Capitulo 17

2780 Words
No banheiro ele pensava e olhava a água descer pelo ralo. Pensava que sua vida também estava descendo pelo ralo. Não tinha um pior momento pra essa criança aparecer, iria acabar com sua vida! Quem diria que alguns minutos de diversão estragariam toda a sua vidinha de farra e sossego. Suspirou pesado e voltou a tomar seu banho. ¨¨¨¨ Any estava encolhida na sua cama, Sina e Sabina ainda não tinham aparecido, chorava baixinho, sabia que Melissa estava lendo e não queria atrapalhá-la. Melissa por sua vez a olhava com pena, Any não merecia passar por esse tipo de coisa.  Levantou-se e sentou no pé da cama dela que agora coçava o olho de leve, provavelmente de sono. Logo Any sentiu a presença dela e a encarou. Any: Desculpa, eu não queria atrapalhar a sua leitura. – abraçando o travesseiro com força. Melissa: Você não me atrapalhou em nada. – se levantou e se aproximou mais da cama dela. Any se virou para encara-la, depois voltou a chorar. – Engravidou dele não é? – acariciando os cabelos dela levemente, ela apenas assentiu chorando mais. – Oh Any! – suspirou e abriu os braços para ela, que a abraçou forte. – Vai ficar tudo bem. – sentindo as lágrimas dela molhando seus ombros. – Ele não merece vocês dois, você vai conseguir! Any: Eu quero morrer Melissa... – soluçou. Melissa: Não, não diga isso! – separou o abraço e a olhou seriamente. – Any me desculpe, eu não queria que a gente parasse de se falar. Any: E porque está aqui agora? – enxugou as lágrimas de leve. – Você estava com raiva de mim, nem sei por que, mas estava. Melissa: Não tinha nada haver com você, eu só estava frustrada por uma coisa que não vale a pena falar agora e acabei descontando em vocês. Eu estava chateada mesmo, mas quando eu vi você assim, tão frágil... – sorriu meiga. – Eu lembrei que você um dia me disse, que as amigas de verdade não estão contigo apenas nas horas boas, mas nas ruins também. – Any sorri de leve. – E agora eu estou aqui, dando o meu ombro amigo e fofinho pra você chorar tudo aquilo que está te fazendo m*l, tudo aquilo que te machuca. Desde aquela manhã que eu tenho vontade de fazer isso, mas eu fiquei receosa. Any: Aquela manhã foi a pior manhã da minha vida. – a abraçando de novo, ainda podia lembrar-se da cena de Joshua beijando Joalin, ainda podia lembrar-se daquelas fotos que a machucaram por demais. – Eu estou sofrendo muito Melissa. Ele me machucou muito e agora eu vou ter um bebê, que ironia não é? – caindo no choro de novo. Melissa: Chora... – suspirou tristemente ao ver como ela estava fragilizada com toda aquela situação. Depois alguns minutos Sina e Sabina voltam. Sina: Não precisava você ir lá agredir o Josh, Sabina! – a repreendia. Any: Você bateu nele Sabina? – disse soltando Melissa e encarando Sabina, que assentiu com a cabeça. Sabina: Bati! – cruzando os braços. – E bato quantas vezes eu quiser! – Any sorriu de leve, sua amiga não tinha jeito, fazia tudo para protegê-la. Sina: Voltaram a se falar? – perguntou ao ver Melissa sentada na cama dela. As duas assentiram sorrindo. – Que bom! – sorriu de leve. Melissa: Queria pedir desculpa pra vocês também. – sorriu meio sem jeito. – Eu não deveria descontar minhas frustrações em ninguém. E então? Estou perdoada? – as duas sorriram. Sabina: Por mim, tudo na paz. – sorriu. Sina: Por mim também. – abriu os braços e Melissa a abraçou. – Que saudades que eu estava. – as três se abraçaram e Any sorriu levemente. Any: Meninas, eu vou dar uma respirada, preciso ficar um pouco sozinha, pensar um pouco. – as amigas assentiram. – Não esperem por mim. – saiu. Sina: Coitada da Any... – suspirou. – Eu não queria estar no lugar dela. – as três se entreolharam e respiraram fundo. Any procurou um lugar para que pudesse ficar a só consigo mesma, estava se sentindo sozinha, se sentia tonta. Foi até a sala onde estava mais cedo com Joshua, a sala dos instrumentos. Sentou no sofá de couro que tinha ali e ficou olhando para o nada, pensava no seu filho que iria nascer dentro de poucos meses, pensava em sua família, em sua faculdade, em sua paixão pela dança que teria que ser abandonada por hora. Pensava em Joshua, pensava em sua relação com ele, em suas traições, pensava em suas promessas, em como ele dizia que a amava.  