Sarah
Quando entro na cozinha, encontro meus pai tomando café.
— Bom dia. - cumprimento os dois.
— Bom dia. - os dois falam juntos.
— Está indo para onde? - pergunta meu pai. Vou até a geladeira e pego a garrafa de água.
— Correr. - respondo. Ontem demorei um pouco para pegar no sono e tudo porque sai da minha rotina. Meus dias normalmente são corridos e com isso conseguia dormir no momento em que deitava na minha cama. O acúmulo de energia por falta do que fazer, está começando a afetar meu sono e para evitar futuros problemas, resolvi correr por algumas horas até voltar para a academia lá em Los Angeles.
— Sei que você não mais uma criança, mas toma cuidado. - diz meu pai e eu sorrio.
— Pode deixar. - me despeço dos dois e antes de sair, vou até meu quarto pegar meu fone sem fio.
Ao som de Despacito, paro um pouco para recuperar o fôlego. Apoio as mãos no joelho e tento controlar a minha respiração. Acabei me empolgando, o que deveria ser só uma corrida pelo bairro, acabou comigo indo até o centro da cidade.
Com o fôlego recuperado, começo a andar pela calçada e uma ideia de dar uma olhada de ver o vestido para o casamento surge na minha mente. Começo a andar em direção a loja em que Christopher trabalha quando alguém me chama.
Demoro alguns segundos para encontrar Joel no outro lado da rua.
Sorrindo vou até ele.
— Caiu da cama? - pergunta ele depois de me abraçar.
— Quase isso. - rio. — O que faz aqui?
— Trabalho aqui perto. E você?
— Dando um volta. Ficar em casa já estava me cansado. - respondo. — E ai, como vai as coisas? - pergunto. Depois da festa que teve na casa dos meus pais não o vi mais.
— Bem e com você?
— Mesma coisa.
Joel olha no relógio no seu punho.
— Olha, não tenho muito tempo. - diz e não consigo evitar fazer uma careta, o que faz ele rir. — O que acha da gente almoçar? Precisamos colocar o papo em dia.
— É uma boa ideia. - digo sorrindo. Estava mesmo pensando em chamá-lo para passarmos um tempo juntos, só jogando conversa fora.
— Me passa seu número, que te mando o lugar e horário. - ele me entrega o celular, que depois de anotar meu número devolvo a ele. — Prepara o ouvido, que tenho muito coisas para te contar. - dá tapinha no meu braço.
— Pode deixar. - digo rindo.
…
— Aqui, para refrescar um pouco. - meu pai me entrega um copo de suco. Acabamos de limpar a garagem que estava uma bagunça. O lugar parece até maior sem aquela tralha toda.
— Obrigada. - agradeço e bebo o líquido de um só vez.
— Eu que agradeço pela ajuda. - ele para ao meu lado e analisa o lugar agora limpo e organizado. — Fazia tempo que eu estava querendo dar um ajeitada nesse lugar, mas nunca que a coragem veio. - brinca.
— Tem certeza que não tem problema eu levar essas coisas? - pergunto me referindo a câmera analógica, e alguns discos de cantores antigos.
— Tenho. - responde. — Até prefiro que você leve, pois se elas ficarem aqui, tenho certeza que sua mãe irá jogar fora.
— Já que é assim. Vou levar! - meu celular começa a tocar e é o alerta que coloquei para não perder o almoço com o Joel.
Explicou ao meu pai que vou precisar sair e depois corro para meu quarto para me arrumar.
Entro no restaurante e sorrio quando encontro Joel sentado em uma das mesas. Vou até ele.
— Hi Lorena! - digo chamando sua atenção, já que o mesmo se encontrava mexendo no celular.
— Oi. - diz ele se levantando e damos um abraço. — Sente-se. - pede e assim faço.
O garçom aparece segundos depois e Joel, que parece ser bem familiarizado com o lugar, o cumprimenta antes de fazer seu pedido. Eu peço o mesmo que o meu amigo.
Iniciamos uma conversa enquanto esperamos a comida.
— Você vai ser padrinho ao lado de quem? - pergunto depois de dar um gole no meu suco de laranja. Como melhor amigo do noivo, já era de se esperar que ele seria o padrinho.
— Lembra da Nancy Parks?
— Aquela loira que fazia aula de química com a gente? - pergunto e ele balança a cabeça confirmando.
— Vou entrar com a irmã dela, Sidney.
— Acho que não conheço ela. - digo depois de buscar na mente algum vestígio dessa tal Sidney, mas não vem nenhum.
— Acho que não. Sidney morava em Londres com o pai e se mudou ano passado pra cá. - explica. — E você, vai entrar com quem?
— Com ninguém. - respondo normalmente. — Não fui chamada para ser madrinha.
— E conhecendo você como conheço, tenho a certeza que não aceitaria o convite.
— Não mesmo! - digo e ele ri. — Mas tipo, se fosse para entrar com você. - ele me olha. — Eu até faria um sacrifício. Claro que beberia uma garrafa de whisky antes. - brinco.
...
— E como está o coração? - Joel pergunta cruzando os braços sobre a mesa. Acabamos de almoçar e posso dizer que a comida estava fantástica. Joel escolheu perfeitamente bem esse lugar. Agora só está faltando a sobremesa para encerrarmos com chave de ouro.
— Pelo que sei, está bem. Não tive tempo de ir ao médico para ver como ele está.
— Que bom que você não tem nenhum problema cardíaco, mas não foi disso que eu quis dizer.
— Eu entendi. - digo. — Só estava brincando. E meu coração está bem, romanticamente falando. E o seu? - pergunto.
— Como sempre. - diz suspirando. — Estou procurando um amor pra a chamar de meu.
— Uau, nunca imaginei que ouviria você dizendo isso. - digo surpresa. Joel sempre foi um espirito livre, nunca foi fã de relacionamento. Ouvir ele falando que está procurando alguém é novidade. — Mas quem sabe você não acaba encontrando esse amor. Dizem que estávamos destinados a encontrar o amor em lugares em que mesmo esperamos.
— Que Deus te ouça. Estou cansado de ser o único solteiro do rolê. - diz eu rio. — Não tem nenhuma amiga lá de Los Angeles para me apresentar?
— Infelizmente não. - lamento. — Mas se você estiver procurando um novo parceiro de festa, tenho meu amigo Richard. Ele praticamente vive de balada em balada lá em LA.
— Preciso conhecer esse cara.
— Quando você por lá me visitar, eu apresento vocês.