Capitulo 20_ O Despertar daquilo que Não Tem Nome

1338 Words
A cidade de Noctávia parecia respirar de forma diferente naquela noite, como se o ar tivesse sido comprimido por mãos invisíveis. Gabriel estava de pé diante da janela, observando as luzes distantes refletidas na névoa, enquanto Helena permanecia atrás dele, atenta a cada mudança em sua postura, em sua respiração, em sua energia. O silêncio entre eles não era vazio, era carregado de expectativa e medo contido, mas também de algo mais profundo: uma ligação que nenhuma força externa conseguia enfraquecer. Ele não havia perdido o controle desde o episódio do cheiro de sangue. Mas havia mudado. A percepção dele continuava ampliando-se, como se cada minuto expandisse seus sentidos para além do limite humano. Ele conseguia ouvir o pulsar distante da cidade inteira, como uma sinfonia orgânica composta por milhares de corações batendo em ritmos variados. E, no meio dessa orquestra viva, o coração de Helena soava como uma nota grave e lenta — constante, profunda, quase hipnótica. — Você está muito quieto — ela murmurou, aproximando-se devagar. Ele virou-se para ela. Havia intensidade em seus olhos, mas também ternura. Aquela mesma ternura que a fizera se apaixonar. — Eu estou tentando entender o que está acontecendo comigo… mas quando você chega perto, tudo parece menos assustador. Ela sentiu o peso daquela frase. Helena estendeu a mão e tocou o rosto dele com delicadeza, os dedos frios contrastando com o calor crescente da pele dele. Gabriel fechou os olhos por um instante, inclinando-se levemente para o toque, como se aquele gesto simples fosse âncora. — Você ainda é você — ela disse suavemente. — E se eu deixar de ser? Ela aproximou-se mais, até que seus corpos quase se tocassem. — Então eu vou aprender a amar o que você se tornar. A sinceridade na voz dela dissolveu a tensão por alguns segundos. Gabriel envolveu-a pela cintura e a trouxe para si com cuidado, como se temesse machucá-la — ironia c***l, considerando que talvez agora ele fosse o mais forte dos dois. Ele encostou a testa na dela, respirando lentamente. — Eu não quero que você tenha medo de mim. — Eu não tenho medo de você — ela respondeu. E era verdade. O que a assustava não era Gabriel. Era o desconhecido que crescia dentro dele. De repente, o corpo dele enrijeceu levemente. Não por dor, mas por percepção. Helena sentiu também. Algo se movia nas sombras da cidade. Uma presença antiga. Vampiros. O Conselho. Antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, Gabriel afastou-se da janela e caminhou até o centro da sala. Seus sentidos captavam passos que nenhum humano ouviria. Ele sentia a vibração da aproximação deles como ondas invisíveis pressionando o espaço. — Eles estão aqui — ele disse com calma surpreendente. Helena arregalou os olhos. — Como você…? Ele apenas a olhou. Não era arrogância. Era certeza. O ar da sala tornou-se pesado. Em um instante, três figuras surgiram na varanda, atravessando a escuridão com a elegância predatória que apenas vampiros ancestrais possuíam. Entre eles estava Magnus, o mais antigo do Conselho, seus olhos como brasas apagadas. — Helena — ele disse, a voz ecoando como pedra raspando pedra. — Nós sentimos a alteração. Gabriel deu um passo à frente, posicionando-se sutilmente diante dela. O gesto não passou despercebido. — O humano evolui rápido demais — continuou Magnus. — Isso não é natural. — Talvez natural seja apenas uma palavra que vocês usam para aquilo que conseguem controlar — Gabriel respondeu. A ousadia não era imprudente. Era firme. Helena segurou o braço dele discretamente, mas ele não recuou. Os olhos de Magnus pousaram sobre Gabriel com interesse frio. — Você sente o que somos, não sente? — Sinto mais do que isso. Houve um silêncio tenso. Então aconteceu. Magnus moveu-se com velocidade sobrenatural, tentando testar os reflexos de Gabriel — um deslocamento invisível ao olhar humano. Mas Gabriel não era mais apenas humano. Ele se moveu antes mesmo que Magnus o