CAPÍTULO 52 Ela quase gritou. Ele quase ficou. Mas o quase nunca salva ninguém. Ela fingia dormir. Deitada de lado, o corpo ainda nu, os olhos cerrados com força. Mas as lágrimas… não sabiam mentir. Elas escorriam silenciosas pelo travesseiro, molhando a pele quente, o coração aberto, o grito preso na garganta. Max se levantou devagar. Os pés tocaram o chão com cuidado. Como se qualquer ruído pudesse acordar algo nele que ele ainda não estava pronto para enfrentar. Ele atravessou o corredor como quem atravessa um campo minado. Entrou na sala. Lentamente pegou a camisa. Depois a calça. Vestiu-se como quem se prepara pra um velório. O velório de tudo que eles poderiam ter sido. Ela escutava tudo. Cada passo. E com cada som, o desespero crescia. Fica, Max. Por favor, fica.

