O dono da festa

4121 Words
Geralmente, Will não ia a festas. E geralmente ele não bebia — beber deixa bêbado (é óbvio), e estar bêbado é não ter cem por cento do controle e noção do que faz. Mas Will também nunca costumou correr atrás de ninguém antes — e ele estava correndo —; não costumava sentir ciúmes — e estava sentindo assim como correndo atrás, e bebendo, e festejando, e perdendo os cem por cento do controle e noção… e vendo Darian dançar com um garoto qualquer próximo ao sofá que parecia ser caro, na sala: uma perna entrelaçada na do garoto, enquanto mais pareciam rebolar no quadril um do outro, em vez de dançar música pop como Will achava que deveriam estar fazendo. O garoto era Elton. Eles eram namorados antes, o Darian e o Elton, ou algo próximo disso, mas parece que eles não estavam indo muito bem. Segundo o que Joana lhe informou, Elton era meio babaquinha: não lia os rascunhos do Darian (que aparentemente queria ser escritor, no futuro), não parecia fazer questão de assumir o relacionamento deles nem pra uma mosquinha de padaria sequer (embora o assunto já corresse solto pelos corredores da escola — prova disso é que a Joana soube, para poder contar a Will), e também parecia que Elton traía Darian com um garoto — esse, sim, assumido pra quem quiser ver — chamado Lee, da mesma turma dos dois. Se Will fosse o namorado (assumido) de Darian, ele sempre leria os seus rascunhos; gritaria pra Deus e o mundo ouvirem que eles dois eram namorados; e nem sonharia em beijar outra pessoa sem que Darian autorizasse/se excitasse com isso e pedisse pra ver. Por Darian, Will iria a uma festa com pessoas que ele não conhecia ou gostava, ou que não conhecia nem gostava, só para vê-lo de novo — mesmo que fosse para assisti-lo se rebaixando ao ponto de esfregar seu colo no colo do seu ex-não-namorado-de-verdade na primeiro gole de álcool, na primeira música agitada da noite, na primeira recaída. E Joana, que era a sua melhor amiga, e por isso deveria agir como uma, não pôde acompanhar com Will daquela vez. Não quis acompanhá-lo. “Segunda-feira tem as provas finais”, ela disse. “Só gente desocupada, despreocupada com o futuro faz uma festa em pleno domingo, e só gente tão despreocupada quanto vai a essas festas”, ela disse. Foi uma óbvia indireta a Will, um óbvio puxão de orelha, o qual Will não estava nem aí. Em vez disso, ele estava confiante. Estava apaixonado. E Will foi àquela droga de festa mesmo assim, sem Joana. E não tinha problema se ele não gostasse de bebida: Will não precisava gostar dela, só engoli-la. Coragem líquida. Até que não era r**m, a batida de maracujá com sabor de estou-fazendo-algo-errado-não-deveria-estando-aqui. Só um pouquinho ácida, é verdade, mas nada mais. Quem a serviu para ele foi uma tal de Elisa — a mesma Elisa que o orientou a deixar as chaves de casa e do carro (caso ele tivesse um, e tinha) num dos recipientes do balcão à entrada, assim como celular ou qualquer coisa que “possa te desconectar da gama de experiências sensoriais que a festa prometia proporcionar a Will”. É que Elisa era hippie, sabe; só metade hippie, na verdade, e ela costumava fumar demais às vezes. Mas até que ela fazia uma boa batida — não que Will fosse notar a diferença entre uma boa batida e uma r**m, já que nunca provara uma antes. Foi também Elisa quem anunciou o joguinho que atrairia a quase todos que estavam ali na festa para, ou participar, ou assistir: — O nome do jogo é Body Shot. E eu vou explicar as regras. Body o quê? — Shot — repetiu Elisa. — E é bem autoexplicativo. — Tão autoexplicativo que Elisa, de fato, não precisou e nem quis explicar. Will apenas ficou observando. — Quem vai ser o primeiro? — O dono da festa, é claro — disse alguém ao fundo, que vinha abrindo caminho pela pequena multidão naquela nem