- Está bem Theo? - ele assentiu – Ok. Levante homem, vamos levar o espertinho aqui para dar uma voltinha. E você amigo silêncio, procure não me irritar, não será nada bom pra você. Para o meu apartamento Theo, vamos descobrir quem ele é, e para quem ele trabalha.
Theo assumiu o volante e eu sentei atrás com o homem que me olhava com fúria mas permaneceu calado, com certeza ele percebeu que eu não estava para brincadeira. Pouco tempo depois chegamos em meu prédio. Theo abriu o portão com o controle e colocou o carro em uma das vagas da garagem. Pegamos o elevador de serviço, eu sempre o usava em situações assim.
Meu chefe abre a porta e entra enquanto eu, "abraçada" ao elemento, entro em seguida. Tomo a frente e caminho em direção ao meu "escritório".
- Você é o que? A p***a de uma torturadora? - o cara que até então não sei quem é se manifesta pela primeira vez.
- Olhem ele fala… não sou uma torturadora, sou sou somente precavida. - Olhei para meu chefe que estava em silêncio e uma expressão fraca de choque no rosto.
Meu escritório era composto por: uma mesa com um computador de última geração onde é visível as câmeras de segurança que rodeiam meu apartamento e o prédio, além das ruas próximas, em dois monitores grandes. Uma cadeira e uma estrutura de ferro no teto de onde desce uma corrente com algemas na ponta. É baby, minha sala de interrogatório, minha sala de jogos.
Prendi o infeliz e comecei a revista-lo. Nada, não tinha nem mesmo um papel em seus bolsos.
- Acho melhor começar a falar amigo. - disse rasgando sua camisa e junto um pouco da carne do seu peito também.
- Você é maluca! Se acha que eu vou falar alguma coisa, está enganada, fique ciente disso, não vai tirar de mim nenhuma mísera informação.
- Você não faz ideia do quanto sou maluca.
- Nany pode ir comigo ali fora um segundo? - Nem me lembrava que Theo ainda estava ali parado no canto olhando tudo.
- Claro chefe, e você – me viro para o meu prisioneiro – nem um pio.
Saímos do meu escritório com o Theo na frente. Ele me conduziu até o sofá e se sentou e fiz o mesmo.
- Pode falar senhor.
- Primeiro preciso frisar que você é louca. - Disse depois de um suspiro profundo após uma pequena pausa. - Outra coisa, mandei mensagem para Klaus que já deve estar chegando aqui. Melhor ele assumir pois se esse cara é parte do pessoal de quem estou pensando, prefiro que você se envolva menos possível, é perigoso.
- Ount chefinho está preocupado? - ele faz cara de quem não gostou da minha ousadia. - Tá, parei! Olha eu sou treinada e estou somente fazendo o que você me contratou para fazer.
- Eu te contratei para salvar minha pele, como a pouco. O resto é com Klaus.
Eu até ia argumentar, porém fomos interrompidos por batidas na porta.
Um Klaus com uma cara nada boa entra pela minha sala e anda de um lado para o outro procurando o cara.
- Relaxa aí amigo ele está no fim do corredor, porta da esquerda. Está contido e obstinado a não dizer nada, isso porque não tive tempo suficiente com ele, o Sr. Theo acredita que sou de porcelana.
- Não acredito em nada, só não te quero tão envolvida. Klaus pode cuidar disso - Theo estava visivelmente alterado e se levantou em um salto.
- Desculpe senhor, mas acredito que ela tem sim que ter acesso a todas as informações que obtemos, ela precisa saber e estar preparada para o que está por vir. Ou ela está dentro ou está fora, acredito que meias verdades não vão fazer com que ela possa cumprir o seu papel.
- Vamos grandão, temos informações para arrancar. E você chefe, primeira porta à direita, é o meu quarto, pode ficar à vontade.
A muito contragosto meu chefe seguiu para o meu quarto enquanto eu e o grandão fomos até o meu escritório.
- Belo lugar querida, suspeito que Mia não seja muito conivente.
- Que nada, ela não sabe e se souber ela me expulsa daqui, por isso tenho barreiras acústicas. - Rimos.
Klaus pediu para tomar a frente do interrogatório e eu não me importei. Depois de muitos socos, cortes e alguns choques, também, além de nos contar seu próprio nome, chegamos a um nome: Joana.
- É amigo, você é péssimo no que faz – digo indignada – O Klaus foi extremamente gentil com você, acredite que comigo seria muito pior. E logo você espanou e abriu o bico. Estou somente pensando aqui em o que vou fazer com você.
Andei até uma das gavetas e de lá tirei uma pistola pequena, um protótipo na realidade, silenciosa e com capacidade para duas balas de fabricação caseira.
- O que vai fazer Nany? Vai matá-lo aqui? - um Klaus indignado me fitava.
- Obviamente, ou isso ou ele vai correndo contar para a pessoa que o contratou o que conseguimos de informação e vamos perder o fio. E isso, meu amigo, eu não admito.
- Eu resolvo isso, fica com o Theo – disse já soltando o tal Roger das algemas, jogando ele nos ombros e saindo rumo a porta do apartamento. - Eu sabia que ele ia dar um fim no cara e desovar o seu cadáver onde ninguém encontraria, infelizmente tem que ser assim.
Sem escolhas fui ao meu quarto e bati duas vezes, como não obtive respostas abri a porta lentamente, Theo estava dormindo em minha cama muito profundamente. Claro que o meu escritório ser acústico contribuiu bastante em seu sono.
Peguei um vestido qualquer, desses de ficar em casa e fui tomar um banho. Eu não acredito que o frouxo do Roger abriu a boca tão fácil, jamais contaria algo independente da tortura ou ameaça. Sou leal e morro calada.
Depois de vestida fui para a cozinha preparar um café. Theo ficaria aqui até que Klaus voltasse e então me colocariam a par de toda a informação que tem.
Coloquei alguns pães e um bolo que Mia preparou ontem à noite na mesa e fui acordar o meu chefe.