Capítulo 16

1682 Words
Luís estava na biblioteca e ficaria lá até o intervalo terminar. Era mais seguro para ele. Ninguém o perturbaria aqui. Ele pensou que poderia ficar o resto do intervalo aqui e descansar um pouco, mas seus planos foram quebrados pouco tempo depois de pegar seu caderno, seu celular vibrou com uma mensagem. De Eduardo: Vem até o laboratório. O corpo de Luís gelou e sua mão tremeu. Ele sabia que a qualquer momento aquela calmaria iria terminar e que o terror voltaria, tanto que até tentou se preparar mentalmente. Mas não funcionou. Ele nunca se acostumaria. Embora tremendo, Luís se levantou e arrumou suas coisas indo até onde Eduardo mandou. O laboratório em questão era o de química. O lugar havia sido fechado para manutenção por causa de um acidente em um experimento durante um aula. E bem, Eduardo usava para t*****r quando tinha vontade ou se estava estressado. — Você demorou. Foi a primeira coisa que Eduardo disse assim que chegou. Luís vacilou. Ele veio o mais rápido que pode, o laboratório era no quarto andar e a biblioteca ficava no primeiro. — E-eu estava na biblioteca. Desculpa. — Luís abaixou o rosto mordendo os lábios, nervoso. — Tranque a porta. Luís apertou suas mãos tentando segurar seus dedos trêmulos e trancou a porta. Seu coração estava batendo tão rápido que ele podia ouvir. O silêncio da sala foi quebrado com o som de Eduardo desafivelando o cinto. O homem não disse nada, mas Luís sabia o que tinha que fazer. Mas ele simplesmente estava travado. O pequeno abriu e fechou a boca diversas vezes. Pensou em pedir que Eduardo não fizesse aquilo mas estava com medo. Luís engoliu o grande bolo em sua garganta ainda sem se mexer. — Por quê você ainda está aí parado? Devo forçá-lo sempre? — Eduardo falou com raiva aparente. Luís apertou os olhos com força e negou rápido com a cabeça. — Po-podemos fazer isso em casa, Eduardo? Por favor... Luís disse tão baixo que achou que o outro não o escutou. Mas Eduardo terminou de abrir a calça e foi até ele. Luís ainda tentou se preparar para o que viria mas foi tão rápido. Eduardo o puxou pela nuca e o jogou sobre a mesa do professor. Luís acabou batendo as costelas com força na borda da mesa. Doeu muito. — Eu estou e******o agora, e quero f***r agora. Você tem alguma objeção? Eduardo estava agachado perto de si, o cinto em suas mãos deixava Luís ainda mais trémulo. Ele sabia o que aconteceria se dissesse alguma coisa errada. Então apenas negou com a cabeça e com dificuldades se levantou, usando a mesa de apoio. Ele então desafivelou sua calça e abaixou a mesma, deitando-se de bruços na mesa do professor logo em seguida. Luís tapou a boca e fechou os olhos com força, aguardando a dor. Luís sentiu as mãos de Eduardo na sua b***a afastando as mesmas. Não demorou muito para o pênis duro tentar forçar sua entrada. Sua respiração estava pesada e ele mordia com força seus dedos. — Relaxa, p***a! — Eduardo disse entredentes e Luís sentiu um tapa forte em sua b***a. — D-desculpa... — Luís respondeu com a voz embargada. Ele realmente estava tentando fazer o que Eduardo disse mas parecia impossível. Luís tentava respirar pelo nariz ao mesmo tempo que mordia seus dedos com força, tentando suportar as estocadas brutas e animalescas de Eduardo. ******* Luís estava trancado em uma das cabines do banheiro daquele mesmo andar. Ele estava agachado, os joelhos dobrados contra o peito, e chorava abraçado a si mesmo. As lágrimas escorriam silenciosas, molhando sua camisa amassada, enquanto seu corpo tremia. Depois que Eduardo se satisfez e foi embora, Luís ficou parado por longos minutos, encarando o teto sem ver nada. O vazio que ele sentia por dentro parecia ecoar no espaço ao seu redor. Quando finalmente conseguiu reunir forças, ele apenas teve energia para mancar até o banheiro, cada passo uma luta contra a dor física e emocional que o dilacerava. Ele tentou se limpar o melhor que pôde, mas a sensação de sujeira parecia impregnada em sua pele, como se não pudesse ser lavada. Trancado na cabine, o silêncio do banheiro era quase ensurdecedor, interrompido apenas pelos soluços que ele tentava abafar pressionando o punho contra a boca. O cheiro forte de desinfetante misturado ao suor e ao gosto metálico do desespero fazia o estômago de Luís revirar. Ele estava com muita dor, e eram múltiplas. Seu corpo doía, seu traseiro doía, seu coração doía. Mas havia algo ainda mais devastador: a dor invisível, aquela que ninguém podia ver. A dor que se alojava em sua mente, sussurrando coisas horríveis, minando qualquer resquício de esperança que ele ainda pudesse ter. Ele não sabia se era o desespero de acabar logo com todo esse inferno, mas Luís estava começando a ter pensamentos que antes não tinha. Pensamentos sombrios, perigosos, que pareciam oferecer um alívio c***l e tentador. Ele só… ele só queria poder acabar com tudo. A ideia flutuava em sua mente como uma promessa de