tão espaçosa sala de estar. O alguém era Elton. É claro. E o dono da festa era Darian. — Só pode ser. — É claro. Só pode ser — Elisa reiterou, revirando os olhos, mas já buscando a garrafa de tequila e os pedaços de um limão na geladeira. — E o dono da festa será o shot ou o body? — E o que você acha? — questionou Elton, por trás de um sorriso presunçoso. — Bem, eu acho que temos um presidente de merda, que não vai demorar muito para eclodir uma Terceira Guerra Mundial e que a primeira frase que você disse assim que te alfabetizaram foi “só se for nesse teu cu”, assim como eu acho muitas outras coisas. — E ela ainda brincou: — Ou não estou certa? — Claro que está. Mas só se for nesse teu cu — Elton lhe respondeu. E, apesar de não ser fácil reconhecer à primeira vista, esses dois eram amigos. Talvez fosse assim a relação entre Elton e os seus amigos, mas Will não estava nem aí. Ele estava prestando atenção em Darian agora, atrás de Elton. Esperando. Esperando para saber a próxima ordem, o que fazer em seguida. — É óbvio que você ia escolher body pra ele — prosseguiu Elisa. — Mas, não sei se chupar tantos cus te deixou um pouco surdo, mas eu perguntei ao dono da festa o que o dono da festa vai querer. O dono da festa quer que você, Elisa, pare de se referir ao dono da festa em terceira pessoa, já que o dono da festa está presente enquanto decidem o seu destino do dono da festa. Elton fez um muxoxo, ocasionalmente vencido. Conformado, decidiu gastar energias no que importava nesse momento: encarar Darian para saber que ele iria (ceder à sua pressão evidente para) escolher o que Elton queria que ele escolhesse, aquilo Elton já havia dito em seu nome, sobre qual posição Darian iria querer nessa brincadeira. Tudo mastigadinho. — Pode ser body mesmo — murmurou Darian. — Ótimo. Que surpresa. — E Elisa já foi logo afastando as embalagens e copos de plástico usados em cima da bancada, derrubando-os no chão ao abrir espaço para a garrafa de tequila, os pedaços de limão e, agora, um vidrinho de (Elton) sal. — Deite aí — ordenou a Darian — e tira a camisa. — Darian obedeceu. Como sempre. Às vontades de Elton. Deitou-se ali, dessa vez só de calça; não conseguindo parar de pensar no quanto aquilo era excitante — pelo menos, ficava repetindo isso em mente para se lembrar que era —, e só seria mais excitante se fosse ele quem desse as ordens. — E quem fará o shot nele? — inquiriu Elisa à multidão, com um sorriso no rosto. Alguém lá no fundo, uma voz masculina, respondeu: — Eu! E Elton retrucou, a quem quer que fosse: — Só se for nesse teu cu! — E tratou logo de tirar a jaqueta que usava, e a camisa. “Para não sujar”. Antes de Elisa terminar de aprontar tudo, antes de ele ser autorizado e antes mesmo de Darian perceber, Elton já estava em cima de si. Lindo, alvo e esbelto, com mechas do cabelo roçando levemente nas bochechas e lábios dele enquanto seus peitoral e abdômen estavam colados, se atritando, “para achar a melhor posição” — Elton responderia como desculpa a quem perguntasse, e sorrindo. Não tinha jeito: Elton ainda era incrivelmente lindo, e, apesar de tudo, atencioso também, e era por isso que Darian estava tão fodidamente apaixonado por ele… por cada toque, músculo do corpo dele no seu, quente e sempre tão… perigosamente seguro… seguramente perigoso. — Por que está tão nervoso? — Elton perguntou, com nada mais do que um sussurro. A essa altura, Elisa já estava medindo uma dose de tequila e separando um pedaço de limão, enquanto Will se aproximava cada vez mais da cena, agora bem próximo à bancada da cozinha, praticamente sobre ela. Porque ele (não) queria ver aquilo. — Eu não estou nervoso… — Darian disse. — E agora por que está mentindo pra mim? Ao redor, a pequena multidão borbulhava, ansiosa por uma demonstração de sensualidade