Playboy girou o pescoço, estalando como se nada tivesse acontecido.
— Pronto. Menos um vacilão no mundo. Agora… bora resolver o resto.
Ele levantou a arma de novo, mirando agora pra Nino que olhava aquela cena toda tremendo como uma vara verde sabendo que seria o próximo. Playboy olhou pra ele com aquele sorriso que não era humano. Era coisa de monstro, de quem não tem alma.
— Agora é a vez do moleque. — Ele falou com um irônico, como se estivesse escolhendo qual prato ia pedir no restaurante. Levantou a arma, apontando direto pra cabeça dele.
— Não! Meu filho, não! — Suze gritou, a voz rasgada de desespero. Ela se jogou na frente do garoto, como se pudesse criar uma barreira entre ele e a morte.
Playboy riu, um som seco, carregado de deboche.
— Alguém segura a p***a dessa mulher! Tá achando que vai dar uma de h*****a aqui?
Um dos homens dele avançou rápido, segurando Suze pelos braços enquanto ela se debatia feito uma leoa protegendo o filhote.
— Solta! Pelo amor de Deus, solta! — ela berrava, as lágrimas escorrendo pelo rosto enquanto chutava o ar, tentando se livrar. — Não faz isso, pelo amor de Deus, eu te imploro!
Playboy, que observava tudo em silêncio, suspirou fundo, como se aquilo estivesse drenando a paciência dele. Então, num movimento rápido, girou nos calcanhares, apontando a arma direto pra cabeça dela.
— Cala a boca, v*******a! — ele rosnou, o dedo firme no gatilho.
Ela se calou no mesmo instante, os olhos arregalados, o peito subindo e descendo num ritmo frenético.
Por um segundo, tudo ficou em silêncio. Só se ouvia a respiração pesada dela e o riso abafado de alguns vapores, se divertindo com a cena.
Playboy manteve a arma apontada por mais alguns instantes, como se estivesse considerando apertar o gatilho só pra ver o que acontecia. Mas então, sem pressa, virou novamente para Nino.
De joelhos diante de Playboy, tremendo dos pés à cabeça, o rosto lavado de lágrimas e suor ele implorou.
— Por favor, Playboy… me deixa viver, mano. Eu juro que agora eu vou ser leal. Faz o que quiser comigo, mas me deixa provar que eu sou firmeza. Me arrebenta se quiser, quebra minhas pernas, meus braços… mas não me mata, pelo amor de Deus.
A frase fez alguns vapores explodirem em risadas. Gargalhavam como se estivessem assistindo a um show de comédia. Playboy levantou uma sobrancelha, encarando Nino com um meio sorriso de puro desprezo.
— Te arrebentar? É isso que tu quer, princesa? — Ele jogou um olhar para os vapores e fez um gesto preguiçoso com a mão. — Então vamo te dar o que tu pediu. Tragam uma madeira bem dura aqui.
Nino congelou. O desespero se estampou no rosto dele.
— Não… não, foi isso que eu quis dizer!
— Ah, agora já era, meu chapa. — Playboy riu.
Suze entrou no meio, ajoelhando perto de Nino, agarrando o pé de Playboy.
— Por favor! Por favor, não faz isso com ele! Cê já matou meu marido, já acabou com a nossa vida! Deixa ele ir, pelo amor de Deus!
Playboy a ignorou. Um dos vapores logo apareceu segurando um pedaço de madeira grosso, pesado, com algumas farpas saindo da lateral. Ele entregou na mão de Playboy, que a pesou nos dedos, como se estivesse analisando a ferramenta certa pro serviço.
— Desamarra ele.
Dois vapores se aproximaram e soltaram as cordas de Nino. Assim que ficou livre, ele tentou sair correndo, mas não chegou nem a dar dois passos. Foi puxado de volta com brutalidade e jogado no chão no meio das gargalhadas dos vapores.
Playboy caminhou até ele, girando a madeira no ar, testando o peso.
— Você é patético, moleque.
O primeiro golpe veio seco, explodindo nas costas de Nino. Ele gritou, um som de pura dor e pânico.
— Deixa ele, pelo amor de Deus! — Suze implorou, as lágrimas escorrendo sem controle.
Um sorriso torto surgiu no canto da boca Playboy.
O segundo golpe pegou na costela, arrancando mais um urro. No terceiro, ele caiu de lado, se encolhendo, os soluços presos na garganta.
— Aí, cês ouviram ele pedindo, né? Agora vamo completar o serviço.
Os vapores riram mais alto quando Playboy levantou a madeira e desceu com força no braço direito de Nino. Um estalo sinistro ecoou na rua. O garoto gritou, mas não teve tempo nem de processar a dor antes que o segundo braço recebesse o mesmo destino. Mais um baque s***o, mais um grito rasgado.
— Deus tá vendo, seu desgraçado. — A voz dela saiu trêmula, mas firme. — Deus tá vendo tudo.
Playboy só riu.
— Se ele tá vendo, então ele aprovou, né? Porque até agora, não fez nada.
Playboy soltou a madeira, jogando-a de lado, como se tivesse acabado de quebrar um brinquedo velho. Passou a mão no rosto, respirou fundo, como se aquilo tivesse sido só um aborrecimento no meio do dia.
Ele estendeu a mão pra um dos vapores, que rapidamente entregou a pistola. Playboy deu dois passos até Nino, que chorava no chão, os braços tortos num ângulo estranho.
— Bom… acho que já me diverti o suficiente. — ele soltou um suspiro cansado e ergueu a arma, mirando bem no meio da testa do garoto. — Fica tranquilo, moleque. Cê vai se juntar ao seu pai logo, logo.
Ele seguiu o mesmo ritual: um tiro no ombro, um no peito e o último na cabeça. Cada disparo parecia roubar o ar da viela. O corpo do garoto desabou no chão.
— Não! Não, meu Deus, não! — Suze gritou tão alto que parecia que a voz dela ia rasgar. Ela conseguiu se soltar do capanga e se jogou sobre o corpo do filho sem vida como se pudesse trazê-lo de volta. — Meu filho! Por quê? Por quê?
Playboy voltou pra mim com aquele mesmo sorriso insano. Agachou-se bem na minha frente, os olhos fixos nos meus.
— Agora é tua vez, meu chapa. — Ele se abaixou, olhando no fundo dos meus olhos. — E depois que eu te apagar, vou buscar tua irmãzinha. Dizem que ela é um espetáculo.
Minha mandíbula travou, os dentes rangendo de raiva. O sangue fervia nas veias, mas eu sabia que não adiantava. Ele tinha o controle. O desgraçado tinha ganhado.
Ele levantou a arma, o cano frio apontado direto pra mim.
— Pode olhar pra mim, o****o. Quero que veja quem tá te mandando pro inferno.
Eu levantei o olhar, fixando os olhos nele. Não ia dar o gosto de abaixar a cabeça. Playboy apertou o gatilho, e o som do disparo foi como um trovão rasgando o céu. Senti o impacto no ombro, uma dor que queimava e irradiava pelo corpo. O segundo tiro veio logo em seguida, direto no peito, e meu corpo pendeu pra frente. O último foi na cabeça. Depois disso, tudo ficou escuro.