A emboscada

1072 Words
Capítulo 8 — A Emboscada Ainda era madrugada quando Leonardo permaneceu diante do antigo armazém. O vento frio agitava o casaco preto que usava, enquanto dezenas de homens aguardavam apenas um gesto seu para iniciar a operação. Marco aproximou-se. — Os atiradores já estão posicionados. Leonardo observou o edifício durante alguns segundos. Nenhuma luz. Nenhum movimento. Silêncio absoluto. Demasiado absoluto. Os seus instintos gritavam que havia algo errado. — Esperem. Um dos homens aproximou-se. — Chefe? — Está demasiado calmo. Marco olhou novamente para o armazém. Também começou a estranhar. Nesse instante, um dos soldados falou pelo rádio. — Movimento no telhado! Antes que pudesse terminar a frase... BANG! Um disparo atravessou o silêncio da madrugada. A bala atingiu o colete de um dos homens de Leonardo, que caiu para trás. — Emboscada! — gritou Marco. Em poucos segundos, o local transformou-se num verdadeiro campo de batalha. Os homens da organização procuravam cobertura enquanto os disparos ecoavam por todos os lados. Leonardo manteve a calma. Pegou na a**a. — Equipa dois, pela esquerda! — Equipa três, cubram a retaguarda! Os seus homens obedeciam imediatamente. Era por isso que todos o temiam. Mesmo no meio do caos, Leonardo continuava completamente lúcido. Enquanto avançava entre as caixas do armazém, percebeu algo. Havia poucos inimigos. Poucos demais. Franziu a testa. — Marco... — Também percebeste? — Isto é apenas uma distração. Os dois trocaram um olhar. No mesmo instante, o telemóvel de Leonardo vibrou. Era o chefe da segurança da mansão. Assim que atendeu, ouviu a voz desesperada do outro lado. — Chefe! Temos movimento perto da propriedade! O coração de Leonardo acelerou. — Quantos? — Ainda não sabemos! Mas encontrámos uma carrinha escondida na floresta. Leonardo fechou os olhos por um segundo. Agora tudo fazia sentido. O armazém nunca fora o verdadeiro objetivo. Eles queriam afastá-lo da mansão. Queriam... Clara. O seu olhar tornou-se assustador. — Recuem! Todos! Agora! Os homens ficaram confusos. — Mas chefe... — É UMA ORDEM! Sem perder um segundo, Leonardo correu para o carro. Marco entrou logo atrás. — Acelera! O motorista arrancou em alta velocidade. Durante todo o percurso, Leonardo apertava o telemóvel com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos. Ligou novamente para a mansão. — Onde está a Clara? — No quarto, chefe. — Não a deixem sair! Dobrem os homens naquele corredor! — Sim! Mesmo assim... Uma sensação h******l continuava dentro dele. Como se algo fosse acontecer. --- Na mansão... Clara acordou assustada. Ouvira passos apressados no corredor. Levantou-se lentamente. Ao abrir a porta, encontrou dois seguranças. — Está tudo bem? Um deles respondeu imediatamente. — Senhora Clara, por favor permaneça no quarto. Ela estranhou. — Aconteceu alguma coisa? — Apenas medidas de segurança. Ela assentiu. Fechou novamente a porta. Tentou voltar a dormir. Mas não conseguiu. Algo dizia-lhe que havia alguma coisa errada. Pegou num livro. Tentou ler. Cinco minutos depois... O enjoo voltou. Correu para a casa de banho. Quando regressou ao quarto, acariciou o ventre. — Estás a dar muito trabalho ao teu pai... Sorriu sem perceber. Do outro lado da porta, Vitória passava pelo corredor. Ao ouvir aquela frase, parou imediatamente. "O teu pai." Os olhos dela arregalaram-se. O coração acelerou. Ela aproximou-se discretamente da porta. Não conseguiu ouvir mais nada. Mas aquelas três palavras foram suficientes para despertar uma suspeita muito maior. — Não... Ela sussurrou. — n******e ser... Vitória afastou-se rapidamente. Precisava descobrir a verdade. --- Pouco depois... A mansão inteira entrou em alerta. Os sensores exteriores detetaram movimento. Vários homens mascarados aproximavam-se pelos fundos da propriedade. — Invasão! Os alarmes começaram a tocar. Os seguranças correram para as posições. Clara abriu novamente a porta. — O que está a acontecer? Um dos homens respondeu imediatamente. — Senhora! Volte para dentro! Agora! Ela obedeceu. Trancou a porta. O coração batia tão depressa que m*l conseguia respirar. Lá fora ouviam-se gritos. Passos. Disparos. Clara levou instintivamente as duas mãos à barriga. — Não tenham medo... Ela falava consigo mesma e com o pequeno ser que carregava. — Vai ficar tudo bem. --- No exterior... Os invasores tentavam atravessar o jardim. Mas os homens de Leonardo reagiram rapidamente. O confronto espalhou-se por toda a propriedade. Vidros partiram. Balas atingiam as paredes. Alguns criminosos conseguiram aproximar-se da entrada principal. Um deles gritou: — Encontrem a mulher! Outro respondeu: — Ela está no segundo andar! --- Nesse mesmo instante... Leonardo atravessava os portões da mansão a toda a velocidade. Assim que o carro parou, ele saiu antes mesmo de o motorista desligar o motor. O primeiro criminoso que apareceu à sua frente tentou apontar-lhe a a**a. Não teve tempo. Leonardo desarmou-o com um movimento rápido e entregou-o aos seus homens. A sua única preocupação era uma. Clara. Correu para dentro da mansão. Subiu as escadas de dois em dois degraus. Quando chegou ao corredor do quarto, viu dois homens mascarados a tentarem arrombar a porta. Sem hesitar, deu a ordem: — Afastem-se dela! Os invasores viraram-se. Ao reconhecerem Leonardo, hesitaram por um segundo. Foi o suficiente para os seguranças dominarem ambos. Leonardo ignorou completamente a luta. Correu até à porta. Bateu com força. — Clara! Sou eu! Abre! Lá dentro, Clara reconheceu imediatamente a voz dele. As mãos tremiam. Destrancou a porta. Assim que ela se abriu, Leonardo entrou rapidamente. Ao vê-la inteira e sem qualquer ferimento, respirou fundo pela primeira vez desde que tudo começara. Sem pensar... Levou as duas mãos aos ombros dela. — Estás bem? Clara, ainda assustada, apenas conseguiu assentir. Os olhos estavam cheios de lágrimas. Ela nunca o tinha visto tão desesperado. Durante alguns segundos, nenhum dos dois disse uma palavra. Leonardo apenas a observava, como se precisasse confirmar várias vezes que ela estava realmente viva. Então, num impulso que nem ele próprio conseguiu controlar... Puxou Clara para um abraço forte. Um abraço verdadeiro. Instintivo. Protetor. Clara ficou completamente imóvel. Era a primeira vez, desde o início do contrato, que Leonardo a abraçava daquela forma. Ela fechou lentamente os olhos. Por um breve instante... Sentiu-se segura. Sentiu-se amada. Mas nenhum dos dois percebeu que, no final do corredor, Vitória tinha assistido àquela cena. E o ódio que já sentia por Clara transformou-se em algo muito mais perigoso. Ela compreendeu, finalmente, aquilo que Leonardo ainda era incapaz de admitir. Ele estava apaixonado. E, naquele mesmo momento, Vitória fez uma promessa silenciosa: — Se eu não posso tê-lo... Também não vou permitir que ela fique com ele.
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