juvenil e tensão s****l; pra ver aqueles litros todos de álcool ingeridos culminarem em algo valesse a pena; algo no mínimo engraçado. Ou sexy. Ou, se não engraçado nem sexy, que desse treta. E haveria algo melhor para isso do que alguém que namora fazendo um body shot no amante, em público? Haha, sim, pode apostar: aqueles benditos litros valeriam o dinheiro gasto neles, e seria naquela noite mesmo, meu bom amigo. — Eu te fiz uma pergunta, p***a. — Eu não estou… — principiou Darian num sussurro, recomeçando a mentir; mas se corrigiu: — Não gosto de toda essa gente olhando… — Eu gosto — respondeu Elton. — Gosto um pouco. Ou um pouco mais que um pouco. Me excita. Não te excita? — ele sorriu, roçando os lábios na bochecha de Darian, encaixando sua perna direita entre as dele, o acariciando ali enquanto Elisa, brava, pedia para eles pararem com isso e seguirem a brincadeira. Mas a multidão estava gostando, já uivando com o aperitivo. E Darian já estava quase todo duro… apertando as extremidades da bancada. E Will, apertando os punhos. — Você — confessou Darian —, você é o que me excita. — E dessa vez ele estava dizendo a verdade. — Então não seja egoísta e faça isso por mim. — Darian assentiu. Will iria embora. Ele iria mesmo fazer isso. Entretanto, a multidão o cercou. Agora, ele nem conseguia ver as bandejas com suas chaves e celular, no meio de toda aquela massa humana. Estava encurralado, obrigado à tortura de assistir ao que viria em seguida. — Okay — retomou Elisa. — Darian. Escolhe uma parte do corpo. — E é melhor pensar bem no que vai dizer — Elton alertou. Enquanto Darian meditava, querendo mesmo “pensar bem no que ia dizer”, seu olhar fugiu do de Elton, vagando pelo mar de rostos ao seu lado — rostos ansiosos e sorridentes —, encontrando o de Will por acaso. Lá estava ele: o garoto que Dean havia comentado vez ou outra, ou vai ver nem numa vez, nem noutra. Não importava. Darian não sabia muitas coisas sobre ele: só que se chamava Will, e talvez também, e que ele o estava encarando de um jeito quase… aflito? Magoado? Ou vai ver aquela fosse a expressão que Will fazia quando achava alguma cena muito sexy. Mas o spoiler é que: não, não era. E Darian não tinha que se preocupar com isso; no lugar, outra urgência lhe martelava a cabeça. E o nome dela era Elisa — Vamos, Darian! Tem gente que ainda quer encher a cara hoje — ela exigiu. Darian não funcionava bem quando observado. Esse não era o seu jogo, e Elton sabia disso — o que deixava tudo, para ele, ainda mais excitante: saber que, para Darian, não era tanto proveitoso quanto, e que por isso ele estava nas mãos de Elton. Na verdade, sob o corpo de Elton. — Eu quero… na virilha. Elton riu para Darian, muitíssimo satisfeito com a resposta. Bom garoto. Já Will, pelo contrário, desviou o olhar, tentando fazer sua atenção se perder nas luzes fluorescentes, nas embalagens descartáveis se aninhando ao chão, ou em qualquer coisa a não ser naquela atração ridícula da qual ele não poderia se levantar da arquibancada e ir embora. Uma plateia volumosa lhe obstava a passagem das escadas, e até as saídas de emergência. Mas, também, não resistia a ver. Ele precisava ver: precisava ver Elisa estacionar, com uma cara de tédio, mas com um certo sorrisinho no rosto, ao lado deles e pôr, nos lábios de Darian, um pedaço do limão, com a polpa virada na direção a Elton, enquanto sussurrava um “se comportem” para os dois; logo se corrigindo: “se comporte”, avisou a Elton. Depois, foi derramando generosamente um filete, uma trilha de tequila do umbigo de Darian, até onde atingia os pelos rasos dele, sob a calça, o qual nada se poderia ver, mas que, ainda assim, isso não seria um problema para Elton, se ele estivesse empenhado. E estava. Eu não preciso te ver pra saber que você, gatinho, é