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2643 Words
OLÍVIA NARRANDO Fiquei com muita raiva do que aconteceu. Eu fui completamente humilhada por esse tal de Tyler Abel. Tanto faz quem ele é, se é rico ou pobre, o que me interessa foi o jeito com que ele me tratou que eu odiei! Porém, eu não posso deixar de admitir uma coisa: Ele é um homem muito, muito bonito... E seu ar dominador me deixou meio... Eu não sei dizer, com os joelhos bambos. Homens poderosos sempre me deixaram assim, mas eu apenas ignoro. Não tenho tempo para ficar me derretendo por cada homem poderoso que acho bonito dentro do restaurante onde trabalho. O problema é que, o olhar de Tyler Abel no meu não me sai da cabeça. E isso me faz ficar com mais raiva ainda. Quando cheguei em casa, depois desse dia horrível, liguei para minha melhor amiga, Nicole. — Oi, amiga. — Falei, no telefone. — Oi, linda! Como você está? — Questionou. — Irritada. Tive um dia péssimo. — Bufei. — Você não vai acreditar no que me aconteceu hoje. — O que aconteceu? — Hoje de manhã, eu estava atrasada e um carro preto passou em uma poça de água, me molhou por completo. — Falei. — Sério, meu cabelo ficou ensopado com a água da chuva. Meu pobre guarda-chuvinha minúsculo não resistiu. — Poxa, amiga... E aí? — Ela questionou. — Aí, eu anotei a placa do carro. Anotei no celular, mas aquela maldita placa ficou rodando na minha cabeça. Eu até pensei em denunciar, você sabe que isso causa multa, não sabe? — Questionei. — Molhar pedestres, né? Vi na televisão que dá multa. — Afirmou. — É, exatamente. Mas aí, o que aconteceu foi: Eu fui para o meu trabalho, tive que passar o dia com um coque horroroso e obviamente, fui servir os clientes. Por sorte consegui me arrumar com um uniforme reserva e tive que lavar o cabelo na pia, mas deu certo. Enfim... Esse homem, Abel não sei das quantas, e o filho de cinco ou seis anos chegou. — Abel? Tá brincando que você atendeu um Abel. — Ah, lá vem mais uma paga-p*u da família de ricos. — Girei meus olhos ao falar. — Não, espera, você não tá falando do Tyler Abel, tá? Você atendeu o Tyler Abel com o filho dele? — Questionou. — Acho que era esse o nome. Mas não tô me lembrando direito. — Falei. Me esforcei para tentar lembrar, mas estava difícil. — Olívia! O Tyler Abel é uma perdição! Você lembra se o nome da criança era Benny? — Questionou. — Sim, era Benny. Esse lembro bem. Tive que ficar dando comida na boca dessa criatura, acredita? Foi muito ridículo. — Amiga do céu! Esse cara é um gato. Como você pode achar uma coisa dessa r**m? — Questionou. — Tyler Abel é o herdeiro mais desejado de toda Nova Iorque. Ele tem um império nas mãos! — Ah, é? — Questionei, desinteressada. — Pois eu quero que ele pegue esse império e enfie no r**o. Ele e o filho são uns chatos. — Falei, depois, repensei o que eu disse. — Não, o menininho não é chato. Ele parece precisar de uma atenção que o pai não dá, sabe? O cara passou o tempo todo no celular. Achei ridículo. — Entendi. Mas... De qualquer forma, você o conheceu. Se fosse eu, teria tirado uma foto. — Dei risada ao ouvir. — Meu chefe me mata se eu tentar tirar foto com cliente. E não, eu não tiraria foto com esse chato. Desculpa reclamar tanto... Estou chateada, sabe? O dia foi terrível. E aquele i****a não sai da minha cabeça. Aquela cara de cretino mandão... Ai, que ódio! — Reclamei. Ela riu. — Sabe o que a gente devia fazer? Aproveitar que amanhã é sua folga e ir ao bar. Assim, você esquece o “chato”. Só não se esqueça que a linha entre amor e ódio é tênue