Eu ainda estava escolhendo as palavras quando Theo com todo o seu cinismo me apressa:
- Quando quiser Nany. – Apontou a cadeira em frente à sua para me sentar e assim o fiz.
- Bom senhor, Carrie é um cliente antigo?
- Sim, foi um dos meus primeiros clientes, posso saber o motivo do interesse repentino no homem Nany?
- Tenho motivos para acreditar que ele trabalha para Falcão.
- E quais seriam esses motivos, minha querida? – olha o cinismo aí novamente.
- Bryan continuou pesquisando, ordens minhas. Ele acabou conseguindo imagens do tal garçom por câmeras de segurança e começou a segui-lo. O homem está na fronteira da cidade, ao sul. Bryan conseguiu imagens de satélite e uma das fotos que conseguiu foi do seu cliente.
- Está fazendo isso sem me comunicar, não acredito nisso Nany, não foi isso que combinamos. – Ele está zangado.
- Eu sei amor, mas simplesmente não consegui deixar de investigar e quanto mais gente soubesse dos passos, mais perigo teria de vazar informação e a gente perder tudo.
Seus olhos estavam presos em mim, já não estava mais bravo. Sabia que aquela palavra surtiria efeito e que eu conseguiria mudar o jogo.
- Quero que mande cópia de tudo o que conseguiu para Klaus – assenti – Vamos continuar investigando o que conseguiu. Prometo que somente nós estaremos a parte de tudo. Avise ao Bryan que ele receberá um aumento e será promovido. Peça a Vera mandar todos os dados que temos do cliente e da empresa para Bryan, aposto que ele descobrirá mais coisas.
- Sim senhor, se me der licença...
- Não antes de ganhar um beijo da minha secretária / segurança linda.
Era noite quando chegamos a casa de Theo. Fomos recebidos por Klaus que nos contou que havia recebido tudo pelo Bryan e que iria começar a investigar também todas as informações. Nos avisou também que Bea estava acordada, a algum tempo e que ela contou algumas coisas, porem queria ela mesma contar ao irmão, então eu e Theo corremos para o seu quarto.
Fui a primeira a entrar, Bea estava encostada na guarda de sua cama e Tom estava sentado na poltrona ao lado da cama. Eles pareciam sorrir. Corri para abraçar com muito cuidado a Bea.
- Me perdoe,Bea, o que aconteceu com você foi por minha culpa e não consigo me perdoar com isso.
- Vai com calma, tigresa está me machucando. - Disse tentando soltar-se um pouco do meu abraço.
- Desculpe, tem hora que não tenho controle sobre minha força – todos rimos.
Theo se aproximou da cama e deu um beijo na testa de sua irmã, que fechou os olhos recebendo o carinho.
- Preciso contar a vocês o que aconteceu. Theo eu fiquei o tempo todo na cidade, o local parecia uma fazenda desativada. Apesar de eu estar machucada, parece que foi pior do que realmente foi, na maioria das vezes eles não eram rudes. Me davam comida e água uma vez por dia. Esses machucados foram feitos por Joana. Ela e um outro homem estavam conversando e ela achou que eu tinha escutado algo e me torturou por algum tempo tentando descobrir o que escutei, sendo que na realidade eu não havia ouvido nada.
- Não precisa continuar agora se não quiser minha irmã – disse Theo percebendo que estava sendo difícil para ela reviver esses momentos.
- Eu preciso. Theo esse homem que estava com Joana me disse que tudo isso está acontecendo porque nosso avô não fundou a Gaya sozinho como havia nos contado. Ele tinha um sócio. Sócio esse que era avô dele.
Ela parou por alguns minutos e eu a pedi para continuar.
- O homem em questão era Falcão. Disse que nosso avô deu o cano no avô dele e tomou tudo o que eles tinham... disse que ele, seus pais e suas irmãs passaram fome por conta disso. Seu avô morreu de desgosto pouco tempo depois. Sua mãe fugiu com outro homem por conta da situação e seu pai se enforcou na frente dos filhos. Falcão quer vingança pela sua família.
A essa altura eu já estava chorando.
- Já contou isso ao Klaus certo? – ela assentiu – Ele irá investigar as informações, se for verdade chamarei esse Falcão para uma reunião e resolveremos isso como adultos.
- Ele estava falando a verdade meu irmão, eu vi isso nos olhos dele.
- Você precisa descansar querida, vou pedir à empregada que traga uma sopa, amanhã estará nova em folha. Vamos Theo, tomar um banho e comer alguma coisa, quero me juntar a Klaus na investigação. Aposto que Tom não se incomoda em fazer companhia para Bea durante a noite. – Theo sorriu de lado.
- Podem ir eu cuido dela – o sorriso que deram um ao outro condenava, havia um grande sentimento ali.
- Porque chorou Nany, quando Bea nos contou aquela história. – Questionou Theo já do lado de fora do quarto da irmã.
- Honestamente? Se fosse verdade seria uma história bastante c***l, não concorda, não que justificasse esse tipo de atitude.
- É, infelizmente é algo triste, porém nem sabemos ainda se é verdade. Acredito que esteja fragilizada pelo estado de Bea. Não quero que se culpe, ok? – assenti – Vem vou cuidar de você.
Me pegou pela mão e me arrastou para o meu quarto, me colocou sentada em minha cama enquanto eu ainda chorava de soluçar. Entrou no meu closet e arrumou uma roupa confortável para mim. Novamente segurou minha mão me puxando para fora do quarto e entrando no seu em seguida.
Mais uma vez ele me colocou sentada na cama e sumiu por uma porta onde presumi que seria o banheiro. Logo ouvi o barulho da água, a banheira estava enchendo.
Eu fiquei realmente triste com aquela história, pensar no que aquelas pobres crianças tiveram que passar por conta de puro egoísmo.
- Venha minha linda, vou te colocar no banho.
Theo me puxou pela mão e fomos para dentro do banheiro, me deu um beijo na testa e sem conotação s****l alguma ele começou a me despir. A concentração em cuidar de mim era tanta que acredito que ele nem sabia responder se perguntasse a ele a cor das minhas roupas íntimas.
Em momento algum os seus olhos deixaram os meus. Ele estava de fato cuidando de mim. Me deu a mão para que eu pudesse entrar na banheira e antes que me ajudasse a me sentar eu falei:
- Por favor, fique comigo.
- Calma querida, eu não irei sair daqui, está vendo aquela cadeira ali? - Disse apontando para uma cadeira que estava perto da porta do banheiro – ficarei o tempo todo sentado nela.
- Não, por favor, quero que fique aqui comigo – disse enquanto minhas mãos trabalhavam em abrir os botões de sua camisa.
- Aí dentro? Tem certeza!
- Sim.
Mais do que depressa, Theo tirou a camisa e a calça, mantendo a cueca. Entrou na banheira e se sentou, logo me puxou para sentar no meio de suas pernas, ficando abraçado a mim.