Ao colocar os pés no Brasil Lorena sente-se apreensiva. Um país que nem sabia onde ficava no mapa, não sabia falar a língua, não conhecia os costumes. Como sobreviveria ali? Ainda mais com um homem que m*l conhecia, que seria seu esposo, mas não de verdade. Franziu o cenho. Precisa aprender muitas coisas!
Diego observa a mulher a seu lado, o rosto mudando de expressão a cada segundo, e por fim ela franze o cenho, despertando a sua curiosidade. Chegava a ser perturbador, tudo nela o interessava e o deixava curioso.
- O que houve, Lorena? - Questiona-a, chamando a sua atenção. Lorena o encara e ergue as sobrancelhas.
- Não sei falar a língua daqui. - Diz franzindo o cenho novamente.
- Não se preocupe, arrumarei uma professora para lhe ajudar com a língua. - Viu-a assentir, então ela o olhou novamente, e ele sabia que tinha mais coisa.
- Será que essa professora pode me ensinar outras coisas?
- Tipo o quê? - Ele pergunta curioso, pensando no que ela gostaria de aprender.
- Bem... - Lorena fica com vergonha, mas pensa que ele devia saber com quem estava casando. - Nunca estudei em uma escola. - Baixa a cabeça tímida.
- O quê? - Diego parou no meio do aeroporto, virou-a para ele e ergue o seu rosto, precisava vê-la. - Como assim nunca estudou?
- Eduardo nunca permitiu. Sei ler e escrever porque a minha mãe me ensinou antes de morrer... - Lorena respondeu estremecendo com o toque da mão dele. A respiração estava próxima e ela podia jurar que ele a beijaria novamente, mas não o fez.
Diego observava a jovem e a cada minuto detestava mais aquele Eduardo. Se soubesse quem era antes, nem tinha feito aquele serviço para ele. Ela era tão bonita, aqueles olhos verdes tão expressivos, a boca tão convidativa que poderia...
- Arrumarei alguém que lhe ajude. - Diz se afastando pensativo. Precisava ter mais cuidado.
- Muito obrigada senhor. - Ela diz feliz com a resposta dele, mas sentindo uma frustração estranha por não ter sido beijada.
- Diego, por favor. - Ele responde sem olhá-la.
- Prefiro manter o respeito. - Ela baixa a cabeça enquanto fala.
- Você é minha noiva. - Vê-a fazer uma careta. - Nos amamos muito, por isso tive de trazê-la para cá! Para casarmos o mais rápido possível. Acha que minha noiva, apaixonada por mim, me chamaria de senhor? - Lorena maneia a cabeça e o encara.
- Tem razão. Meu amor. - Diz depois de alguns segundos, e Diego a olha de canto de olho. Sentia cheiro de problema no ar. Ela era o problema, e talvez até a solução...
Pega seu carro, que está ao lado do aeroporto em um estacionamento privativo. Não gostava de táxis ou carros de aplicativo. Lorena o seguia em silêncio. Era reconfortante vê-la quieta. Pois ela vinha falando bastante nas últimas horas.
Andaram menos de meia hora. Lorena olhava tudo ao redor. Era tão diferente de seu país, que chegava a assustar.
Diego parou em frente a grande mansão que morava com sua mãe. Tinha o seu próprio apartamento, uma cobertura no centro da cidade, mas mantinha algumas coisas ali, e oficialmente se dizia morar ali, para não desagradá-la mais do que o normal. Fazia o que podia para evitar discussões desnecessárias.
- Uau... Você mora aqui? - Ouve a voz suave da garota a seu lado.
- Sim. - Responde estudando as feições dela.
- E eu vou morar aqui também?
- Onde mais? - Ergue as sobrancelhas voltando a atenção a sua frente.
- Não sei... não entendo dessas coisas de homens.
- Que coisas? - Diego pergunta sem olhá-la.
- Ah, Eduardo é cheio das manias. Uma vez o ouvi dizendo que mantinha uma mulher em um apartamento no centro da cidade. E se ele tem uma mulher é porque estão casados, ou são namorados pelo menos, não? - Ela o olha, mas ele não responde. - Dessa forma, tudo é possível.
