Percepções

428 Words
Quando chegou em casa, tomou banho e se deitou na cama, o corpo cansado, a mente ainda presa no presídio, e logo atendeu a ligação da mãe. — Como está, minha filha? — Bem, mamãe…Fui bem nesse primeiro dia, estive um pouco assustada, mas vai ficar tudo bem, é um trabalho como qualquer outro, não é? A mãe suspirou do outro lado, claramente incomodada. — Não concordo que você esteja metida em um presídio como aquele, Alex, você podia dar aulas na instituição onde eu trabalhei… ou até mesmo ficar em casa. O pai entrou na conversa, a voz mais calma. — Isso, filha, nós não somos ricos, mas podemos cuidar de você como sempre cuidamos. Ela fechou os olhos por um instante, sentindo o peso daquilo. — Eu sei, mamãe… eu sei, pai… mas não posso passar a vida sem trabalhar, sendo um peso para vocês. — Você já foi um peso alguma vez? — a mãe respondeu rápido. — Não… mas eu quero ser independente, e só vou ficar lá por três meses, vou adquirir experiência, melhorar meu currículo… depois procuro algo em um lugar melhor. — Não é perigoso? E se tiver uma rebelião ou algo assim? Alexia hesitou por um segundo, não sabia muito sobre isso, mas mentiu. — Não… os presos de lá não costumam fazer rebelião, é um presídio mais controlado, tem poucos internos e os guardas são atentos, foi tudo tranquilo hoje… e vai continuar sendo. — Tem certeza? — Tenho sim… manda um beijo para a bá e diz que estou bem. — Vou dizer… e, se precisar de qualquer coisa, liga… ou volta para casa. — Boa noite, mãe. Desligou. A mente estava exausta, pesada, cheia de imagens, se enrolou no cobertor e dormiu rápido, mas o sono não foi tranquilo, vieram os pesadelos, os irmãos Mavros, os presos, o presídio, as grades, os olhares, as mãos puxando. Acordou sentada, com calor, o coração acelerado, respirando fundo. Passou a mão no rosto e tentou se acalmar. Percebeu que tinha medo, sim, dos irmãos Mavros, mas os outros presos pareciam muito mais diabólicos, muito mais perigosos do que eles, e sempre foi da opinião de que pessoas que machucavam crianças eram capazes de qualquer outra coisa. E, apesar do crime que os irmãos cometeram, eles não tinham machucado crianças, e aquilo fazia diferença, já ajudava a não se sentir tão culpada por ajudá-los a sair da cadeia. Ao menos isso. Ela não estava colocando ped.ófilos ou infant.icidas na rua, e, se fosse isso, ela se recusaria, mesmo ameaçada de morte.
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