tocasse. O impacto não foi visível, mas a força foi sentida. Magnus foi repelido para trás como se tivesse colidido contra uma barreira invisível. O chão da varanda rachou sob seus pés. Helena ficou imóvel. Os outros dois vampiros olharam para Gabriel com algo próximo de… temor. Gabriel estava igualmente surpreso. Ele não havia pensado. Apenas reagido. — Interessante — murmurou Magnus, erguendo-se lentamente. — Muito interessante. Helena aproximou-se de Gabriel, mas dessa vez não para contê-lo — para estar ao lado dele. — Ele não pertence a vocês — ela disse. — Ele não pertence a ninguém — Magnus corrigiu. Gabriel sentia a energia percorrendo suas veias como fogo líquido, mas não era destrutiva. Era poder concentrado. Ele podia sentir as intenções ao redor como se fossem cores no ar. Nenhum daqueles vampiros representava ameaça real para ele. E ele sabia disso. Essa percepção mudou algo em sua postura. Ele não parecia arrogante. Parecia desperto. — Se vieram machucá-la, voltem para as sombras enquanto ainda podem — ele disse, a voz baixa, mas carregada de autoridade natural. Os vampiros sentiram. Aquilo não era bravata. Magnus estudou-o por mais alguns segundos. — Não é vampiro — murmurou. — E não é humano. Helena apertou a mão de Gabriel. — O que ele é? Magnus respondeu com um olhar que misturava fascínio e preocupação: — Algo que não vemos há séculos. O Conselho recuou naquela noite. Não por misericórdia. Mas por prudência. Quando a presença deles finalmente desapareceu, o silêncio voltou ao apartamento, mas não era o mesmo silêncio de antes. Era carregado de algo novo. Gabriel respirou fundo, e a energia ao redor dele começou a diminuir gradualmente. Ele virou-se para Helena. — Eu não quis machucar ninguém. Ela aproximou-se lentamente. — Você não machucou. Ele tocou o rosto dela com cuidado, quase como se precisasse confirmar que ela estava ali. — Eu senti que podia destruí-los… facilmente. A confissão não era orgulhosa. Era inquieta. Helena segurou as mãos dele entre as suas. — O poder não é o que define o que você é. O que define é o que você escolhe fazer com ele. Ele observou-a por um longo momento. — E se eu escolher você? Ela sorriu suavemente. — Então já está escolhendo certo. Ele inclinou-se e a beijou com delicadeza, diferente da urgência anterior. Era um beijo calmo, cheio de significado, como se estivesse prometendo algo silenciosamente. As mãos dele repousavam na cintura dela, firmes mas gentis. Ela envolveu-o pelo pescoço, sentindo que, apesar do caos, o centro dele ainda era o mesmo homem que se apaixonara por ela sob a névoa de Noctávia. Quando se afastaram, ele encostou a testa na dela novamente. — Eu não quero que isso nos mude. — Já nos mudou — ela sussurrou. — Mas não nos quebrou. Ele sorriu de leve. Lá fora, a névoa parecia mais densa. Dentro do apartamento, porém, havia algo claro: Gabriel não estava se tornando vampiro. Estava se tornando algo superior. Algo que unia luz e sombra. Algo que nem o Conselho podia prever. E, no meio desse despertar avassalador, o que permanecia intacto era o que mais importava: O amor. Porque poder sem amor corrompe. Mas poder com amor… Reescreve a eternidade. **** _ Sabe, sinto saudades do hospital, de cuidar dos pacientes, até dos meus colegas eu tenho saudades, da agitação que é aquilo e até mesmo do cansaço._ suspira _ Agora podes cuidar de mim e posso ser sua colega, amiga, amante... O que quiseres_ diz , num tom brincalhão _Sério ? O que eu quiser?_ ele aproxima seu rosto ao dela e segura sua cintura com firmeza enquanto a coloca em seu colo Ela apenas assente , forçada pelo desejo do homem a sua frente _ Quero que sejas minha namorada. A expressão de desejo , muda para surpresa _ Namorada? _Sim, você ser minha namorada? _Sim,sim, sim_ vibra animada e distribui muitos selinhos ao seu namorado em meio a risadas Gabriel a carrega nos ombros, a leva até sua cama e mais uma vez eles se amam, se conectam, fazem amor loucamente.
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