Entro no apartamento algum tempo depois, me sentindo em um mar aberto de informações .
Adela estava sentada na sala de estar com um bloco de notas, incrivelmente sexy com o blusão branco que vestia.
- Oi – digo tirando o saltos.
Ser a Katerina era exaustivo.
- O que está fazendo? – pergunto na tentativa de puxar assunto e quebrar o silêncio.
Ela suspira.
- A lista de convidados do aniversário da Aide – Adela estende o pequeno caderno.
Olho os nomes ali, sem saber a quem pertencia.
- Ela já deixou bem claro o tema este ano. Fada Sininho – continua – O que quer dizer que terei muito trabalho este ano.
- Posso ajudar – Ela ri, pegando de volta o bloco de notas.
- Pra fazer igual o ano passado que ficou encarregada de buscar o bolo? E, “infelizmente” teve um imprevisto e não conseguiu nem pegar o bolo e nem aparecer na festa?
Franzo o cenho, abrindo e fechando a boca sem saber o que dizer.
- Melhor eu ficar encarregada de tudo – finaliza levantando.
Estava na cara o tipo de mãe que Katerina era.
Quando Adele sai para buscar Aide naquela tarde na escola, vejo uma oportunidade de descobrir mais sobre Juan Carlos e Alejandro.
- Káh. Oi – diz Sara ao atender, aparentemente na rua, por causa do barulho de carros – Como está ás coisas por aí?
- Preciso de um favor.
- Que tipo de favor?
- Tem como olhar no sistema, se encontra alguma coisa sobre Juan Carlos Martínez e seu filho Alejandro Miguel López Martínez?
- Posso sim – Ela xinga baixo, enquanto a escuto vasculhar a bolsa atrás do que parecia ser um pedaço de papel – Mas quem são?
- Acho que estão envolvidos com o assassinato da Katerina.
- Você precisa tomar cuidado. Não está em missão, não tem ninguém pra te dar apoio – Ela continua a andar – Não pode nem usar seu distintivo.
- Sei disso.
- Vou olhar no sistema e qualquer coisa mando mensagem – Desligo, voltando a busca que estava fazendo pela casa.
O final de semana acabou que chegando em um piscar de olhos.
Adele trocava poucas palavras, apenas quando perguntava algo e isto me fez questionar se já não havia percebido que era uma farsa.
Aide por outro lado, estava um grude só. Todo dia que chegava da escola, fazia questão em contar durante o jantar como foi seu dia e a implicância de uma menina chamada Clara Maíra e que obviamente não seria chamada para seu aniversário. Isto me fez rir, pela primeira vez naquela semana, em meio á todo caos.
Na manhã de sábado, Adela terminava de arrumar Aide quando me encosto na porta aberta do quarto.
- O pai de Aide estará esperando no parque – Ela termina a trança, virando a menina em sua direção, para lhe depositar um beijo em sua testa – Se divirta bastante, cariño.
Aide sorri.
- Tá bom, mamá.
- Não vamos tomar café da manhã? – pergunto atraindo o olhar de Adela.
- No sábado ela toma café da manhã com ele – explica.
Aide praticamente me guiou até o parque, o que pra mim significava que já era habituada em fazer aquele caminho.
Enquanto corria atrás de alguns pombos, a observava sentada em um dos bancos com sua mochila e me questionando se Katerina havia conseguido perceber o quão incrível era sua filha.
- Papai! – Ela grita de repente ao olhar na minha direção, sigo seu olhar a tempo de ver Alejandro se aproximar vestido numa camiseta polo preta e calça jeans.
Ele sorri, recebendo-a em uma abraço.
- Demorei? – pergunta.
- Um pouco.
- Deve estar com fome – Ele me olha no instante em que estendo a mochila com flores coloridas – Entrego ela amanhã ás 4.
Olho para Aide, beijando o topo da sua cabeça.
- Até amanhã – Ela sorri, segurando na mão de Alejandro e se afastando.
A volta para o apartamento foi maus rápida do que a ida.
Sentia como se estivesse me apossado de uma vida que não me pertencia.
A vida na qual sempre sonhei, uma família feliz.
Encontro Adela em seu estúdio , iniciando outra tela.
- Como foi lá? – pergunta sem me olhar.
- Aide parecia feliz em passar algum tempo com ele.
- Ele deve ser um bom pai, não é todo mundo que consegue cativar ela – comenta.
- Já o viu antes? – Ela me olha por cima do ombro por alguns instantes, antes de voltar sua atenção para a tela.
- Não faço ideia nem de quem é. Fez questão de eu não ficar sabendo – Ela dá de ombros – A única coisa que sei, que você mesmo disse, que o conheceu quando veio dos Estados Unidos. Nem o nome dos seus pais sei ou se têm irmãos – Ela me olha novamente – Sou casada com uma mulher que não conheço o passado.
- Não tem muito o que se falar.
- Ah. Tem sim! – Ela se aproxima sorrindo – Poderia começar me falando sobre seus pais e se têm irmãos.
Suspiro pensativa.
- Meu pai já morreu. Morreu quando era um pouco mais velha que Aide – Adela escuta com atenção – E minha mãe ainda está viva, ainda mais ranzinza e sim, tenho uma irmã - Sorrio de canto – Ka...Kathléia – Balbucio – Iria gostar de conhecê-la.
- E quando irei conhecê-la? – Ela diminui o espaço entre nós, ficando alguns centímetros do meu corpo.
- Pode estar mais perto do que imagina.
Ela sorri, beijando o canto da minha boca.
- Parece que estamos progredindo anos depois – Se afasta voltando para frente da tela.
Pigarreio desconcertada com o “beijo".
- E o que vamos fazer com Aide fora?
Adela coloca as mãos na cintura surpresa.
- Está mesmo me perguntando isto num sábado? Geralmente apenas se esconde na boate durante o final de semana todo. Aparecendo com uma p**a de uma ressaca na segunda – Revirando os olhos, muda a cor que estava usando para preto.