Chegamos na empresa depois de uma viagem tranquila e silenciosa, como está virando costume quando estamos sozinhos, ele parou em uma vaga e disse que ela seria minha. Entramos e vi Mia em sua mesa, quando nos aproximamos ele nos apresentou e subimos para sua sala.
Chegamos ao último andar, Theo me apresenta a sua secretária, uma simpática senhora chamada Vera e entramos em sua sala. A sala é ampla e de extremo bom gosto, tudo em bege e marrom e uma vista de tirar o fôlego.
- Aquela ali, - disse apontando uma pequena mesa no canto direito de sua sala. - é a sua mesa.
- Ok. - Respondo sem muito entusiasmo.
- Aqui pegue, - ele disse esticando um cartão de crédito e um cartão pessoal com telefone e endereço – compre algumas roupas para trabalhar. Pode ir espero você na frente da minha casa amanhã às sete.
Peguei o cartão de sua mão e fui às compras. Comprei o básico: saias, calças, casacos, camisas e sapatos sociais, duas bolsas e só. Não precisava de mais do que isso.
Cheguei em casa exausta e fui preparar algo pra gente comer. Mia chegou no horário de sempre e foi logo fazendo milhares de perguntas.
- Ei.... calma... respira – disse em um tom de brincadeira. - Vá tomar um banho no jantar te conto tudo.
Ela bufou e praguejou algumas coisas baixas em um alemão forçado e foi. De banho tomado ela se juntou a mim na mesa, comemos enquanto eu contava tudo a ela.
- Perfeito, agora é só seguir com o planejado e em pouco tempo teremos o que queremos. - É o que Mia se limita a dizer e eu concordo.
Terminei de comer e fui para o meu quarto arrumar as coisas enquanto Mia lavava a louça, logo fui me deitar porque o dia amanhã começa cedo.
Acordei, tomei um bom banho, coloquei uma saia preta, uma camisa lilás, e um salto preto. Prendi meu cabelo em um r**o de cavalo, fiz uma maquiagem básica e coloquei meus óculos de grau, já que terei de fingir ser secretária, eu preciso conseguir enxergar bem as letras miúdas do notebook. Coloquei um coldre com uma faca na parte interna da minha coxa. Na bolsa coloquei um bloco de anotações, caneta, carteira e minha glock. Estava pronta para o meu primeiro dia de trabalho.
Mia ainda não tinha levantado então eu peguei uma maça e fui para a casa de Theo. Cheguei às cinco e quarenta e cinco e fiquei esperando ele no portão.
Vi ele me sondando por uma janela que acredito ser de seu quarto. Olhou para mim e depois para o relógio caro em seu pulso, logo depois fez uma cara de satisfeito e sumiu de minha vista.
As seis em ponto ele sai de sua casa em seu terno feito sob medida e com uns óculos de sol aviador que o deixava extremamente sexy, ele entra em um carro esportivo não muito chamativo e baixa o seu vidro para falar comigo.
- Bom dia Nany, chegou cedo. Gostei! - falando isso me arremessou algo – esse é o controle do portão, pode me esperar aqui dentro ok.
- Ok. Tenha um bom dia senhor.
Dito isso ele levantou o vidro do carro e arrancou e prontamente o acompanhei. Chegamos antes de quase todos os funcionários, exceto pela moça do café, o pessoal da limpeza e os seguranças. Nem mesmo Mia havia chego.
Subimos e me acomodei em minha mesa. Logo ele estava olhando para alguns papéis bastante compenetrado.
- Acredita estar seguro aqui dentro senhor?
- Obviamente Nany.
- Então não se incomodaria em me autorizar a dar uma volta, para fazer um mapeamento e reconhecimento do local. Está sob minha responsabilidade, é preciso garantir que nada saia errado.
- Fique à vontade, leve o celular, posso precisar falar com você, e por favor não demore.
- Sim senhor.
Peguei o celular como ele ordenou e sai. O lugar era muito bem monitorado, câmeras em lugares estratégicos e muitos seguranças. Não havia somente uma área sem proteção, aqui dentro é pouco provável ele sofrer qualquer tipo de ataque.