demais, hein? — Ela gargalhou e eu fiquei em silêncio. Amor? Por aquele cretino? Jamais. — Quer saber? Acho uma excelente ideia. Vamos, eu preciso esquecer esse dia horrível. — Nos vemos as dez, no bar de sempre. — Ela disse e desligamos. Cheguei ao bar e vi Nicole sentada. Ela já estava me esperando, e estava tão linda quanto eu. — Oi, amiga! — Chamei. — Oi, linda! — Nicole me abraçou. — Deus do céu, você tá um arraso. — Obrigada. Nos sentamos juntas e começamos a conversar. Então, enquanto conversávamos, ela começou a olhar para um rapaz do outro lado do bar, que estava olhando para ela também. e aí, ela foi e me deixou sozinha. Ouvi um barulho de bagunça e me virei para observar. Um grupo de vândalos entrou no bar, vestidos com camisa de time. Grandes valentões do futebol, também apelidados de “hooligans” por aqui. Isso me deixou um pouco apreensiva, então, eu me levantei e decidi ir embora... Porém, meu olhar cruzou com o olhar de um deles sem querer, e ele veio em minha direção. — Olha o que eu achei por aqui. — Ele gritou. Fiquei com medo, muito medo mesmo. — Você é uma gracinha! Por que não bebemos juntos? — Ahn... Na verdade, eu estou indo embora. — Não, não está. — Ele disse. Eu arregalei meus olhos. — Você vai beber comigo! — Disse. Eu não sabia o que fazer, principalmente quando ele tomou uma garrafa de vodka da mão de um amigo, e levantou. — Ahn... Eu não bebo isso aí. — Falei. — Abre a boca, bonequinha! — Ele disse, e eu não abri. — Abre, eu estou mandando! — Disse, apertando o meu braço. Eu acabei cedendo. Pensei que tomar um gole de vodka era melhor do que apanhar de um valentão. Depois que bebi o grande gole que ele despejou na minha boca, eu comecei a procurar Nicole, mas ela havia sumido junto com o cara gato que ela arrumou. Que droga, eu estou sozinha! Eu tentei me desvencilhar do grupo dos hooligans várias e várias vezes, mas não consegui. De tempos em tempos, o homem que me segurava pelo braço, me obrigava a tomar mais um gole de vodka. E em um determinado momento, apesar de sóbria, eu já não conseguia mais ficar em pé. — Pelo amor de Deus... Chega... — Eu falei, quando ele me mostrou a garrafa de vodka. Eu me segurei em um banco, pra não cair. — Esse é o último, e eu te levo pra casa. Pra minha casa, é óbvio. — Ele riu com os amigos. — Vou ter uma noite ótima! — Vai mesmo! Olha, como ela é gostosa! Olha essas coxas! Já veio para o bar na intenção de t*****r com alguém, hein? — Um deles disse. Eram três ao meu redor, como eu iria me defender? Tive medo de ser estuprada, e eu sabia que seria. Então, eu comecei a procurar por alguém que fosse no bar... E eu vi aquele homem: Tyler Abel. Ele estava ali, e estava vindo em minha direção. Seria uma visão do paraíso? — Tyler... — Eu falei, tentando chama-lo. — Olívia. — Ele disse, se aproximando, com a voz séria. — Vou te levar pra casa. — Ele falou, me segurando pelo braço. Quando ele percebeu que eu não conseguia mais ficar em pé, passou o braço ao redor da minha cintura e me segurou. — Epa, epa, epa... Você chegou agora no bar, e está querendo levar minha garota embora? — O homem que estava me embebedando disse. Tyler olhou para o lado com um sorrisinho irônico. — Sua? — Disse, erguendo as sobrancelhas. — Eu não sou dele, eu não sou dele. — Falei, desesperada. O homem tentou agarrar meu punho, mas Tyler não deixou. Ele me ajudou a encostar em um dos bancos que estava próximo, e foi conversar com o homem. — Solte a garota, ela é minha. — O homem disse. Eu me agarrei em Tyler, com medo. — Não. Vamos