- Viverá comigo. Aqui é assim. - Eu sou assim. Pensou Diego, mas não disse. Não poderia permitir que sua esposa vivesse longe, mesmo que fosse por contrato. Afinal era arriscado. Já perdera duas namoradas de forma estranha e suspeita, temia colocar em risco a vida de sua mulher. Travou os maxilares. Ela não seria sua mulher. Mas para todos os efeitos era sua mulher. Ô confusão!
Entram na casa e assim que botou o pé na sala Diego chama por sua mãe.
- Mãe!
- Mora com sua mãe apenas?
- Sim, e os empregados que ficam por aqui.
- Legal. - Ela se anima.
- Não se anime.
- Por quê?
- Ela é terrível! - Lorena fecha a cara. Não dava sorte mesmo!
- O que é, Diego? - Ouve a mulher vindo do andar de cima da casa, com a voz irritada.
- Quero lhe apresentar uma pessoa. - Diz bufando, pensando em como vivia daquela forma, se submetendo a caprichos, por dinheiro apenas. Claro que também para manter o seu nome e reputação e até mesmo a liberdade. Mas era um saco!
- Hum! - A mulher para de frente a eles com a cara fechada e mãos na cintura. Lorena sorri.
- Essa é Lorena minha noiva. - A mulher arregala os olhos.
- De onde tirou uma noiva? - Ele via que ela não acreditava nele.
- Tive de fazer um serviço na Itália, e conheci Lorena. - Ele passa o braço pela cintura dela, que tranca a respiração. - Me apaixonei, e fui correspondido, agora vamos nos casar! - A mulher ergue as sobrancelhas surpresa.
- Que bom, resolva os trâmites e passe as propriedades para o meu nome. - Diz e vira as costas deixando-os a sós.
- Uau. - Lorena diz surpresa com a recepção da mulher.
- Não te disse? - Diego tira os sapatos e deixa na beirada da porta. - Está com fome? - Ele estava faminto.
- Um pouco. - Ela diz olhando tudo ao redor. - Me diz onde ficam as coisas, que preparo um jantar rápido. - Diego a olha de lado.
- Pedirei algo para comermos, que tal pizza?
- Pode ser. - Lorena sorri simples. Estava controlando a língua o máximo que podia. Não queria morrer, e ele dissera que se ela mantivesse-se quieta, estaria garantida sua vida.
- Enquanto peço, venha, vou te mostrar o quarto. - Lorena o segue com as poucas sacolas, com as compras que fez.
Ele entra em seu quarto e abre os braços. - Nosso quarto!
- Nosso? - Lorena franze o cenho.
- Sim, amor. - Ele ironiza. - Ou acha que podemos deixar os empregados ou outra pessoa desconfiar. Isso aqui é sério! - Lorena estremece com as palavras dele.
- Ah, desculpe. Ok. - Diego a encara e vê medo nos olhos verdes claros. Não queria que ela o temesse.
- Não precisa ter medo de mim. - Diz parado a uma certa distância, tentando fazer uma voz suave.
- Ta bom. - Ela diz, ainda em pé segurando as sacolas com os olhos fixados nele.
- Este quarto é seu também. Ali é o closet. - Ele aponta para duas portas grandes. - Arrume as suas coisas ali. Amanhã compraremos mais coisas. Vou marcar o casamento também.
- Tá bom. - Lorena respira fundo, indo em direção ao closet.
- Preciso de um banho. - Diego diz para si mesmo.
- Quer que eu pegue algo para você? Toalha, roupas...? - Ela larga as sacolas no chão e abre as portas do closet, estudando onde ficam as coisas.
- Lorena. - Diego a chama e ela o encara. - Aqui você é minha mulher, não empregada!
- Ah... tá. - Lorena pensa um momento. - E o que eu faço?
- Não sei, o que você quiser.
- Humm... onde estão as toalhas? - Ela começa a vasculhar o closet.
- Lorena! Não precisa fazer as coisas para mim, eu mesmo faço. - Diego segue em direção ao banheiro. - As toalhas já estão no banheiro, em um armário. Depois vá tomar um banho também, para relaxar.