meu. Então era disso que Darian gostava? Era assim que ele curtia ser tratado? As dúvidas martelavam a mente de Will enquanto ele tentava, ao mesmo tempo, acompanhar o que ia acontecendo a seguir. Por fim, e esse era o toque final de Elisa Hyuuga, ela polvilhou com sal o umbigo de Darian, que já acumulava ali um pouco de tequila. Ansioso, Elton já foi se posicionando, aos incentivos de “body shot! body shot!” da torcida animada ao seu redor. Ele pairou seu olhar sobre o de Darian, sobre o corpo dele, à altura da sua boca, do quanto seu rosto estava aquecido pela vergonha. Elton reclinou o pescoço para frente, e então ele pescou a lasca de limão posicionada na boca de Darian, espremendo-a ali mesmo, sobre os lábios dele, e ambos sentiram aquele sabor adstringente que escorria pelos cantos. Elton ainda fez questão de lamber alguns dos veios acres que escoavam pelo queixo até o maxilar de Darian. Eu foderia você agora, sabia?, o olhar de Elton dizia, com um sorriso. Ele foi descendo por Darian, acompanhando a perfeição daquele corpo, inspirando o cheiro da sua submissão, da sua pele, em seguida suspirando sobre ela; acariciando-o com a sua respiração de ventos gelidamente quentes que arrepiaram da base da sua coluna até os pelos da sua nuca, sempre que Darian tentava conter um arfar, um gemido que fosse. Quando chegou à altura do torso, por ora Elton apenas admirou a sua nova (e deliciosa) tarefa à frente, aquela tela em branco cuja a tinta ele possuía, e que só estava esperando para ser pincelado até se tornar nada menos que uma obra-prima. A sua obra-prima. Só do Elton, e ele faria Darian se lembrar disso também. Sobre o abdômen magro e bronzeado da tela de Elton, a tequila reluzia feito pérola derretida, valsando sobre os pelos do abdômen, sempre que Darian suspirava pesado: a bebida deslizando de gota em gota, mais e mais pelas suas costas. Elton, acima dele, já estava salivando. Antes de tudo, inspirou de novo, deixando um selinho no V do quadril de Darian, sentindo aquele gosto meio salgado, meio alcoólico e meio acre, mas adorando. Darian suspirou pesado, agarrando-o desde já pelos cabelos; e Will, com o maxilar trincado, se esforçou para continuar assistindo: Elton resvalando a língua sobre o umbigo de Darian, sorvendo toda salinidade e tequila. Não contente, mesmo limpo, Elton se demorou mais na tarefa já feita: circulando Darian com a língua áspera, incisiva e cada vez mais úmida, até ele gemer à atenção de todos os que estavam próximo àquela bancada; para que todos os que não estavam com suas audições ocupadas demais tentando absorver as batidas Alok tocando ao fundo soubessem que aquela tela ali, aquela obra-prima, que aquele Darian pertencia a Elton, ainda que, oficialmente, era o tal do Lee quem lhe pertencia. Não importava: Elton tinha tanto o Lee quanto o Darian também; ele era um colecionador. f**a-se. E faria aquele leilão, aquela demonstração da sua propriedade, ali, frente a todo mundo, valer cada centavo gasto. Descendo cada vez mais, acompanhando o rastro de bebida que estava derramada, Elton alcançou finalmente a barra da calça de Darian, olhando de soslaio, com certa graça, para ele. Darian, por sua vez, achou o gesto tão sexy… Ele, nu da cintura pra cima, encarando-o com tamanho desejo… Mas, implicitamente, Darian estava implorando para Elton não fazer isso, não ir além dos limites só pra mostrar pros seus convidados. Por favor, eu já sou seu. Eles sabem. Todos sabem agora, o olhar dele dizia. Entretanto, Elton não estava convencido. Ele estava marcando território. O seu olhar a Darian era de aviso. Não de permissão. Por isso, seguiu caminho. Sua língua, tão hábil quanto escorregadia, foi afundando, se injetando entre o tecido do cós da calça, querendo o líquido que se abrigava além da vista