Não dormi a noite. Klaus me mandou um e-mail com tudo o que eles sabiam sobre a ameaça e é claro que fiquei pesquisando e investigando o máximo possível.
Sabemos que um tal Falcão quer a ruína de Theo. Joana seu braço direito está por trás de cada ataque. Três seguranças mortos, inúmeros ataques diretos e indiretos a Theo. Quatro capangas capturados, todos com a mesma informação "fomos contratados por Joana a mando do Falcão para acabar com ele". Não foi identificado nenhum dos capangas. Nenhum dos contatos de Klaus disse conhecer essas pessoas.
Não temos muita coisa! Na verdade não temos nada além dos dois nomes.
Tomei um banho, hoje faz frio. Coloquei uma bota, calça, camisa e casaco. Bem confortável e quente.
- Já acordada gatinha? - Questiono ao ver Mia colocando café na minha xícara.
- Sim, fiquei pensando em tudo o que me contou ontem. Você precisa de uma nova pista, um avanço na investigação, assim ganhará mais confiança. Não que o beijo e a visão dos bagos do teu chefe não tenha proporcionado isso a você...
-i****a! Mas como sempre você tem razão, preciso procurar minhas próprias fontes.
- Tome seu café e vá, não quero que se atrase. Te vejo mais tarde. - Ela beija meus cabelos e vai para o seu quarto tomar banho para poder se arrumar e também ir para o trabalho.
E aqui estou eu encostada em meu carro na frente da entrada da casa do meu chefe o esperando sair.
- Bom dia Nany! - Sua voz veio de perto da porta da entrada. - Pode olhar estou vestido. - A bastante tempo não o vejo assim mais alegre.
- Vejo que está de volta chefe. Pensei que o tinha perdido depois do último atentado, mas aí está você.
- É bom estar de volta – disse fazendo aspas com os dedos - vamos a empresa, hoje além de Segurança/secretária será minha motorista.
- É sempre bom servi-lo chefe - Disse abrindo a porta do carro para que ele pudesse entrar recebendo uma careta em troca, como esse homem pode ser tão lindo até fazendo careta? Dou uma leve sacudida na cabeça enquanto dou a volta no carro e entro no mesmo assumindo o volante e partindo para o nosso destino.
Chegando próxima a rua da empresa avisto o "garçom" parado no canto da estrada, como se estivesse com o carro quebrado a alguns metros. Eu tive certeza que era ele, não esqueceria tão cedo aquele rosto e essa emboscada do carro quebrado é antiga né, pelo visto ele não é muito inteligente.
- Merda! - disse saindo dos meus pensamentos e diminuindo um pouco a velocidade. - Theo se abaixe por favor.
- Abaixar?
- Isso gato, abaixe, ainda bem que a gente sempre vem em carros separados e os vidros do meu carro são bastante escuros. Vou parar o carro e por favor não faça barulho ou mesmo se mexa, não acredito que será necessário mas se me ouvir gritando a palavra agora alcance a pistola embaixo do banco, já está engatilhada, saia do carro e aponte a arma ao homem.
Theo faz o que eu pedi no automatico, acredito que ele nem tenha tido tempo em pensar qualquer coisa, sua preocupação estava estampada em seu rosto, paro o carro e desço normalmente.
- Precisa de ajuda, amigo? - falo me aproximando com um sorriso no rosto.
Faço cara de quem não sabe quem ele é, em contrapartida sei que ele sabe quem sou. Corro o olho ao redor e não vejo nenhuma movimentação, a princípio estamos sozinhos e não prevejo perigo.
- Oi dona, não precisa - disse ajeitando a camisa, provavelmente para esconder melhor a arma em sua cintura - o guincho está para chegar. - Ele disse como se estivesse procurando alguma coisa, muito provavelmente o carro do Theo.
- Tem certeza que está tudo bem, que não precisa de nada? - digo tentando parecer solícita e gentil, pois penso que assim ele vai acreditar que não me lembro dele.
- Sim, se não for atrapalhar gostaria de pedir o seu celular emprestado, preciso avisar ao meu patrão que vou me atrasar um pouco para chegar ao trabalho, não posso perder esse emprego sabe, sou novo e eu e minha mulher acabamos de ganhar o bebê.
- Claro. - Passo o celular para ele que faz uma ligação rápida e me devolve – Muito obrigado moça.
- Eu trabalho naquela empresa ali – digo apontando o prédio da Gaya – me chamo Nany, se precisar de mais alguma coisa pode procurar por mim, ficarei feliz em ajudar. Parabéns pelo filho, crianças são sempre bençãos.
Ele assente e eu volto para o carro. Acelero o mesmo em direção a empresa e paro na vaga mais longe o possível da entrada do prédio, automaticamente mais longe das vistas do homem que continuava parado ali.
- Pode me explicar agora o que aconteceu? - Theo diz se ajeitando no banco, quando fiz sinal de que ele poderia se levantar.
- Sim senhor, aquele homem é o tal cara que estava disfarçado de garçom. Aparentemente ele estava sozinho, provavelmente tentaria alguma abordagem se seu carro estivesse atrás ou na frente do meu, isso mostra que estamos sendo monitorados. Boa notícia que ele usou meu celular e posso rastrear a ligação. Má notícia eles podem fazer o mesmo, digo nos rastrear enquanto estou com o aparelho.
- Como você não me avisa? Sabe que se colocou em perigo a toa. Deveria ter passado reto... - vi seus olhos que se arregalaram assim que ele interrompeu abruptamente sua fala e ouso dizer que até pude ouvir o som de uma ficha caindo logo que sem nada dizer meteu a mão nos meus p****s, nada gentilmente – Sem colete p***a? Já te disse que o colete faz parte do seu uniforme, morta você não me serve de nada, mais que merda Nany! Qual a p***a da dificuldade que você tem em acatar ordens?
- Calma meu, não aconteceu e nem vai acontecer nada. Estou aqui para te proteger e farei isso nem que seja com minha vida. Eu sei que temos poucas informações sobre a situação em questão e eu vi ali uma oportunidade entende, eu não poderia deixar passar. Não me preocupei pois para ele eu estava sozinha e homens metidos a macho alfa tem a incrível ideia de que mulheres são de cristal ou burras ou apenas corpos.
Theo não responde, fica em silêncio me olhando profundamente quando do nada começa a rir.
- Você é maluca! Mas acho que já te disse isso… e tem belos p****s, mas isso só estou dizendo agora.
- Haha engraçadinho. Vamos entrar, além de ser mais seguro eu preciso de um funcionário de T.I. competente e uma boa xícara dupla de café.