capítulo 21

1068 Words

ISABEL Eu não devia ter dançado. Mas o corpo… ele lembrava. Mesmo cansado, mesmo doído, mesmo sujo daquele chão frio — ele lembrava. Lembrava do palco, da luz, da música que só eu ouvia. E por um segundo, só um, eu fingi que não tava ali. Fingi que não tinha corrido por becos, fugido de grito, deixado tudo pra trás. Dancei. Não por beleza. Por sobrevivência. Porque se eu parasse, se eu deixasse de me mexer… eu morria por dentro. E aquilo, aquilo eu não ia permitir. Ele me viu. Sei que viu. Ouvi o som seco da bota batendo no chão e a voz dele cortando o ar como navalha. Mas eu não parei por causa dele. Eu parei porque o olhar dele me atravessou. Olhar de bicho. De homem que já matou, já perdeu, já enterrou pedaços de si sem aviso. CORVO: — Isso aí é o quê? Tá se exibindo

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