de Elton, mas que ele fazia questão de buscar, até encontrá-lo e sugá-lo todo. Seu gostoso. Elton não sabia se era a salinidade do punhado que Elisa adicionou de última hora no jogo, ou a acidez do limão, ou o efeito alcoólico da tequila em si, ou mesmo a exultação de “body shot! body shot!” da plateia atrás de si, ou ainda o fato de ser Darian concretizando o seu fetiche para ele, estando tão entregue, tão lindo, tão úmido, tão molhado pela saliva e pelo desejo de Elton, por como ele o desejava; mas o que Elton sabia era que ele não conseguia parar agora. Impiedosamente, foi descendo um pouco mais a barra da calça de Darian, evidenciando a marca de sol da sunga do seu amante para o grande público, se orgulhando disso, pois não perderia tempo, logo o cobrindo de selinhos, de lambidas lentas e pesadas, de beijos quentes e ansiosos por novos sabores (todos os novos sabores de Darian que estivessem disponíveis no cardápio). Ele deixava os pelos de Darian fazerem cócegas na sua gengiva e acariciarem a porosidade da sua língua, dos seus lábios, enquanto sua mão insistia firme, agarrando o cós da calça. Os dentes de Elton, que roçavam também na sua pele, faziam cócegas igualmente. Darian, agora, o segurava pelos cabelos com uma mão e, com a outra, tentava hastear de novo a barra da sua i********e, com um olhar suplicando para que “Elton não faça isso, por favor, para! Já deu!”; mas Elton não estava nem aí. Ele queria Darian quase que inteiro ali. Ele sabia dos limites que não deveria ultrapassar — isto é, os limites que ele achava que não deveria ultrapassar —, e não pretendia fazê-lo, de fato, mas sim ir até onde desse: Elton queria sedentamente alcançar o máximo das bordas do paraíso que era Darian, para só aí retornar ao seu purgatório, satisfeito. Mas Darian não sabia que Elton tinha tudo planejado, que não o deixaria pelado, e******o e exposto para que todos os seus convidados, todos os seus conhecidos e não conhecidos da escola o vissem daquele jeito. Darian, ao contrário de Elton, estava entrando em desespero — coisa que a plateia de uivantes, aos poucos, também foi percebendo, e portanto cessando os incentivos. “Isso já está erótico demais”. Até bêbados desmiolados como eles conseguiam perceber isso. Todos estavam começando a se assustar. Menos Will. Will, por sua vez, estava determinado. Com raiva. Foi quando, em alto e em bom tom, se revirando sobre a bancada, Darian disse... (— Elton! Para, Elton, que droga! Para com isso agora!) … que Will agiu. Empurrou Elton para trás com um soco, e ele acabou tropeçando nos próprios joelhos, até escorregar e despencar de pé — que reflexo incrível… — ao lado da bancada. Elton o encarava agora como se fosse matá-lo; uma bancada e um Darian entre eles, antes disso. A primeira coisa que Darian fez, nesse momento, foi reerguer a barra da calça. Respirou fundo em seguida, recompensando os batimentos cardíacos só depois. Encarou a cena rapidamente, e logo jogou o quadril para o lado, decidindo se colocar mesmo entre aquele tal de Will que ele vira poucas vezes e Elton, que já caminhava com um soco armado na direção ele. — Elton. Não. Já chega. — Não fica no caminho — avisou. — Senão, sobra pra você também. Aliás, quem é esse babaca? E por que ele está aqui? — E decidiu perguntar diretamente ao babaca: — Ei, babaca, quem é você? — Elton ainda armado pelo punho rígido. — E por que está aqui? Will, calado; apenas fitando Darian. Assegurando-se de que ele estava bem. Ignorando Elton. — Ei, filho da p**a. Estou falando com você. — Elton ergueu um dedo em direção a ele dessa vez, jogando o corpo em proatividade; Darian seguindo-o no caminho, tentando apartar aquilo antes mesmo que começasse. Já a plateia, ah, ela estava ansiosa. Aquilo sim era uma festa: bebida, um pouco de drogas, demonstração juvenil de falta de pudor e uma boa treta com porrada, e olha que a noite estava só começando. Ouvia-se agora não mais uivos, e sim “ai, ai, vai deixar, vai?”