O Jogo de Poder

1359 Words
No dia seguinte, ela decidiu fazer uma visita ao escritório do pai. Apesar de Edmundo trabalhar na empresa, ela sabia que ele estava fora em uma reunião, e isso lhe dava a oportunidade perfeita para explorar. Ao entrar, sentiu uma mistura de excitação e nervosismo. O ambiente estava cheio de atividades e discussões. A atmosfera era vibrante, e Olivia começou a perceber o quanto tinha se afastado do que realmente importava, na sua vida anterior. Ao ver alguns dos funcionários trabalhando, ela se lembrou do seu direito de estar ali, de ser parte da empresa e da fortuna que era sua por herança. Ela se dirigiu à sala do pai, que estava ocupado em uma conferência telefônica. Após algum tempo, ele a notou e fez sinal para que entrasse. — Olivia, que bom que você veio! Como você está? — Estou bem, pai. Queria saber se você tem algum projeto em que eu possa ajudar. Sinto que preciso me envolver mais nos negócios da família. Seu pai sorriu, um olhar de orgulho nos olhos. — Isso é ótimo! Temos algumas novas oportunidades surgindo. Estou feliz em vê-la interessada. A conversa lhe deu uma sensação de poder, uma certeza de que ela não estava mais disposta a ser apenas uma peça no tabuleiro de Edmundo e Érica. Ela tinha que tomar as rédeas de sua vida, e isso começava com sua decisão de se envolver nos negócios. A luz do sol filtrava-se pelas janelas do escritório, lançando sombras dançantes sobre a mesa de madeira escura onde Olivia trabalhava. O pai tinha reservado uma sala para ela, feliz de a ter por perto e empenhada em aprender mais. Ela sentia uma energia vibrante ao revisar os projetos de expansão da empresa, imaginando como poderia fazer a diferença. A confiança que brotava dentro dela era algo novo e revitalizante e era um passo em direção à realização de um sonho que antes parecia distante. Entretanto, a atmosfera estava prestes a mudar. Quando Edmundo entrou no escritório, uma onda de tensão pairou no ar. Ele estava vestido de maneira impecável, mas sua expressão era de descontentamento. Olivia notou isso imediatamente e sentiu seu coração acelerar. Sabia que a conversa que se aproximava não seria fácil. — Olivia, precisamos conversar — disse ele, com um tom que fazia ecoar a seriedade de suas palavras. Ela franziu a testa, uma pequena centelha de preocupação acendendo-se dentro dela. — O que aconteceu? — É sobre o que você está fazendo na empresa. Olivia percebeu que estava a caminho de um confronto, mas não estava disposta a se intimidar. — O que você acha que está fazendo? Envolvendo-se em todos esses projetos? — ele perguntou, escondendo a furia. Olivia respirou fundo. Sabia que a sua entrada na empresa poderia gerar ciúmes e inseguranças, mas não era hora de recuar. — Estou contribuindo para a empresa, Edmundo. É meu direito. Meu pai está feliz por me ve interessada nos negócios da família. Ele se aproximou, tentando usar seu charme habitual para suavizar o clima. — Eu entendo que você quer ser parte disso, mas você não tem experiência suficiente. Os negócios são complicados, e você pode acabar se machucando — ele disse, com um sorriso que buscava apelar para sua sensibilidade. — Eu me formei com excelentes notas e estou disposta a me esforçar e a aprender mais aqui. Esse lugar é tão meu quanto seu... aliás, mais meu do que seu. A afirmação ressoou entre eles como um eco. Edmundo hesitou, a insegurança atravessando seu semblante por um breve momento. — Olivia, o que você precisa entender é que eu me preocupo com você. Quando estamos juntos, o que podemos construir é mais importante do que qualquer projeto isolado. Não quero que você se machuque — disse ele, mudando a abordagem, agora mais suave. Olivia observou-o com atenção, notando a mudança de tom. Ele estava tentando acalmá-la, mas ela não se deixaria enganar tão facilmente. — Edmundo, não se trata de machucar ou não. É sobre eu ter meu espaço e meu lugar aqui. Você sempre disse que eu poderia