- Aguenta firme.
Respirava pelos meus lábios entre abertos, enquanto o sangue se acumulava no meio da minha clavícula.
Sara pressionava com força o ferimento, na tentativa de conter o ferimento.
Por de baixo das pálpebras notava o desespero tomando conta de seu corpo lentamente e neste momento, tive a impressão de estar na linha tune da vida e da morte.
Dizem que quando estamos à beira da morte temos alucinações, particularmente acredito que nos reencontramos com nossos entes queridos e que a morte não é o fim.
Afirmo isto, pois um pouco distante de nós, vi meu pai, falecido há quinze anos.
Suas fisionomias continuavam às mesmas e o leve sorriso em seus lábios de alguma forma dizia que ficaria tudo bem.
Perco a consciência em alguns momentos, indo e vindo a todo instante. O olhar preocupado de Sara estava sempre presente e apenas se afastou quando uma dupla de enfermeiros, empurrou a maca que estava para dentro de uma sala.
Apago.
Quando abro novamente meus olhos, a luz branca sob minha cabeça, tremula minha visão. Os médicos ao meu redor estavam concentrados, conversando entre si, enquanto os aparelhos ligados ao meu corpo fazem barulho.
Noto meu pai num canto da sala, observando tudo atentamente, seus olhos preocupados seguiam os movimentos dos médicos.
E novamente apago, cedendo a inconsciência.
Forço meus olhos a se abrirem, aperto-os com força, no intuito de melhorar a visão embaçada e notar a figura feminina empoleirada na poltrona à frente da cama.
O ferimento abaixo do meu ombro lateja, me lembrando o motivo pelo qual estava em um quarto de hospital.
Sara se espreguiça, concentrando o olhar em mim ao abrir os olhos.
- Até que fim acordou.
Ela levanta, colocando os cabelos loiro com mechas claras e escuras desgrenhados atrás das orelhas, vestida em um vestido fino florido e jaqueta.
Sara Rodriguez havia se tornado minha amiga no instante em que coloquei meus pés no departamento da narcóticos. Uma mulher simples e reservada que com a morte dos pais, mortos pelo Cartel Gimenez, quando ainda morava na Colômbia, teve que morar com seus avós paternos, a quem lhe tinha grande gratidão.
Entretanto, com a morte dos avós anos mais tarde e sem mais nenhum parente próximo, não hesitou em ir para a América, na tentativa de conseguir sobreviver e conseguiu por parte, após se dedicar completamente a narcóticos.
- ...há quanto tempo...?
- Dois dias – Ela me interrompe - Tem sorte de não estar morta – Seu tom calmo denunciava que estava irritava – O médico cirurgião disse que a bala se alojou acima do seu coração. O que passou na sua cabeça em ir atrás daqueles traficantes!?
- Estavam fugindo e consequentemente matariam você.
- Tinha tudo sob controle – Ela rebate, diminuindo ainda mais os olhos estreitos, cruzando os braços sob o peito.
Franzo o cenho ao tentar me mexer e sentir os pontos repuxando a pele costurada.
- Não contou para minha mãe que estou no hospital, não é?
- E tentá-la matar do coração como tentou fazer comigo? Não, eu não contei – Sara enche os pulmões de ar, soltando os braços - Vou chamar o médico.
A observo prender o cabelo no alto da cabeça antes de sair do quarto.
Sara continuaria irritada pelas próximas horas, seu jeito de continuar a dizer que fui imprudente e por certa parte, sabia que havia sido.
Há alguns meses estávamos infiltradas no Cartel Rivas que abastecia regularmente pontos de drogas em Los Angeles e outras cidades fora do país.
Rick Ross, era o líder, a não ser pelas mulheres que o cercava e o luxo, passaria despercebido. Então, após entrarmos em uma de suas festas altamente protegidas e tendo como principal aperitivo a cocaína, atraímos sua atenção e logicamente tivemos acesso livre à mansão.
Perto de um ano, já tínhamos provas o suficiente para conseguir a prisão de Ross, só não esperávamos que ele tivesse alguém na narcóticos e que o avisaria da prisão.
Ross teve tempo de planejar sua fuga e de brinde levaria Sara.
Não hesitei em nenhum momento em ir atrás de Sara, não usando apenas o argumento de que era minha parceira, mas por ser minha amiga desde que havia entrado para a narcóticos.
Havia pedido reforço, só não saberia se conseguiriam chegar a tempo. Foi quando fui atrás de Ross em uma pista particular de voo e o próprio atirou em mim. Preciso ressaltar, que meses mais tarde o mataria, por roubar uma de minhas cargas de cocaína.
Sara volta com o médico, permanecendo afastada enquanto o mesmo avaliava o ferimento perto do meu ombro.
O médico acabou por dizer o que já sabia: teria que ficar no hospital pelos próximos vezes, não intuito de fazer alguns exames e me manter em observação caso houvesse alguma complicação.