Tudo mentira! E o pior de tudo é que ela o amava mais do que a própria vida e não conseguia fazer o contrário. Sua mente viajou. Viajou por momentos do qual nunca esqueceria, momentos que não existiam sexo, traições, gravidez... Momentos em que eram felizes. FLASH-BACK/ON Josh: Desce daí Any! – rolou os pequenos olhinhos azuis. – Eu vou contar pra tia Priscila que você não quer descer! Any: Conta, eu não estou nem aí! – tentando alcançar o gatinho, que estava lá em cima. – Não vê que ele está com medo? Josh: Ele sabe descer sozinho! – disse sem tirar os olhos da menina. Any estava pendurada em uma árvore, atrás de "salvar" um bichano que ela deduziu estar em perigo, Josh estava morrendo de medo de ela cair de lá de cima. Ele tinha oito anos e ela sete. Os dois viviam aprontando na fazenda da avó de Josh, sorriu de leve ao lembrar-se de dona Luíza, era uma mulher maravilhosa e amava os dois de paixão, Joshua sofreu muito quando ela morreu, não só ele, Any também sentiu na pele a perda da senhora. Naquele tempo ela ainda estava viva. Any: Eu já estou quase! – esticando o braço para pegar o gatinho branco com cinza. – Vem gatinho! Eu vou te salvar. – o gatinho se assustou ao ver que ela queria pega-lo, reclamou (fez aqueles barulhos) e Any ficou com medo. O gatinho lambeu a patinha e desceu da árvore deixando Any lá em cima com cara de pamonha. – Ei! – reclamou. – Volta aqui eu ia te salvar! – indignada. Josh começou a rir da cara dela. Josh: Vai mulher maravilha! – deu língua. – Eu te disse que ele não queria sua ajuda. Any: Cala a boca seu cara de tatu. – se abraçou em um galho e olhou para baixo, estava muito alto, não esperava que estivesse tão alto assim. Estava com medo de cair. – Ai como eu faço pra descer? – sussurrou para si mesma. – Ai... – com vontade de chorar. Josh: Pronto, desce logo Any! – pediu lá de baixo. – Vamos apostar uma corrida. – com os olhinhos brilhando, pois ele sempre ganhava. Any: Já vai! – agoniada, não queria que ele visse que estava com medo de descer, mas ela de fato não sabia mentir.  Logo ele notou seu desespero. Josh: Já sei, você está presa aí... – começando a rir. – Ai meu Deus! – disse começando a subir na árvore. – Sempre eu tenho que te salvar Any! Any: Ai Josh... – com medo. – Me tira daqui! – chorosa. Josh: Coloca o pé aqui. – apontou um galho e ela fez o que ele disse. – Agora coloca esse pé. – apontou para o pé dela. – Nesse aqui. – apontou o galho. Depois de um tempinho os dois estavam quase chegando em baixo e o galho em que os dois estavam em cima quebra, fazendo os dois caírem de uma altura de mais ou menos um metro. Os dois se estrambalham no chão e Any começa a chorar com a mão no cotovelo. Any: Ai meu braço. – chorando. Josh: Calma, o que é que você tem? – vendo que ela estava chorando, provavelmente tinha se machucado. – O que tem o seu braço? Any: Tá doendo. – com os olhos molhados. – Ele tá saindo sangue. – olhando e viu que tinha um pequeno arranhão, provavelmente arranhou em um galho quebrado. Nada demais. Josh: Você é muito chorona Any. – pegando o bracinho dela, ela fez uma careta de dor. – Calma eu estou aqui com você. – sorriu e ela o olhou com os olhinhos brilhando, depois deu um sorrisinho tímido. – Doí aqui? – ela assentiu. – Me