franziu a testa, sentindo o coração errar uma batida. — O quê…? — murmurou. Abriu a conversa. Havia uma foto anexada: Beatriz e Bruno saindo de um cartório. Simples. Sem festa. Mas reais. Assinaturas feitas. Alianças discretas. Casados. O ar pareceu desaparecer do ambiente. — ELA NÃO PODIA FAZER ISSO — Caio gritou, arremessando o celular contra a parede. O pai levantou da cadeira. — Caio, se controla! — Ela é MINHA! — ele rugiu, os olhos vermelhos de ódio. — Ela era minha noiva! Minha! Eu investi dinheiro, tempo, tudo naquela garota! — Você perdeu o controle — respondeu o pai, frio. — Agora ela está casada. Legalmente. Caio começou a andar de um lado para o outro, respirando pesado, as mãos fechadas em punho. — Esse Bruno… — cuspiu o nome — Sempre esteve ali. Sempre olhando. Sempre se metendo. Eu devia ter acabado com ele antes. Naquele momento, a porta se abriu. — Caio… — disse uma voz conhecida. Ele se virou, surpreso. Era a mãe de Beatriz. — O que você tá fazendo aqui? — perguntou, desconfiado. Ela entrou, nervosa, mas com um brilho estranho no olhar. — Eu vim resolver isso. — Resolver como? — Caio riu, amargo. — Sua filha me humilhou. Fugiu comigo marcado. Casou com o meu melhor amigo. Ela respirou fundo. — Ela não sabe o que faz. Sempre foi fraca… influenciável. Caio se aproximou lentamente. — Ela assinou os papéis. Acabou. A mulher hesitou por um segundo… depois disse a frase que fez o sorriso dele voltar, torto e perigoso. — Casa comigo, Caio. Ele arregalou os olhos. — Como é que é? — Casa comigo — repetiu ela. — Você ainda entra pra família. O dinheiro continua circulando. E… — ela engoliu em seco — Eu ajudo você a trazê-la de volta. O silêncio ficou pesado. — Você está me oferecendo a sua própria filha de volta? — ele perguntou, com um sorriso c***l. — Ela não sabe o que é melhor pra ela — respondeu a mulher. — Eu sei. E você sabe. Bruno não é do nosso nível. Caio riu baixo. Um riso sem alegria. — Você venderia a própria filha duas vezes, então. Ela desviou o olhar. — Eu preciso de dinheiro. Caio se aproximou mais, encarando-a de cima. — Escuta bem. Eu não quero você. Eu quero ela. A mãe de Beatriz sentiu um arrepio. — Mas… se você casar comigo, fica mais fácil. Eu posso convencer. Posso armar alguma coisa. Ela confia em mim… ainda. Os olhos de Caio escureceram. — Então faz isso — disse ele, frio. — Porque casamento no papel não muda o que ela é. — Ela é minha — continuou, com voz baixa e ameaçadora. — E ninguém tira algo que é meu… sem pagar por isso. Ele virou de costas, encerrando a conversa. — Sai daqui — ordenou. — E faz o que eu mandei. Ou você também perde tudo. A mulher saiu tremendo. Sozinho, Caio fechou a mão com força. — Você acha que tá segura, Beatriz… — murmurou — Acha que um papel vai te salvar? O ódio dele não era só raiva. Era posse ferida. E aquilo tornava tudo muito mais perigoso.
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