embora, Olívia. — Tyler disse, e fez menção de se virar para ir embora. Quando Tyler fez isso, o homem o atacou com um soco, e eu me soltei de Tyler. Antes que o soco pudesse acertar Tyler, ele segurou a mão do homem no ar e o empurrou para longe. — Você tem certeza que quer brigar comigo? — Disse, abrindo os botões dos punhos da camisa branca e dobrando as mangas. — Acha que eu tenho medo de um mauricinho i****a? — Respondeu, prontamente. O homem atacou Tyler, e ele começou a bater nele de volta. Tyler, vestindo uma camisa branca, parecendo apenas um homem de negócios comum só que bonito, alto e forte, deu uma surra em um marmanjo vestindo camisa de time. Foi uma surra colossal. Os outros dois amigos do homem que foi espancado entraram no meio da briga, tentando segurar Tyler... Mas ele deu conta dos dois, sozinho, os espancando também. Eu estava me segurando no banco, para não cair, mas vi tudo. Agora, os três marmanjos valentões estavam caídos no chão, se contorcendo de dor. — Será que mais alguém quer levar uma surra aqui, ou eu posso ir embora? — Tyler disse. Dois caras que estavam acompanhando os valentões se afastaram, com medo. — Ótimo. Tyler me segurou mais uma vez pela cintura, e começou a me levar para fora do bar. Foi nesse momento que comecei a perder a consciência, e não entender mais o que estava acontecendo. Eu estava desmaiada, no carro de Tyler. E eu não fazia ideia do que aconteceria. Quando acordei, ele estava estacionando em frente a uma mansão imensa. Ele desceu do carro e veio até o banco do passageiro, abrindo a porta. — Consegue andar? — Questionou, mas eu m*l conseguia responder. — Ahn... — Eu tentei falar, mas não consegui. Tyler se abaixou e pegou meus braços. Ele envolveu o próprio pescoço com meus braços e seus olhos encontraram os meus, com o rosto extremamente próximo. Ele tem os olhos castanhos mais lindos que já vi. — Se segura. Vou te carregar pra dentro. — Ele avisou. Eu apenas concordei com a cabeça. Tyler me levantou, me segurando no colo, como se carrega uma princesa. Eu encostei meu rosto em seu ombro e apaguei de novo. Acordei com Tyler me colocando em uma cama enorme. Ele tirou minhas sandálias, e depois fez menção de ir embora... Mas eu senti meu estômago revirar. — Tyler... Acho que eu vou... Vomitar... Me ajuda. — Pedi. Ele veio até mim, com pressa, e me ajudou a levantar. Foi comigo até o banheiro, e eu me ajoelhei em frente a privada. Ele segurou meus cabelos e eu vomitei muito. — Eles te obrigaram a beber? — Questionou. Eu apenas concordei com a cabeça. — Filhos da p**a. Depois que terminei de vomitar, eu lavei minha boca e senti minhas pernas falharem. Me agarrei nele, mais uma vez, e ele me ajudou a ir até a cama. Quando já estava deitada, ele fez menção de ir embora de novo, e eu agarrei seu braço. — Não. — Pedi. Eu estava apavorada, e não queria ficar sozinha. — Fica comigo, por favor. Estou com medo. — Ninguém te fará m*l aqui. — Afirmou. — Só... Fica comigo. — Pedi, mais uma vez, completamente bêbada. Se eu estivesse sóbria, não pediria isso... Ainda mais para ele. Ele respirou fundo e se sentou ao meu lado na cama. Concordou com a cabeça, e eu segurei sua mão. Senti meu corpo falhando de novo, e apaguei. Acordei com ele acariciando meu rosto, e ajeitando meus cabelos, mas mais uma vez, apaguei de novo. Podia sentir sua mão em minha pele do rosto, seu polegar acariciando minha bochecha e vez ou outra passando por meu lábio inferior. Eu gosto de seu toque... Parece um sonho bom. — Tyler... É você que está com a