ser tudo o que quisesse. Agora que estou tentando, você quer que eu recue? Ele deu um passo mais perto, seus olhos intensos, quase suplicantes. — Pense em nosso futuro juntos. Quando tivermos filhos, você não gostaria de estar presente para eles? Dedicando seu tempo à família em vez de se perder nesse mundo dos negócios? — Ele estava tocando em um ponto delicado, um argumento que sabia que poderia tocar seu coração. — Eu quero ser uma mãe, sim, mas isso não significa que eu tenha que abrir mão dos meus objetivos. Posso ser uma profissional e uma mãe ao mesmo tempo — afirmou Olivia, firme. Edmundo estava claramente tentando ganhar vantagem, mas Olivia não se deixaria manipular. Ele sempre tinha um jeito de usar seus sentimentos para controlá-la, mas agora era diferente. Ela estava determinada a não ser a mulher submissa que havia sido antes. — Você realmente acha que pode equilibrar tudo isso? O trabalho é exigente. E a pressão será imensa — disse ele, com um tom que misturava preocupação e condescendência. — Eu sou capaz, Edmundo. E, se você não consegue enxergar isso, talvez você deva reconsiderar nosso relacionamento — disse ela, com uma firmeza que surpreendeu até a si mesma. O olhar de Edmundo escureceu, mas não de raiva. Era uma expressão de confusão, como se estivesse processando a ideia de que Olivia poderia ser independente. — Não estou pedindo para você desistir de seus sonhos. Estou apenas sugerindo que talvez você precise de um tempo para entender o que realmente quer. — O que eu realmente quero é ter a liberdade de escolher meu próprio caminho. E isso inclui a minha participação na empresa. Eu não sou mais a menina que você conheceu na faculdade. Eu cresci — respondeu Olivia, sentindo a adrenalina correr em suas veias. Edmundo balançou a cabeça, lutando para manter a calma. — Olivia, você está cometendo um erro. O que estamos construindo é precioso. Não podemos arriscar tudo isso por causa de algumas decisões impulsivas. Aquelas palavras pesaram no ar, mas Olivia não se deixou abater. — E você realmente acha que eu tomei uma decisão impulsiva? Eu sou parte integrante dessa empresa e mereço respeito. A conversa estava se arrastando, mas Olivia sabia que precisava ser clara sobre suas intenções. Edmundo estava habituado a ter o controle e a dominar as situações, mas ela não permitiria mais isso. — Eu entendo que você quer o melhor para nós, mas isso não significa que eu deva ficar à sombra de suas escolhas. Eu quero brilhar com você, não atrás de você — disse Olivia, sua voz mais suave, mas firme. Ele a observou, seu olhar se suavizando um pouco. — Não quero que você se sinta assim. Eu só quero proteger o que temos. Olivia respirou fundo, percebendo que havia um espaço para um entendimento mútuo, mas isso exigiria uma mudança na dinâmica entre eles. — Eu agradeço por se preocupar, mas eu sou capaz de cuidar de mim mesma e de nossos sonhos juntos. Você precisa confiar em mim — concluiu, determinada. Edmundo hesitou por um momento, sua expressão mudando. — Então, se é isso que você quer, vou respeitar sua decisão. Mas saiba que estarei sempre aqui para te apoiar, mesmo que não concorde com tudo — ele disse, embora seu tom ainda revelasse a luta interna que enfrentava. Olivia assistiu enquanto ele se afastava, uma onda de alívio misturada com a ansiedade a envolvia. A batalha havia sido travada, mas ela se sentia mais forte. As palavras dele ainda ressoavam em sua mente, mas a certeza de que estava no caminho certo a encorajava. Ela caminhou até a janela, olhando para a cidade iluminada. O futuro estava repleto de desafios, mas também de oportunidades. Agora, mais do que nunca, ela estava determinada a moldar seu próprio destino, com ou sem Edmundo ao seu lado. Olivia sabia que a jornada seria longa, mas estava pronta para enfrentar cada obstáculo. A vida estava à sua espera, e ela não iria se deixar intimidar novamente.
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