Alexia abriu a porta e se sentou para tomar um café no jardim do fundo da casa, percebendo, enquanto olhava o céu aberto, que tinha uma certa claustrofobia e que ficaria louca se tivesse que viver presa dentro de um lugar, sem ver a luz do dia, enxergando o mundo apenas por uma grade ou em horários determinados, entendendo ali, com clareza, como uma pessoa normal podia enlouquecer em um presídio
O telefone tocou e ela atendeu.
— Liguei para dizer que você foi muito bem no seu primeiro dia… e para saber se realmente vai voltar.
Ela não sabia quem era, mas sabia de onde vinha aquela voz. Mafia inglesa.
— Vou voltar, sim, senhor, porque não tenho outra opção, vou cumprir o acordo e depois fico livre.
Do outro lado, escutou uma voz feminina chamando alguém de “menino”, fachando que fosse uma criança, mas logo ouviu o homem dizer que já estava indo, e a ligação caiu, deixando-a confusa, porque tinha certeza de que falava com o chefe da máfia inglesa e, ainda assim, alguém o chamava de menino, ele não era um menino, não mesmo.
Ficou mais um tempo ali, terminando o café, depois se vestiu e saiu para caminhar com uma bolsinha pequena no ombro, e, na volta, parou para comprar frutas e folhas para salada, pegou tomates, cerejas e seguiu caminho.
Três quarteirões antes de casa, um homem parou ao lado dela, deu bom dia, sorriu e se ofereceu para carregar as sacolas; ela reconheceu que era um vizinho e aceitou, agradecendo, caminhando com ele até a porta.
— Obrigado — ela disse, pegando as sacolas
— podia me oferecer um café como cortesia.
— Não posso, sinto muito, agradeço pela ajuda… e quem sabe nos vemos por aqui fora, não dentro da minha casa.
O homem pareceu desapontado, mas não insistiu, e ela, já alerta, olhou ao redor, entrou, trancou a porta e acionou o alarme, sabendo que só tinha aceitado a ajuda porque o conhecia de vista, porque, se fosse um estranho, não teria aceitado.
O interfone tocou e ela foi até a câmera, vendo que era Bronie, então caminhou até a grade do portão, sem abrir.
— Eu não quero você na minha casa, vou registrar uma queixa contra você e pedir uma medida para te impedir de chegar perto daqui.
— Você está sendo muito rancorosa, Alexia, eu nem fiz nada demais.
— Fez, sim, me colocou nas mãos da máfia inglesa, estou sendo obrigada a trabalhar em um presídio por sua causa, e, se o soldado não tivesse impedido, você teria me agredido.
— Nem seria agressão, eu só ia devolver a água que você jogou em mim.
— Eu não quero você, Bronie, não quero você perto de mim, não quero você como namorado, quero que desapareça da minha vida e me deixe em paz, não volte mais.
Ele ainda tentou discutir, mas um carro preto parou em frente à casa, buzinou, o vidro baixou e um homem dentro olhou direto para ele, fazendo Bronie se calar por um segundo antes de olhar para ela.
— Está envolvida com um deles? Está?
— Claro que não, mas, pelo menos isso foi bom, você não é homem para encará-los.
Ele não respondeu, apenas foi embora, e Alexia entrou, fechou a porta, mas, depois de alguns minutos, pegou um lanche, saiu novamente, caminhou até o portão e foi oferecer comida ao soldado que estava lá fora.