- Tá ok. - Lorena observa as roupas do homem, todas bem passadas e organizada. Guarda as poucas roupas em uma prateleira vazia do closet e volta para o quarto, sentando-se na cama, aguardando o homem, que agora seria seu marido. Que situação estranha. Estava nervosa, mas ao mesmo tempo confiava nele. Como podia isso? Confiar em um estranho! Bem ele dissera que ela não precisava temê-lo, tentaria cumprir esse pedido. Ele era um assassino de aluguel, mas não matara seu pai por estar devendo, nem obrigara sua irmãzinha a vir com ele, nem se passou com ela. É! Por enquanto, podia confiar nele.
Ele estava demorando no banho. Suas costas estavam doendo um pouco, deitou-se de costas na cama, com as pernas ainda para baixo. Abriu os braços e passou as mãos na colcha macia. - Que cama maravilhosa. - Falou sozinha, apreciando aquele momento de descanso.
Diego relaxou sob a água morna do chuveiro, seu m****o duro latejava, só de pensar que Lorena estava em seu quarto e que dormiriam juntos novamente, mas sem se tocar. Isso não ia dar certo... de onde ele tirou essa ideia de jerico? Terminou seu banho e foi secar-se.
Ele sai do banheiro com a toalha enrolada na cintura e sem camisa. Ao abrir a porta se depara com a mulher deitada em sua cama. Não podia ver seu rosto, mas via o abdômen subindo e descendo com a respiração lenta, os braços abertos alisando a colcha, e ela falando sozinha. Era uma bela mulher, não havia como negar. Pigarreou, fazendo-a erguer a cabeça.
- Pode ir. Vou pedir nosso jantar.
Lorena olha o homem nu da cintura para cima, e engole seco. Era bonito demais para um assassino. Piscou e assentiu para o que ele disse.
- Toalhas estão no banheiro certo?
- Certo! - Ele repete olhando-a pegar as peças de roupas que carregava consigo.
Lorena entra no banheiro e se surpreende com o tamanho. Sabia que seu pai era rico, mas esse homem? Ultrapassava os níveis de riqueza. Com certeza era milionário, ou bilionário. O banheiro era escuro com detalhes dourados na marcenaria azul escuro. Abriu um armário grande e encontrou as toalhas dobradas e perfumadas. Além de um chuveiro enorme, tinha uma banheira no cômodo também, assim com uma pia enorme e uma privada.
Tirou as roupas e ligou o chuveiro. Colocou a mão de baixo da água. - Morna... - Sorriu, entrando de baixo do chuveiro bonito e preto, com bastante água, saindo forte. Deixou escorrer por seu corpo a água, enquanto molhava seus cabelos. Usou o shampoo masculino disponível ali, e o sabonete disposto também.
- Agora entendo porque ele demorou tanto. - Falava consigo mesmo. Era simplesmente inebriante tomar banho naquele lugar. Ela tinha, em sua casa, na Itália, acesso somente aos chuveiros dos empregados, que era uma pequena ducha, em um cubículo. O banho era rápido e por vezes queimava o chuveiro e demoravam para repor, tendo de tomar banhos frios, mesmo no inverno.
Saiu depois de cerca de meia hora, já abusara de mais. E queria manter a cordialidade com o seu noivo por contrato. Secou-se e vestiu a roupa que comprara na Itália. Um conjunto simples, de calça e blusa, verdes água, de um tecido fino e confortável. Não colocou sutiã, afinal não gostava muito da peça, mas sempre que não estava em seu quarto usava. Mas já era noite, provavelmente iriam jantar e dormir. Ela sentia-se exausta!
Saiu do banheiro e não encontrou Diego. Sentou-se na beirada da cama e aguardou, não muito depois ele entra pela porta.
- Pronta?
- Sim senhor... ér... Diego. - Ele assente.
- O jantar chegou, venha. - Ela levanta-se e o segue.
Diego sente o perfume suave de seu shampoo, misturando-se ao natural dela. Maneia a cabeça. Relaxa Diego... relaxa... De canto de olho percebe que ela não usa sutiã e sente seu amigo lá em baixo se animar. d***a! Respirou lentamente controlando sua ereção.
