Capítulo 14 — A Imagem que Não Mente
A sala de segurança da mansão estava completamente em silêncio.
Vários monitores exibiam os corredores, entradas e zonas externas da propriedade.
Marco estava sentado à frente das gravações, com um café esquecido na mão.
Leonardo permanecia de pé atrás dele.
Imóvel.
Os olhos fixos no ecrã.
— Rebobina a gravação do corredor do segundo andar. — ordenou.
O operador obedeceu imediatamente.
As imagens avançaram até à madrugada.
00:47.
O corredor estava vazio.
00:48.
Uma figura surgiu no ecrã.
Marco franziu a testa.
— Espera.
A imagem ficou mais nítida.
Vitória.
Vestida de preto.
Movimentos cuidadosos.
Uma chave na mão.
Leonardo não piscou.
A cada segundo que passava, o ambiente na sala ficava mais pesado.
Vitória aproximou-se da porta do quarto de Clara.
Olhou para os dois lados do corredor.
Introduziu a chave.
Clique.
A porta abriu.
Marco endireitou-se na cadeira.
— Ela entrou no quarto dela?
Leonardo não respondeu.
Os olhos dele estavam fixos na imagem.
O tempo avançava no monitor.
01:12.
01:25.
01:40.
Nada no corredor.
01:41.
A porta abriu novamente.
Vitória saiu.
Parou por um segundo.
Olhou para trás.
Fechou a porta com calma.
E afastou-se pelo corredor como se nada tivesse acontecido.
Silêncio.
A gravação terminou.
Marco desligou o som do monitor instintivamente.
Ninguém falou durante alguns segundos.
Até que Marco murmurou:
— Ela ficou lá dentro quarenta minutos...
Leonardo deu um passo à frente.
— Reproduz outra vez.
O operador repetiu.
Agora em câmara lenta.
Cada movimento de Vitória parecia ainda mais claro.
A forma como tentava não fazer barulho.
A chave.
O cuidado ao entrar.
A confiança ao sair.
Leonardo estreitou o olhar.
— Chamem-na.
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Vitória estava no seu quarto quando bateram à porta.
— Senhorita Vitória.
— O senhor Leonardo exige a sua presença na sala de segurança.
Ela congelou por um segundo.
Depois sorriu.
— Já vou.
Mas por dentro, o coração começou a acelerar.
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Na sala de segurança...
Quando Vitória entrou, o ambiente já era diferente.
Mais frio.
Mais pesado.
Marco estava encostado à parede.
Leonardo permanecia de costas.
O operador apontou para o ecrã.
— Senhorita Vitória...
Gostaríamos que explicasse isto.
A gravação começou novamente.
A imagem dela a entrar no quarto de Clara encheu o monitor.
Vitória ficou imóvel.
Mas apenas por um segundo.
Depois soltou uma pequena risada.
— Estão a falar a sério?
Leonardo virou-se lentamente.
Os olhos dele estavam perigosamente calmos.
— Explica.
Vitória cruzou os braços.
— Entrei, sim.
Marco franziu a testa.
— Porquê?
Ela suspirou, como se fosse algo insignificante.
— Porque a Clara anda estranha.
— Queria ver se ela estava a esconder alguma coisa.
Leonardo deu um passo à frente.
— Não tinhas autorização.
— Eu sei.
— Mas também sei que vocês estão demasiado distraídos com ela para ver o óbvio.
Silêncio.
Marco apertou a mandíbula.
— O que procuravas?
Vitória hesitou.
Apenas por meio segundo.
Depois respondeu:
— Nada importante.
Mas o olhar dela traiu a resposta.
Leonardo aproximou-se mais.
Agora estava a poucos centímetros dela.
— Diz a verdade.
Vitória sustentou o olhar.
— Eu disse a verdade.
— Entrei porque desconfio dela.
Marco soltou um riso seco.
— Estranho... uma pessoa que entra escondida no quarto de outra a meio da noite a falar de confiança.
Vitória ignorou-o.
— Não encontraste nada, não é?
Leonardo não respondeu.
Mas o silêncio dele foi suficiente.
Vitória sorriu ligeiramente.
— Então não há problema.
— Saio daqui e tudo volta ao normal.
Leonardo inclinou ligeiramente a cabeça.
— Não.
A sala congelou.
— A partir de agora, estás sob vigilância.
Vitória arregalou ligeiramente os olhos.
— Estás a brincar...
— Não.
— Vais perder o acesso a todas as áreas da mansão.
— E qualquer movimento teu será reportado diretamente a mim.
Marco acrescentou:
— E não vais chegar perto da Clara outra vez.
Vitória ficou em silêncio.
Mas por dentro, o ódio cresceu ainda mais.
Ela respirou fundo.
E sorriu.
— Tudo bem.
Virou-se calmamente.
— Façam o que quiserem.
Enquanto saía da sala, murmurou para si mesma:
— Isto só prova uma coisa...
— Ela esconde algo muito mais importante do que vocês imaginam.
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Mais tarde...
Clara foi chamada por Marco.
— Preciso que confirmes uma coisa.
Ela entrou na sala de segurança sem entender nada.
Quando viu a gravação congelada no ecrã — Vitória entrando no seu quarto — o corpo inteiro ficou frio.
— Ela entrou lá?
Marco assentiu.
Clara levou instintivamente a mão ao peito.
O coração disparou.
Mas rapidamente recuperou a calma.
A caixa.
O compartimento secreto.
Se não tivessem encontrado nada...
Estava segura.
Leonardo observava-a atentamente.
— Perdes-te alguma coisa?
Clara hesitou.
— Não...
— Não falta nada.
Leonardo continuou a encará-la.
Por um instante, pareceu que queria dizer mais.
Mas apenas assentiu.
— A partir de agora vais ter segurança reforçada no quarto.
Clara baixou os olhos.
— Não é preciso tanto...
Leonardo respondeu imediatamente:
— É.
Sem discussão.
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Naquela noite...
Clara voltou ao quarto.
Fechou a porta.
Respirou fundo.
Caminhou até ao armário.
Afastou as caixas.
Abriu o compartimento secreto.
Tudo estava exatamente como deixara.
Ela sorriu aliviada.
— Ainda bem...
Acariciou a tampa da caixa.
— Eles não encontraram nada.
Mas quando fechou o armário...
Não viu que, do outro lado do corredor, uma pequena câmara portátil escondida no rodapé piscou discretamente.
Vitória não tinha conseguido encontrar o segredo.
Mas agora tinha outra estratégia.
E desta vez...
não iria depender de entrar no quarto.
Ia observar.
Esperar.
E descobrir, sozinha, o que estava dentro daquela caixa.
Sem imaginar que o tempo já estava a correr contra todos eles.