Bruno revela quem ele é

1052 Words
Nas semanas seguintes, o clima parecia calmo demais — calmo como antes de uma tempestade. Caio e o pai estavam eufóricos. Um contrato grande estava prestes a ser fechado com uma empresa internacional, algo que prometia multiplicar os lucros da família e consolidar ainda mais o poder que eles tanto ostentavam. Para eles, era apenas mais um negócio. Controle, números, domínio. O que eles não sabiam… era de quem aquela empresa era. Naquela manhã, Bruno acordou cedo. A luz suave entrava pelas cortinas da suíte. Beatriz ainda estava deitada, folheando distraída uma revista, os cabelos espalhados pelo travesseiro. — Ela entrou ela disse nossa você ta bonito . Bruno sorriu de canto.. — Ela beijou os labios dele... O telefone dele vibrou. Uma mensagem da equipe jurídica confirmando a reunião do dia. Ele se inclinou, deixou um beijo leve na testa dela. — Vou pra empresa agora, tá? — Vai com cuidado — ela disse, segurando a mão dele por um instante. — Por favor. Bruno apertou os dedos dela com carinho. — Sempre. E volto pra você. Ela sorriu, daquele jeito tranquilo que só tinha quando se sentia segura. — Deixo carinho guardado no gelado então — brincou. Ele riu baixo, pegou o paletó e saiu. --- No escritório, tudo estava preparado. Sala ampla, mesa impecável, café servido. Bruno chegou antes, como sempre gostava de fazer. Sentou-se à cabeceira, cruzou as mãos com calma e respirou fundo. Não havia ansiedade no rosto dele. Havia controle. Pouco depois, a secretária anunciou: — Senhor Caio e senhor Augusto já chegaram. Bruno ergueu o olhar devagar. — Pode pedir pra entrarem. A porta se abriu. Caio entrou primeiro, confiante, arrogante como sempre. O pai veio logo atrás, ajeitando o terno caro. Ambos sorrindo — até os olhos de Caio encontrarem Bruno sentado à mesa. O sorriso morreu. — …Bruno? — Caio franziu a testa. — O que você tá fazendo aqui? Bruno se levantou com calma, ajeitou o paletó e estendeu a mão, formal. — Bom dia. Sou o CEO da empresa com quem vocês vão assinar o contrato hoje. O pai de Caio empalideceu. — Você…? — engoliu em seco. — Você é o dono? — Um dos fundadores — corrigiu Bruno, com educação fria. — Mas sim. A decisão final passa por mim. Caio sentiu o chão sumir sob os pés. — Isso é algum tipo de piada? Bruno o encarou diretamente. O olhar não era de provocação — era de autoridade. — Não. É só algo que você nunca se deu ao trabalho de saber. — Pausou. — Assim como nunca se deu ao trabalho de conhecer de verdade a mulher que perdeu. O silêncio ficou pesado. Caio fechou os punhos. — Então você se escondeu esse tempo todo? — Não — Bruno respondeu, firme. — Eu apenas não precisei provar nada pra ninguém. Muito menos pra você. Ele fez um gesto para que se sentassem. — Agora, se quiserem continuar a reunião, podemos falar de números. — E se não quiserem… — deu um meio sorriso controlado — a porta continua ali. Caio se sentou devagar, engolindo o orgulho à força. Naquele momento, ele entendeu duas coisas com clareza dolorosa: Ele não tinha perdido Beatriz para um homem inferior. E o jogo que ele achava que controlava… nunca foi dele. E, enquanto a reunião começava, Bruno pensava apenas em uma coisa: > Isso não é vingança. É consequência. a discusao começou o pai de caio falou basta caio ... O silêncio na sala ficou cortante. Caio — agora sem nenhum traço de arrogância — respirava pesado, o maxilar travado, os olhos cheios de ódio. O tapa do pai ainda ardia no rosto, mas o que mais doía era a humilhação. Ele olhou em volta. A mesa imponente. Os advogados atentos. Os números projetados na tela. E Bruno… calmo, de pé, esperando. — Ajoelha, Caio — Bruno repetiu, a voz baixa, firme. — Não por mim. Pelo que você fez com ela. Caio riu, um riso quebrado, quase histérico. — Você acha mesmo que isso muda alguma coisa? — cuspiu. — Que pedir perdão apaga tudo? — Não — Bruno respondeu na mesma hora. — Não apaga. Mas mostra quem você é agora. Se continua sendo o covarde que bate em mulher… ou se aceita as consequências. O pai de Caio estava pálido. — Faz isso, Caio… pelo amor de Deus — implorou. — Você vai destruir tudo. Caio fechou os olhos por alguns segundos. A imagem de Beatriz — feliz, segura, longe dele — atravessou sua mente como uma lâmina. Rangendo os dentes, ele se levantou devagar. Cada movimento parecia um golpe no próprio ego. Então, diante de todos, ajoelhou. O som dos joelhos tocando o chão ecoou pela sala. — Me desculpa… — disse entre os dentes, sem olhar para Bruno. — Pelo que eu fiz com a Beatriz. Bruno não sorriu. Não se sentiu vitorioso. Apenas observou. — Olha pra mim — ordenou. Caio levantou o rosto, os olhos vermelhos de ódio e humilhação. — Agora repete — Bruno disse. — E diz o nome dela direito. Com respeito. Caio respirou fundo, engolindo seco. — Me desculpa, Beatriz… — a voz falhou. — Por tudo. Bruno assentiu uma única vez. — Ótimo. — Ele se virou para os advogados. — O contrato pode ser assinado. O pai de Caio quase caiu sentado de alívio. Mas Bruno ainda não tinha terminado. Ele voltou o olhar para Caio. — Isso não te dá direito nenhum sobre ela. — A voz ficou ainda mais fria. — Se você tentar se aproximar da minha esposa de novo, mandar mensagem, seguir, ameaçar… eu não vou resolver com contratos. Caio engoliu em seco. — Eu vou resolver na justiça. E você vai perder mais do que perdeu hoje. Ele se afastou um passo. — Levanta. Some da vida dela. Caio se levantou devagar, humilhado, destruído por dentro. Naquele momento, ele entendeu algo que nunca tinha entendido antes: Beatriz não foi tirada dele. Ela se salvou. E Bruno não ganhou nada que já não fosse dele há muito tempo. Enquanto Caio saía da sala, derrotado, Bruno pegou o celular e enviou uma única mensagem: > Já resolvi. Você tá segura. Te amo. Do outro lado da cidade, Beatriz leu a mensagem… e sorriu em paz.
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