Capítulo 21

936 Words
Capítulo 21 Maria Júlia (Maju) narrando Subi para o quarto ainda tentando entender como aquela noite tinha chegado tão rápido. Abri o armário e fiquei alguns segundos olhando as roupas até escolher uma calça jeans e o cropped preto que eu mais gostava. Calcei meu tênis de sempre e fui até o espelho. Não era muito fã de maquiagem, então apenas ajeitei os cabelos e passei um pouco de perfume. Meu olhar acabou parando nas tatuagens espalhadas pelo meu corpo. Eu ainda lembrava da primeira que fiz. Foi com uma amiga da Cecília, eu tinha recebido meu primeiro salário. Minha mãe ficou furiosa quando descobriu, dizendo que eu tinha gastado dinheiro com besteira enquanto dentro de casa faltava tanta coisa. Na época, eu tinha ficado triste. Hoje, aquela lembrança parecia pertencer a outra vida. Ouvi a porta abrir. — Já terminou? Terror apareceu encostado no batente. — Sim. Ele me analisou rapidamente. — Então vamos. Não quero chegar depois de todo mundo. Peguei meu celular e o coloquei na bolsa. Antes de sair, olhei para ele. — Você pode perguntar novamente como a Luiza está? — Já perguntei. Parei. — Já? — Ela está dormindo. Fiquei surpresa. — Você realmente perguntou? Ele arqueou uma sobrancelha. — Tenho cara de quem está mentindo? Balancei a cabeça. — Não. — Então vamos. Descemos juntos. Assim que saímos da casa, avistei a moto estacionada. Meu estômago embrulhou. Eu odiava andar de moto. — Eu vou mesmo nisso? Ele olhou para mim. — Vai. — Terror... — Sobe, Maju. Respirei fundo e subi atrás dele. Segurei firme em sua cintura assim que a moto começou a andar. Ele acelerou pelas vielas como se estivesse sozinho na estrada. — Vai devagar! Ele pareceu não ouvir. Apertei ainda mais os braços ao redor dele. — Você quer me matar? Ouvi uma risada baixa. — Para de drama. — Eu não estou fazendo drama! Quando finalmente chegamos ao baile, desci da moto com as pernas um pouco bambas. Terror estacionou, guardou a chave e segurou minha mão. Não perguntou se eu queria. Apenas me puxou. Entramos no baile juntos. A música fazia o chão vibrar, e o movimento era intenso. Pessoas dançando, bebidas passando de mão em mão e os vapores espalhados pelos arredores. Terror manteve a mão firme na minha cintura enquanto me conduzia até o camarote. Assim que chegamos, encontramos PH, Sorriso e alguns outros homens. PH abriu um sorriso. — Achei que vocês não vinham mais. Terror respondeu antes que eu pudesse falar. — Maju demorou para se arrumar. Olhei para ele. Eu não tinha demorado tanto assim. Mas preferi não corrigir. Ele apontou para o sofá. — Senta. Sentei. Ele ficou ao meu lado. Sorriso estava conferindo algumas garrafas sobre a mesa. — Tá tudo certo por aqui — comentou. PH pegou uma bebida. — Então hoje ninguém reclama. Um dos homens começou a brincar sobre as mulheres que estavam chegando ao baile. — As meninas estão começando a subir. Sorriso riu. — E você acha que alguma vai querer ficar contigo? — É só chamar para o camarote. Todo mundo riu. Eu permaneci quieta. Terror parecia completamente à vontade. Conversava com os homens enquanto eu ficava ao lado dele, tentando não chamar atenção. Até que alguém se aproximou. — Primo? Uma garota apareceu na entrada do camarote. Era Gabriela, irmã do PH. PH olhou para ela. — O que você está fazendo aqui? Ela cruzou os braços. — Vim curtir o baile. — E a Luiza? Gabriela sorriu. — Dormindo na minha casa. Fica tranquilo. Meu coração aliviou imediatamente. Ela se aproximou de mim. — Cecília está subindo também. Acabou de mandar mensagem. Sorri. — Graças a Deus. Pouco depois, senti a mão de Terror repousar sobre minha coxa. Meu corpo ficou tenso. Ele acendeu um baseado e continuou conversando com os homens como se aquilo fosse completamente normal. Eu apenas permaneci quieta. Alguns minutos depois, Cecília apareceu. Assim que me viu, veio diretamente até mim. — Demorei, mas cheguei. Ela se sentou ao lado de PH e me puxou pela mão. — Vem comigo. Olhei imediatamente para Terror. Ele me encarou. Cecília percebeu. — Você não vai impedir ela de ficar um pouco com a gente, né? Gabriela completou: — Deixa a garota respirar. Terror deu uma tragada no baseado. — Vai. Olhou diretamente para mim. — Mas eu estou vendo. Assenti. Levantei e fui com as meninas. Enquanto caminhávamos, olhei para trás. Terror continuava me observando. Cecília percebeu meu olhar. — Eu ainda não consigo acreditar nisso. — No quê? Ela se aproximou. — Você e o Terror. Gabriela fez uma careta. — Eu também não. Ele é meu primo, mas aquele homem é apavorante. Respirei fundo. — Não é exatamente como vocês estão pensando. Cecília me olhou atentamente. — Então me explica. — Não aqui. Ela entendeu imediatamente que eu não podia falar. Mudou de assunto. — Vamos pegar alguma coisa para beber. — Eu não quero. — Maju, você não precisa ficar sentada olhando para o chão a noite inteira. — Se eu beber, ele me mata. Gabriela riu. — Um copo não vai fazer você perder o controle. Cecília colocou um copo na minha mão. — Só toma um pouco. Olhei para a bebida. Depois para o camarote. Terror ainda estava conversando com PH. Talvez ele nem estivesse prestando atenção. — Eu não sei... — Para de medo — Cecília falou, sorrindo. — É só um copo. Respirei fundo. Levei o copo aos lábios. E, sem perceber, aquela pequena decisão seria o começo de uma noite muito diferente do que eu havia imaginado.
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