Sentam-se um de frente para o outro na cozinha mesmo e comem em silêncio. Ele pediu pizza e refrigerante. Lorena apreciava a pizza encantada.
- Lá na Itália as pizzas não são assim. - Diz apontando para a pizza.
- São muito sem graça lá, não são? - Diego fala divertido.
- Realmente, não tenho como não concordar. - Ela se lambuza com o catupiry da pizza de frango.
- Sujou! - Diego estende a mão e passa o dedo no canto da boca dela. Em seguida põe na boca. Lorena não se dá conta, mas o homem escurece o semblante. - Me diga Lorena... - Ele resolve puxar um assunto, quem sabe conhecê-la mais.
- Já namorou?
- Não senh.. Diego.
- Nunca? - Ele se surpreende.
- Não tive muito tempo para isso.
- E, porque não? - Ele estava perplexo. Afinal ela era muito bonita, devia ter muitos homens no seu pé. Nem mesmo estudara, seria fácil conquistá-la. Claro, caso ele quisesse. O que ele não quer. Mas se alguém quisesse... ah d***a! Já estava devaneando novamente.
- Ah, eu estava juntando uns trocados para sair da casa de Eduardo.
- Ele te escravizava lá, não é? - Diego fecha os punhos, indignado em como o homem a tratava.
- Não posso me queixar. - Lorena responde bebendo seu refrigerante. - Pelo menos não me jogou na rua.
- Você é boa demais. - Diz balançando a cabeça. Ele já pensava em dar uma lição naquele velho arrogante.
- Isso porque você não conhece a minha irmã. Ela sim é boa. - Ela o olha e sorri, e Diego se encanta por aquele sorriso. - Sabe aquele vestido azul que eu estava? Ela quem me deu, mandou fazer para mim. Assim como a gargantilha e os brincos. - Ela leva a mão as orelhas onde ainda mantém os pequenos e brilhantes brincos.
- Lhe caiu muito bem aquele vestido. - Diz a estudando, ela parecia bem mais relaxada do que no dia anterior quando a conheceu.
- Obrigada, Isabelle é maravilhosa, ela sempre me ajudou e cuidou de mim. - Diego não achava isso. Vira a irmã vê-la ir em seu lugar e nem questionou. Por certo dava migalhas a Lorena e ela achava que era muito, por estar acostumada a não ter nada. Sentia uma frustração em seu peito, por esta situação. Ela era maravilhosa, merecia muito mais, do que aquele pai mesquinho lhe dava. Mas que d***a ele estava pensando? Estava querendo defendê-la? Mas nem era da sua conta!
- Bem, já terminou? - Perguntou ao vê-la apenas o encarando.
- Sim!
- Então vamos dormir, que amanhã cedo vamos para a empresa.
- Ah que emocionante! Nunca fui em uma empresa!
- Farei nosso contrato e peço que se porte como minha noiva.
- Sim senhor! - Lorena fala séria com os olhos assustados.
- E nada de senhor.
- Diego!
- Meu amor. - Ele diz serio e Lorena sorri forçadamente.
- Meu xuxuzinho.
- Não exagera! - Ele diz, levantando-se da mesa, segurando o riso. Era uma boa moça, pensava ao caminhar a seu lado até o quarto.
Diego entrega uma escova de dentes a ela e mostra onde fica os objetos de higiene pessoal no banheiro em seguida comenta.
- Vamos dormir na mesma cama, ok? - Ele diz e ela responde suavemente..
- Está bem. Confio em você. - Ela vai indo em direção a cama. - Qual o seu lado?
Diego observa a bela moça e engole seco. Ela não deveria estar confiando nele assim tão rápido! - Pode escolher. - Responde seco.
Lorena escolhe o lado direito da cama e deita-se. Diego apaga a luz e caminha até o seu lado.
- Boa noite Lorena.
- Boa noite... meu amor. - Ela diz, em seguida vira-se de lado, ficando de costas para ele.
Diego vira-se para ela, pela penumbra observando as costas e os cabelos dela. Fecha os olhos e deixa-se relaxar, até pegar no sono.