mão no meu rosto? — Eu perguntei, sem conseguir abrir os olhos. — Sim, sou eu. Quer que eu tire? — Questionou. Eu levei minha mão até a mão dele que acariciava meu rosto, de forma desajeitada. A segurei contra meu rosto, esperando que isso fosse o suficiente para que ele entendesse que eu queria aquele carinho. — Fica... — Foi o que consegui dizer. — Estou aqui. — Ele disse. Eu apaguei, dessa vez, sem conseguir abrir os olhos por um bom tempo. Quando acordei, não entendi onde estava. Comecei a ter flashs da noite passada, e me lembrei que um homem estava me embebedando. Quando percebi que aquela cama macia não era a minha, e vi um homem desconhecido sentado ao meu lado, eu dei um soco enorme em seu rosto, com toda força que tinha e tentei me levantar, mas ele me impediu. — Mas que p***a! — Ele disse, e começou a tentar me segurar. Eu me debatia na cama, tentando me desvencilhar do homem que eu ainda não estava entendendo quem era. — Me deixa ir embora! Seu hooligan filho da p**a! — Gritei. O homem pulou por cima de mim, me pressionando contra a cama, e segurando meus punhos contra a cama e me olhando muito de perto. Seu rosto estava muito perto do meu, e nossos narizes se tocaram. — Olha pra mim, c*****o! — Ele disse, em voz alta. — Abre os olhos, Olívia! Eu reconheci essa voz como uma voz boa e parei de me debater. Ele soltou minha mão, mas não saiu de cima de mim. Eu tentava abrir os olhos, e sentia a respiração dele muito próxima a minha. Meu corpo relaxou por causa da voz dele. Ele levou a mão até meu rosto, e começou a acaricia-lo, e eu me lembrei daquele carinho. Reconheci o carinho, mas não ele, a princípio. Sua outra mão foi apoiada em minha cintura. Ele estava tão perto... Aquele cheiro delicioso de perfume caro, eu já o senti. Quem está em cima de mim? — Quem... — Eu ainda não conseguia falar. — Não me reconhece? — Ele disse, com a voz calma. Senti sua mão que estava em minha cintura, descer pela lateral de meu corpo e ele a apoiou em minha coxa. Deus, eu estou completamente excitada. — Tyler. — Sussurrei. Era o único rosto que me vinha à mente, o rosto daquele ricaço filho da p**a do restaurante. Minhas mãos não me obedeciam. Eu as apoiei nos ombros dele, e flexionei minhas pernas, o que fez com que ele se encaixasse no meio delas. Meu vestido subiu, expondo minhas coxas. A mão dele passeava por minha coxa descoberta, e ele sussurrou contra meus lábios. — Não me provoca. — Sussurrou. Eu sentia seu hálito quente e gostoso contra meus lábios. Rebolei embaixo dele. Eu estou bêbada, isso deve ser um sonho. Tyler por cima de mim? Até parece. — Eu quero você, Tyler... — Sussurrei, contra os lábios dele. A mão que antes estava em meu rosto, escorregou por meu corpo, passando por cima do meu seio, por minha barriga, e alcançou minha outra coxa. Ele levou o rosto até meu pescoço, passando o nariz ali. Podia sentir sua respiração, e meu corpo inteiro se arrepiava. Meu coração batia acelerado. Não sei quem estava por cima de mim, mas aquilo era muito, muito bom. — Você tá bêbada. De repente, ele se levantou. Comecei a entender onde estou, ao olhar para ele: Era Tyler Abel, o cara rico do restaurante. Isso começou a me acalmar. Olhei para mim mesma, e vi que estava vestida, mas meu vestido estava um pouco para cima. — Ah, eu tô na sua casa. — Afirmei, enquanto o olhava. Os toques, sua respiração, seu cheiro... Aquilo realmente aconteceu ou foi um sonho? Era ele? Eu não sei, ainda estou confusa por causa da bebida.
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