A partida de Noctávia aconteceu numa madrugada silenciosa, quase respeitosa. Não houve despedidas formais. Não houve anúncio. Apenas portas fechadas, documentos organizados e uma mala discreta para cada um. Helena olhou pela última vez para a galeria vazia. As paredes brancas agora pertenciam a outra pessoa. Nenhuma obra restava ali que carregasse seu nome. Nenhum traço denunciava quem ela fora naquela cidade. Gabriel esperava na rua, dentro de um carro comum demais para chamar atenção. — Pronta? — ele perguntou quando ela entrou. Helena respirou fundo. — Nunca estive tão pronta para ir embora. A estrada que deixava Noctávia serpenteava por colinas encobertas por névoa. Era como se a própria cidade tentasse segurá-los em seus braços frios. Gabriel não olhou pelo retrovisor mais de u