. — Elton — Darian agora falava sério, ainda mais sério que antes —, para com isso. Eu estou mandando. Elton se virou para ele; a expressão de raiva substituída pela de uma surpresa risonha: — Ah é? Você está mandando, eu ouvi direito? — Isso. Elton se aproximou de Darian, daquele rostinho lindo dele, resvalando os lábios na curva do pescoço que já cansara de deixar marcas, e sussurrou: — E se eu não estiver a fim? E se eu quiser cobrir o seu novo amiguinho de porrada aqui mesmo? — Então eu vou te mandar ir embora. — E se eu não quiser também? — Não perguntei se você quer. A festa é minha. — E você é meu — argumentou Elton. — Então a festa, na verdade, é minha. Só se for nesse teu cu, Will se pegou pensando. Seu punho também estava fechado, aguardando algum deslize de Elton, qualquer coisa que fosse, só pra ter alguma desculpa para meter uma porrada naquela cara presunçosa e pálida dele. — Não. Acho que não sou, não — retrucou Darian. — O Lee é seu. Eu sou só alugado. Não é isso? — O olhar de Darian, então, demonstrou toda a mágoa guardada há semanas de acúmulo. — Darian, nós não… — É melhor você ir agora, Elton — Elisa chegou, apaziguadora. — Vai, cara. Qual é. Não estrague a noite pra todos aqui. Tem um garoto que eu estou encarando desde o começo da festa, e se eu perder um shot dele por sua causa, Darian será o menor dos seus problemas hoje. Mas nem parecia que Elton estava ouvindo. Ele não tirava os olhos de Darian, que, por sua vez, também não recuava. — É melhor você ouvir o que ela está dizendo — afirmou Darian. — Não faz isso. — Pelo menos dessa vez, parecia mais um pedido do que uma ordem ou uma ameaça. — Não faz isso, Darian. Você quer que eu me desculpe, é isso? Eu me desculpo. Na frente deles. — Apontou para a plateia. — Não. Eu quero que você vá embora. — Não vai nem me deixar falar? — Não quero conversar agora, Elton. — Não disse conversar. Disse me deixar falar. — Também não quero. Elton o fitou com o maxilar trincado. Encarou Will, sobre os ombros de Darian, que assistia à cena com fixação. Era ele, Will, o responsável disso tudo, da intriga toda, aquele viadinho. Elton arrebentaria os dentes dele uma outra hora ou outra, pode apostar. — Bom saber que seu mais novo amiguinho aí já está te influenciando. — Você sempre foi influenciável mesmo, e por qualquer merda. — Mas eu vou lembrar disso quando você vier reclamar que eu não te ouço como você acha que eu deveria, já é? E essa foi a última coisa que Elton disse antes de se enveredar pela densidade daquele público massivo e ansioso; antes de buscar seu celular e chaves de casa num dos recipientes na entrada; e então Eltonr do apartamento batendo a porta. Darian respirou aliviado. — Anda, gente, vamos para o próximo — retomou Elisa, dando a deixa para Darian sumir no meio daquela jeito toda; indo chorar no quarto ou no banheiro, talvez. — Melhor dizendo, a próxima. Ei, você — Elisa apontou para o cara que estava encarando desde o começo da festa —, tá a fim de fazer um shot? — O garoto assentiu. — Legal. E assim o jogo continuou. Will, entretanto, não o acompanhou para saber como fluía, agora que não havia mais o Darian. E até quis ver como ele estava, mas achou que não tinha i********e o bastante para isso, e estava certo. Não foi porque fez o mínimo que agora eles eram amigos — quanto mais a esse ponto. Não. Will fez o que deveria fazer o que veio fazendo desde o começo: ficou no seu canto, observando, aguardando um milagre acontecer, ou quem sabe Darian ter pena dele e acariciá-lo com um “oi” que fosse, e isso já estaria de bom tamanho. É.
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