Capítulo 15

642 Words
Capítulo 15 Terror narrando A garota continuava parada perto da porta da cozinha, completamente imóvel. O prato que eu tinha acabado de esvaziar ainda estava sobre a mesa, mas ela nem parecia lembrar dele. Estava olhando para o chão, como se evitasse cruzar os olhos comigo fosse fazê-la desaparecer. Dei mais uma tragada no baseado. — Vem aqui. Ela demorou alguns segundos para reagir. Quando finalmente levantou a cabeça, seus olhos encontraram os meus por um instante e voltaram para o chão. — Eu mandei você vir até mim, não foi? Ela caminhou devagar, cada passo denunciando o medo que sentia. Parou a menos de um metro de mim. Sorri de canto. — Tá tremendo por quê? Ela não respondeu. Segurei seu queixo com força, obrigando-a a olhar para mim. — Responde. — Eu... Sua voz falhou. — Eu estou com medo. — Finalmente uma resposta sincera. Passei os olhos pelo rosto dela. Ela respirava rápido. Os ombros estavam tensos. Parecia esperar que eu fizesse alguma coisa a qualquer momento. Aquilo me divertia. — Levanta essa blusa. Ela arregalou os olhos. — Eu... — Tá surda? Suas mãos subiram lentamente até a barra da camiseta. Quando começou a levantá-la, interrompi. — Para. Ela congelou. — Tá vendo? Abaixei a mão devagar. — Você já faz o que eu mando antes mesmo de pensar. Isso é bom. Muito bom. Ela permaneceu imóvel. — Aprende uma coisa, Maju. Não é sobre o que eu mando você fazer. É sobre saber que eu posso mandar. Passei por ela devagar, observando cada canto daquela casa. A parede descascada. Os móveis antigos. A mesa marcada pelo tempo. — Você vive pior do que muita gente que me deve dinheiro. Ela permaneceu em silêncio. Abri um armário. Poucos mantimentos. Fechei com força. — Nem comida direito tem. Olhei novamente para ela. — E ainda faz aquela lavagem que você chamou de jantar. Ela apertou os lábios. — Foi o que eu consegui fazer. — Horrível. Se eu quisesse comer m*l, tinha ficado na boca. Peguei o prato vazio e o coloquei sobre a pia com força. O barulho ecoou pela casa. Ela se assustou. — Você sabe qual é o seu problema? Ela balançou a cabeça negativamente. — Você acha que ainda manda na própria vida. Dei um passo à frente. Ela deu um para trás. Sorri. — Continua. Até encostar na parede. Ela fez exatamente isso. Agora estava sem ter para onde fugir. Apoiei uma das mãos na parede, ao lado da cabeça dela. — Olha pra mim. Ela demorou. Segurei novamente seu queixo. — Eu mandei olhar. Seus olhos estavam marejados. — Não chora. Você lembra o que acontece quando eu vejo lágrima. Ela respirou fundo, engolindo o choro. — Assim é melhor. Soltei seu rosto. — Amanhã essa casa vai estar limpa. Não porque eu gosto de limpeza. Mas porque eu quero saber se você aprendeu a obedecer. Olhei em direção à escada. — Sua irmã continua dormindo? — Continua. — Ótimo. Pelo menos alguém nessa casa me dá menos dor de cabeça. Ela fechou os olhos por um segundo. Percebi que aquilo tinha machucado mais do que qualquer grito. Era exatamente esse o efeito que eu queria. Peguei meu boné sobre a mesa. Antes de sair, parei na porta. — Escuta bem. Quando eu mandar te chamar... ...você não faz pergunta. Você não inventa desculpa. Você vem. Porque, no dia em que eu achar que você esqueceu quem manda nesse morro... ...quem vai pagar não é você. São as pessoas que você insiste em proteger. Abri a porta. — E outra coisa. Melhora essa comida. Porque ela tá quase tão r**m quanto essa casa. Saí sem esperar resposta. Fechei a porta atrás de mim. Eu não precisava levantar a voz. O medo que eu tinha colocado dentro dela fazia todo o trabalho por mim.
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