A boate como no dia anterior, estava lotada.
Algumas pessoas flertavam, enquanto outros apenas bebiam e dançavam.
Em minha frente havia um drink Cosmopolitan no fim, outro drink americano que a casa servia.
O barman coloca na minha frente uma taça de Margarita.
- Não pedi outro drink.
- O cavalheiro ali, pediu que lhe servisse – Sigo o olhar do barman até um homem n***o sentado do outro lado do bar.
Ele ergue o copo em forma de brinde.
Não era uma hora boa para flertes e a última coisa que queria naquele momento, era isto.
Caminho na direção do tal cavaleiro, levando comigo a Margarita, depositando gentilmente ao seu lado.
- Não gostou do drink? Posso pedir outro drink se quiser – Ele faz menção de chamar o barman.
- Está tudo bem. Só não estou no clima.
Ele me analisa por alguns instantes.
- Não sou um bom conselheiro, mas acredito ser um bom ouvinte.
Sorrio sem mostrar os dentes.
- Gostaria que meus problemas fossem tão fáceis de resolver.
Ele sorri de volta, estendendo a mão.
- Hernandez – Hesito por poucos segundos, antes de segurá-la.
- Katerina.
- Estou lisonjeado em conhecê -la – Ele indica o banco ao lado – Há quanto tempo estes problemas estão lhe tirando seu divertimento?
Suspiro.
- Alguns dias.
- Problemas familiares, suponho – O olho franzindo o cenho.
- Como sabe?
- Você tem cara de que se importa demais com a família.
- Infelizmente.
- Não veja como algo r**m – Ele bebe mais um gole de sua bebida – Também já me importei demais com a família.
- Não parece ser daqui – digo ao notar que não havia um sotaque em sua voz.
- E não sou – diz com um leve sorriso nos lábios – Mas já estou tanto tempo aqui, que conheço boa tarde das pessoas influentes.
- Quando diz influentes, se refere a pessoas...?
- Como deputados, vereadores, prefeitos...
Sorrio erguendo um dos cantos da boca, inclinando a cabeça para o lado.
- Vamos dizer que em meu trabalho, convivo bastante com pessoas da alta sociedade – continua, pedindo outra dose ao barman.
- O que sabe sobre Juan Carlos Martínez?
Ele me olha por alguns instantes em silêncio, até que Angel se aproxima.
- Preciso de você no escritório.
Solto o ar dos pulmões levantando.
Após resolver alguns problemas administrativos da boate, as palavras de Hernandez começam a repetir em minha mente e aos poucos um plano arriscado se formava em minha mente.
Precisava conhecer os suspeitos do assassinato.
O primeiro na minha lista, sem dúvidas, era Alejandro. Ele teria muitos motivos para matar Katerina, começando por ela ser omissa como mãe. E pelo o que havia entendido, ele a conhecia a ponto de saber quando estava com problemas.
Me aproximando de Alejandro, me aproximaria de Juan Carlos.
Apostava todas minhas fichas em ambos por alguma razão.
- Tudo bem? – Angel pergunta ao entrar no escritório .
Suspiro assentindo.
- Está tão calada nestes últimos dias – Ela se senta na cadeira em frente, cruzando as pernas – Isso me faz pensar, se não está assim por Juan Carlos.
Dou de ombros.
- Descobrir os segredos dele, renderia muito dinheiro para a boate, para nós – continua – Poderia realizar seu sonho de voltar para a América, abrir sua tão sonhada boate – Uma vez bêbada disse que queria abrir um galeria. Nunca entendi – Franzo o cenho. A galeria seria para Adele, penso – E então, o que sua mente diabólica está planejando? – pergunta com um sorriso.
- Já disse tudo – Levanto, caminhando pelo cômodo apertado – Irei descobrir os segredos de Juan Carlos – A olho por cima do ombro, após abrir uma gaveta de ferro com papéis - Mas o que ganha com isto?
Os dedos de Angel tamborizam sob a mesa gasta de madeira.
- Nosso acordo era de meio a meio, se a ajudasse a descobrir algo que usássemos contra Juan Carlos – Ela desvia o olhar da mesa, fixando em mim – E por acaso conheci um cara que pode nos ajudar com isto e está disposto em nos ajudar por uma pequena porcentagem.
- Faça o que tem que fazer – Caminho em direção a porta.
- Não vai nem querer conhecê-lo?
- Ele já entrou em contato comigo – Saio do escritório , disposta em colocar meu próprio plano em ação.