deixa dar um beijinho. – deu um beijinho no pequeno arranhão e ela sorriu. – Pronto, já vai sarar. – sentou ao lado dela. Any: Obrigada por estar comigo. – parando de chorar aos poucos. Josh: Sempre vou estar com você. – olhando para ela e depois para frente. Any: Promete que sempre vai estar comigo? Josh: Prometo. – levantou a mão direita. – Você cai eu caio também. – riu e apontou o galho quebrado. Ela sorriu e o abraçou apertado. FLASH-BACK/OFF Tudo mentira! Ele não estava com ela agora! Não estava ao seu lado nesse momento tão intenso de sua vida, ele estava abandonando-a grávida. Iria ter aquela criança sozinha e ele não iria cair com ela. Tudo promessas, promessas em cima de promessas, todas falsas! Ele prometeu que a amava, mentira! Prometeu que ela era a única pra ele, mentira! Prometeu que sempre estaria com ela, mentira! Prometeu que nunca a deixaria, mentira! Prometeu que cairia com ela, tudo mentira!  Apertou os cabelos soluçando muito, o choro parecia não ter freio. Depois de um tempo ali desabafando suas mágoas, sentiu que já era a hora de ir para o quarto, estava com muito sono e não queria dormir ali. Desligou tudo e foi para o seu dormitório, tomou um banho ainda com a cara inchada e depois de muito rolar na cama, dormiu por fim. ¨¨¨¨ No outro lado, Josh rolava na cama. Não conseguia dormir de jeito nenhum, estava pensando em Any. Esse foi sem duvida um dos piores dias da sua vida. Sorriu sem vontade, muitos homens dariam o que fosse para estar em seu lugar e ouvir da boca da amada eu estou grávida! , mas não era bem assim que ele se sentia. Estava um poço de nervosismo e medo, só uma pessoa que estivesse exatamente no seu lugar podia explicar o que ele estava sentindo agora, era muito fácil Sabina chegar e acusá-lo de tal forma, claro ela não sabia o que estava passando com ele.  Só se importava com Any que com certeza estaria muito pior do que ele agora, mas isso não significava que ele estava bem, não estava! Aliás, ninguém poderia entendê-los! Só eles mesmos, aquela era uma situação muito complicada, ele ainda estava esperando acordar daquele pesadelo. Any deveria estar muito chateada com ele, isso ele não tinha dúvidas.  Sentia-se culpado por ela estar nesse estado, sabia que ele era o maior culpado em toda aquela confusão, ela deveria estar pensando o pior dele e também não era para menos, ele não fez nada que pudesse subir o conceito de quem quer que fosse, tinha feito inúmeras promessas que não cumprira, sempre planejaram todo um futuro juntos, desde pirralhos os dois sabia que eram um do outro.  Sorriu ao lembrar-se da carinha de ciúmes dela, quando ele conversava com outra garota. FLASH-BACK/ON Ele estava brincando com Ivi, era uma amiguinha que estudava com ele e os dois estavam muito amiguinhos. Inclusive chegou a pegar essa menina quando tinha dezoito anos. Enquanto corriam, ele não evitava olhar Any do outro lado do pátio. Ela olhava os dois com uma tromba enorme, furou o buraquinho do toddy com uma raiva bruta que até sujou a roupa da coleguinha dela. Ele deixou Ivi plantada e foi até lá. Lulu: Ai sua chata! – com careta. – Você sujou minha roupa! Any: Desculpa Lulu. – sem graça. – Foi sem querer. – chupando o canudinho do achocolatado. Lulu: Quando a gente voltar pra sala eu vou contar pra professora! – saiu com bico. Any deu de ombros e voltou a olhar seu namoradinho com aquela loira oxigenada, mas ele não estava mais com ela, a menina olhava na direção dela e ela se virou, deu de cara com ele comendo seus biscoitos. Any: O que você está fazendo aqui? – cruzando os braços. Josh: Comendo. – pegando outro biscoito. Any: Porque não vai lanchar com aquela feiosa ali! – apontou a menina. Josh: Porque o seu é mais gostoso. – rindo. – Você tá com