paz. O alívio final. Sem dor, sem medo, sem Eduardo. Luís parou de chorar abruptamente quando escutou a porta do banheiro sendo aberta. O som das dobradiças ecoou como um trovão em sua mente já saturada. O pânico tomou conta dele em um instante. Rapidamente mordeu os lábios, travando o próximo soluço, e tentou respirar sem fazer barulho. Seu coração batia forte, dolorosamente, como se quisesse escapar de seu peito. A pessoa seguiu rapidamente para a cabine ao lado. O som dos passos firmes e o ranger da porta sendo fechada fizeram Luís sentir-se encurralado. O medo irracional de que pudesse ser Eduardo o fez agir por instinto. Desajeitadamente, ele se levantou, engasgando um soluço por conta da dor lancinante que percorreu suas pernas. Seus joelhos cederam brevemente, mas ele se obrigou a manter-se em pé. Com os olhos marejados e o corpo trêmulo, ele empurrou a porta da cabine e saiu rapidamente. Cada passo era um esforço hercúleo. A parede se tornou seu apoio, o contato frio dos azulejos contrastando com o calor febril de sua pele. Mesmo assim, ele caminhava rápido, como se pudesse fugir da dor se não parasse. — Luís? A voz fez seu corpo inteiro congelar. Ele não parou nem olhou para trás. O medo era uma sombra constante. Temia que fosse algum garoto querendo fazer bullying com ele, e ele já teve sua dose de dor hoje, não aguentaria mais nada. Mas antes que pudesse escapar, uma mão segurou seu braço, forçando-o a parar. Luís gritou, um som rouco e desesperado que ecoou pelo banheiro vazio. Ele se virou bruscamente, esperando o pior. — Hey, calma! — Alex o soltou rapidamente, surpreso com a reação do menor. — Eu só queria saber se você está bem. Você parece m*l, cara. Luís respirava ofegante, tentando controlar o pânico que ameaçava sufocá-lo. Ele olhou ao redor, procurando uma rota de fuga, depois baixou o olhar para o chão, incapaz de encarar o outro garoto. — E-eu estou… — A voz saiu fraca, quebrada, um sussurro que m*l parecia pertencer a ele. — Ale, você sabe se… — Uma terceira voz ecoou pelo corredor, interrompendo-se assim que bateu os olhos nos dois parados em frente ao banheiro. Luís olhou rapidamente para Nick, mas abaixou o olhar imediatamente, envergonhado. — Luís? — Alex voltou a chamá-lo, o tom agora mais suave, quase um sussurro. Mas para Luís, era simplesmente demais. Ele não tinha energia para falar mais nada. Não queria explicar, não queria justificar. Ele só queria desaparecer. Então, ignorou o moreno com o semblante confuso e se afastou com passos largos, ignorando a dor que consumia seu corp. Alex e Nick continuaram a observá-lo caminhar até desaparecer pelo corredor. Era perceptível que algo estava errado. Apesar de tentar disfarçar, dava para ver sua dificuldade em andar, o modo como se encolhia, como se tentasse ocupar o menor espaço possível. — Você já estava matriculado aqui quando ele chegou, certo? — Nick quebrou o silêncio, sua voz carregada de uma curiosidade desconfortável. Alex assentiu, os olhos ainda fixos na direção por onde Luís havia desaparecido. — Ele sempre foi assim? Digo, ele parece que tem medo das pessoas. Alex suspirou, passando as mãos no rosto, como se isso pudesse afastar a inquietação que começava a crescer dentro dele. — Eu nunca fui próximo dele. Na verdade, nunca tentei ser seu amigo, — confessou. — Mas lembro vagamente que, nos primeiros dias de aula, ele tinha uma personalidade viva e alegre. Seu rosto era iluminado, sabe? Ele parecia ter muita vontade de fazer novos amigos. — Alex franziu o rosto, tentando se lembrar de detalhes que agora pareciam importantes. — Mas, de repente, um dia ele apareceu totalmente diferente. Parecia que sua luz havia sido apagada. Não lembro de vê-lo sorrir desde aquela época. Nick mordeu o lábio inferior, a curiosidade e a preocupação se misturando em um nó apertado em seu peito. — Eu reparei que ele e Eduardo chegam sempre juntos e vão embora juntos. Eles estão… juntos ou algo assim? — Nick perguntou, hesitante, enquanto começavam a andar em direção às suas salas. — O pai de Eduardo se casou com a mãe do Luís depois de se divorciar. Desde então, eles vivem juntos. Já faz mais de um ano. — Entendo… — Nick cessou suas perguntas, mas sua mente continuava girando, cheia de pensamentos e suposições. Quando entraram na sala, o loiro não pôde evitar procurar por Luís. Seus olhos o encontraram imediatamente, encolhido em um canto, o rosto pálido e a expressão vazia. Parecia ter piorado duas vezes mais desde a última vez que o vira. Nick franziu a testa, o coração apertado. Ele deveria fazer alguma coisa. Mas o que? Não queria ser invasivo e levar um fora novamente. Então teria que pensar em algo que não assustasse ou afastasse o outro. Porque, por mais estranho que fosse, ele não conseguia ignorar aquela sensação incômoda de que Luís precisava de ajuda, mesmo que ele nunca pedisse por isso.
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