Segredos e suspeitas

711 Words
Capítulo 7 — Segredos e Suspeitas A noite caiu sobre a mansão. O jantar foi servido na enorme sala de refeições, iluminada por um imenso lustre de cristal. A mesa, preparada para dezenas de pessoas, tinha apenas dois lugares ocupados. Leonardo e Clara. Como quase todas as noites. O silêncio entre eles era interrompido apenas pelo som discreto dos talheres. Clara olhava para o prato, mas m*l conseguia comer. O cheiro da carne fez o seu estômago revirar novamente. Respirou fundo, tentando disfarçar. Leonardo percebeu. — Não estás a comer. Ela levantou os olhos. — Não tenho muita fome. Ele permaneceu alguns segundos a observá-la. — A médica mandou-te descansar e alimentar-te. — Eu vou comer mais tarde. Ele não respondeu. Mas aquele olhar atento fez Clara sentir um aperto no peito. Era difícil entender Leonardo. Às vezes parecia completamente indiferente. Outras vezes, demonstrava pequenas preocupações que desapareciam antes que ela pudesse acreditar nelas. --- Depois do jantar, Leonardo foi diretamente para o escritório. Marco já o esperava. Sobre a mesa havia vários dossiês, fotografias e mapas. — Encontrámos um dos esconderijos da organização rival. Leonardo abriu um dos arquivos. — Quantos homens? — Cerca de vinte. — Líder? — Ainda não apareceu. Leonardo fechou o dossiê. — Amanhã de madrugada atacamos. Marco cruzou os braços. — E a Clara? Leonardo respondeu sem hesitar: — Durante a operação, ninguém entra nem sai da mansão. — Quero o dobro dos homens a protegê-la. Marco sorriu discretamente. — Sabes que estás a agir como um marido preocupado, não sabes? Leonardo lançou-lhe um olhar frio. — Estou a proteger alguém que vive debaixo do meu teto. Marco riu. — Continua a repetir isso, talvez um dia acredites. --- No quarto, Clara estava sentada na cama. Sobre o colo encontrava-se o envelope dos exames. Ela retirou cuidadosamente uma pequena fotografia da ecografia inicial. Ainda era difícil distinguir qualquer detalhe. Mesmo assim, os seus olhos encheram-se de lágrimas. Passou delicadamente os dedos pela imagem. — És tão pequenino... Sorriu. — Ou pequenina. Não importa. Eu já te amo. Nesse momento, ouviu alguém bater à porta. Rapidamente guardou tudo na gaveta da mesa de cabeceira. — Entra. Era uma empregada. — Senhora Clara, trouxe o chá que pediu. — Muito obrigada. A empregada pousou a chávena sobre a mesa. Antes de sair, sorriu. — Espero que se sinta melhor. — Obrigada. Assim que ficou novamente sozinha, Clara levou instintivamente a mão ao ventre. — Vamos conseguir... Ela sussurrou para o bebé. — Eu prometo que vou proteger-te. --- Do lado de fora do quarto... Vitória caminhava lentamente pelo corredor. Quando passou perto da porta, ouviu apenas o final da frase. "...vou proteger-te." Ela parou. Franziu a testa. — Proteger quem? A curiosidade começou a crescer. Nos últimos dias Clara parecia diferente. Mais cansada. Mais pálida. Enjoava frequentemente. E agora falava sozinha dentro do quarto. Vitória estreitou os olhos. — Há alguma coisa errada... Sorriu de forma maliciosa. — E eu vou descobrir. --- Na madrugada seguinte... Ainda antes do nascer do sol, dezenas de carros pretos saíram silenciosamente da mansão. Leonardo seguia no primeiro veículo. Vestia um fato preto impecável, mas por baixo do casaco escondia uma a**a. Ao seu lado estava Marco. — Os homens já cercaram o edifício. Leonardo apenas assentiu. O carro parou diante de um antigo armazém abandonado. Assim que desceu, a sua presença fez todos os soldados da organização endireitarem a postura. — Chefe. Ele analisou o local. — Ninguém dispara até eu dar a ordem. Enquanto isso, na mansão, Clara ainda dormia profundamente. Sem saber que Leonardo enfrentava mais uma operação perigosa. Sem saber que, naquele mesmo instante, um segundo g***o de criminosos observava a propriedade à distância. Dentro de uma carrinha estacionada numa colina próxima, um homem baixou os binóculos. — Então o Leonardo saiu. Outro homem sorriu. — É a oportunidade perfeita. O primeiro abanou a cabeça. — Ainda não. — Há demasiados seguranças. Esperaremos. Mais cedo ou mais tarde... Ela ficará sozinha. E quando isso acontecer... Levaremos a mulher que pode destruir o homem mais poderoso da cidade. A carrinha arrancou lentamente, desaparecendo entre as árvores. O perigo estava cada vez mais próximo. E Clara continuava sem imaginar que se tornara o alvo principal dos inimigos de Leonardo.
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