ciúmes de mim? – perguntou com uma carinha de cachorro. Ele sorriu de si mesmo, desde moleque já tinha esse jeito canalha. Balançou a cabeça e voltou a lembrar. Any: Você é meu namorado Josh. – o encarou. – Você tem que ficar comigo e não com essa menina. – triste. – Você vai ser namorado dela agora? – perguntou com os olhos arregalados e ele riu. Josh: Não Any. – comendo outro biscoito recheado. – Eu já namoro você não é? – ela assentiu sorrindo. – Eu vou ficar com você até a gente for bem velhinhos igual à vovó. Any: Mamãe fala pra mim que quando a gente for grande assim. – levantou as mãozinhas para o alto. – A gente vai se casar. – Joshua comeu outro biscoito e olhou para ela. – Eu vou ficar toda de branco e nos vamos pra uma igreja bem bonita e você vai ser meu marido. Depois vamos viajar pra um lugar bem longe, ela disse que era a lua doce. – sussurrou como se fosse um segredo. Josh: Lua de mel, Any! – a corrigiu e ela deu de ombros. – Aí vamos poder ter bebês. – sorriu comendo outro biscoito. Any: Sim temos que pedir um pra dona cegonha. – com a mãozinha no queixo, pensativa. – Será que ela demora muito pra entregar? Josh: Todo mundo fala que demora nove meses. – Any fez careta. Any: Ai demora muito! – cabisbaixa. – Já sei! – tendo uma ideia. – Vamos pedir logo agora e quando a gente se casar ele já vai ter chegado! – Joshua assentiu. – Vem vamos perguntar pra minha professora quanto é um bebê. Josh: Espero que seja barato, meu pai me deixou de castigo sem mesada. – emburrado e seguindo ela. FLASH-BACK/OFF Ele riu da recordação. Lembra de que saíram perguntando pra todo mundo quanto era um bebê e como podiam falar com a dona cegonha, as pessoas só riam e apertavam as bochechas de ambos, lembrou que perguntou para sua mãe e ela lhe disse que os bebês chegam de surpresa, não precisava encomendar.  E realmente, põe surpresa nisso, ainda não acreditava que o seu bebê com Any já estava a caminho, antes mesmo de pensarem em casar, antes mesmo da "lua doce", como ela disse.  Negou com a cabeça enquanto tomava um remédio para dormir, ele estava precisando apagar o mais rápido possível. De repente tudo ficou escuro... Por fim. ¨¨¨¨ No dia seguinte. Any acordou depois de dois gritos de Sina, se espreguiçou e suspirou, queria voltar a dormir. Sina: Any. – a chamou, ela olhou a amiga e sorriu. – Está se sentindo melhor? – a cacheada apenas assentiu sorrindo, tinha sonhado com seu bebê.  No sonho ela lhe dava todas as alegrias possíveis, sim no sonho dela era uma linda menininha. Tinha ficado muito melhor com isso. Suspirou e levou a mão ao ventre que por enquanto estava sequinho, não tinha nem resquício de que ali tinha um bebê, mas tinha. Seu bebê, só seu.  Sina: Então vamos acordar mocinha! – piscou e Any sentou na cama. Any: Quem está no banheiro? – apontou o banheiro. Sina: Sabina, a Melissa foi tomar café, segundo ela estava com muita fome. – rolou os olhos e depois caiu na risada. – Quando ela não está com fome? Any: Sina. – a repreendeu. – Deixa ela comer em paz. – Sabina saiu do banheiro. Sabina: Bom dia! – toda sorridente. – Como acordou a mamãe mais linda do mundo? – Any sorriu e levantou pegando sua toalha. Any: Estou muito melhor. – as amigas sorriram. – Agora eu vou tomar logo o meu banho, que vai dar sete horas. – adentrou o banheiro.  Quinze minutos depois saiu e correu para o seu closet, vestiu uma saia jeans e uma blusa preta de botões com as mangas até o cotovelo, os cabelos estavam cacheados e caiam no seu rosto que já estava levemente maquiado, colocou uma sandália de salto preta e por fim estava pronta, na hora de sair sentiu outra tontura. Respirou fundo e fechou os olhos, Sina e Sabina a ajudaram a se acalmar. 
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