Resolvi sair e sondar a parte externa do lugar e percebi dois ou três pontos cegos das câmeras só precisava verificar os monitores para ter certeza e é exatamente isso que faço a seguir, sigo para a sala de controle da segurança e perco mais tempo que o necessário para o chefe do departamento concordar comigo. A vizinhança era bastante tranquila, se bem planejado seria um bom lugar para dar o bote, visto que era uma espécie de condomínio praticamente deserto.
Voltei e avistei Mia sozinha na recepção e fui falar com ela
- Fazendo o reconhecimento do lugar?
- Sempre né, minha prioridade é o manter em segurança. Nada dará errado, eu prometo a você.
- Se conhecem? - escuto atrás de mim a voz que já sei identificar.
- Sim senhor – Mia responde – Dividimos o apartamento, eu quem entreguei o currículo dela para Klaus.
- Oh sim! Nany venha comigo. Temos um almoço de negócios. Trouxe um notebook pra você, só preciso que tome anotações, nada específico, somente para disfarçar mesmo.
- Sim senhor. - me despeço de Mia enquanto pego de suas mãos o notebook e minha bolsa e o acompanho até o estacionamento.
Fomos em seu carro com ele dirigindo, conferi minha bolsa e a derrubei nos meus pés, fiz uma cara de como quem estivesse pedindo desculpas e coloquei um rastreador acoplado em seu extintor de incêndio enquanto recolhia as minhas coisas. Logo chequei meu celular e está tudo funcionando perfeitamente.
- Chegamos. - Ouvi ele dizer quando paramos em frente a um grandioso restaurante. Ele estacionou um pouco longe da entrada, na única vaga que havia. Descemos do carro e entramos.
Já na mesa dois homens esperavam por Theo. Discretamente verifiquei o local tudo parecia normal.
- Boa tarde Theo e essa linda moça quem é?
- Boa tarde Marcos, Sílvio – disse olhando para o homem na outra cadeira – Esta é Nany, minha secretária.
- Trocou Vera por um modelo mais novo, foi meu amigo?
- Está enganado Marcos, Vera ainda está comigo. Como sabem é uma senhora de idade então Nany está como apoio.
- E que apoio – foi a vez do tal Sílvio se manifestar.
- Podemos começar? - Theo disse puxando para mim a cadeira ao lado de Marcos, onde estava claro que seria ele quem sentaria. Apenas me sentei e sorri.
Fizemos nosso pedido e comemos. Fiquei em silêncio e eles falaram sobre o mundo dos negócios. Assim que de fato iam começar a reunião eu abri o meu note e comecei a fazer breves e resumidas anotações sobre o que diziam, vai que um deles pede para ver.
Muitos minutos passaram e eu percebi uma movimentação um pouco diferente. Um garçom que ainda não havia visto estava rodeando nossa mesa, e um outro homem, muito forte, vestido como segurança, seu olhar corria da gente para o garçom. Eu continuei atenta ao meu redor o máximo possível sem levantar qualquer tipo de suspeita.
Enquanto os homens estavam concentrados em riscos e números eu percebia que o tal garçom e mais o segurança prestavam muita atenção em nós, mas nada que parecesse um perigo iminente.
A reunião enfim acabou e seguimos para fora do restaurante, percebi que um deles estava nos seguindo, o "segurança", preciso de respostas e vou ter, nem mesmo o fato do tal homem ser mais de uma cabeça maior do que eu me assustou. Encostei no carro e puxei Theo pra mim, beijei sua boca e sussurrei no seu ouvido:
- Tem uma faca na parte interna da minha coxa, pegue como se estivesse me agarrando e a entregue a mim, rápido. - e voltei a beijar sua boca e puxar seu cabelo. Theo enfia sua mão e o sinto alcançar a faca que está na minha mão bem no momento em que o cara tira ele de cima de mim e o joga no chão.
Em um movimento rápido, antes do cara alcançar Theo, o agarro e o prendo entre mim e o carro encostando a faca em seu pescoço.