Antônio Narrando Eu tava acabado. Um lixo humano. Rodei, fugi, me escondi, mas os caras não me deixaram em paz. Eram dias sem dormir direito, semanas sem comer como gente. O medo tava me consumindo. Quando cheguei na porta da Maria, senti um nó na garganta. Era minha última opção. Eu sabia que ela me odiava, sabia que não ia ser fácil, mas caralho... eu tava sem saída. Se não fosse ela, eu ia acabar morto em algum beco, jogado como um cachorro. Bati na porta, o coração na mão. Se ela não me ajudasse, era o fim. Quando a porta abriu e eu vi ela ali, por um momento senti um alívio. Mas durou pouco. O olhar dela era puro gelo. Sem piedade, sem nenhuma emoção. Eu tentei falar, pedi ajuda, me humilhei. Mas a resposta dela foi um tapa na cara: — Se vira, Antônio. A porta bateu na minha car

